Shows: AC/DC faz o melhor show de 2009
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009 (19:20:16)
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 O Estádio do Morumbi já foi palco de inesquecíveis partidas de futebol mas espetáculo semelhante e de real importância, só o AC/DC foi capaz de protagonizar. Brian Johnson, Angus Young, Malcolm Young, Cliff Williams e Phil Rudd proporcionaram na noite da última sexta-feira o que podemos finalmente classificar de o melhor show de rock deste ano! Para quem pensava que o AC/DC estava morto, ledo engano. Os “velhotes” comprovaram por A + B porque ainda são uma das maiores bandas de rock do mundo!




AC/DC Estádio do Morumbi, São Paulo 27/11/2009
Por Costábile Salzano Jr Fotos MRossi
O Estádio do Morumbi já foi palco de inesquecíveis partidas de futebol seja do Campeonato Paulista, Brasileiro ou Taça Libertadores, mas espetáculo semelhante e de real importância, so o AC/DC foi capaz de protagonizar. Brian Johnson (vocal), Angus Young (guitarra), Malcolm Young (guitarra), Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria) proporcionaram, sem sombra de dúvidas, na noite da última sexta-feira (27) o que podemos finalmente classificar de o melhor show de rock deste ano! Para quem pensava que o AC/DC estava morto, ledo engano. Os “velhotes” comprovaram por A + B porque ainda são uma das maiores bandas de rock do mundo!
São Paulo, sexta-feira, 16h, chuva! Muita chuva! Marginal Pinheiros foi sinônimo de transito caótico! Apesar do horário, o fluxo de automóveis naquele que é um dos principais corredores viários da megalópole estava mais do que super lotado. A cada temporal a situação piorava ainda mais. A cidade registrava 100 Km de congestionamento, boa parte no Morumbi, região a qual está situado o Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Também pudera, o Brasil veio a São Paulo naquele dia. Pelas redondezas era fácil encontrar fãs de diversas cidades de Minas Gerais, interior de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e até de Manaus se confraternizando pelas ruas. Além disso, pessoas de outros paises como Equador e Colômbia também marcaram presença. Resumidamente, São Paulo virou a capital do Rock na América do Sul.
Apesar da receptividade nada amistosa de São Pedro, que para não negar o “apelido” de terra da garoa, resolveu lavar o céu e despejar uma série de temporais sob aquele mar de gente vestida de preto, a galera estava possuída pelo espírito libertino do Rock ´N Roll. Tanto que, poucas pessoas reclamaram das condições climáticas. Na verdade, a chuva foi mais um tempero para celebrar aquele grande encontro de sortudos. Afinal, só quem teve muita sorte ou bons contatos conseguiu garantir um tão disputado ingresso. Como já era de se esperar, em menos de dois dias, praticamente todas as entradas haviam sido vendidas e muitas pessoas, infelizmente, tiveram que recorrer à ação dos cambistas, que estavam super faturando em até 150% do preço original. Sem contar o estacionamento na rua à R$ 70,00. Porém, infelizmente, a pior atitude ficou por conta da Policia Militar. O grande efetivo nem se preocupou em coibir a ação dos cambistas e dos flanelinhas, limitando-se apenas a observar a pacifica movimentação dos roqueiros.
Do lado de dentro do estádio, uma das cenas mais lindas já vista em shows nos últimos tempos! O Morumbi foi invadido por um tsunami de chifrinhos brilhando em vermelho por toda as arquibancadas e pista. Assim que as luzes se apagaram, a dimensão da paisagem foi ainda mais ampliada. A devoção dos fãs de AC/DC estava estampada nua e crua para todos os presentes. Outra coisa que chamou muito a atenção de todos, foi a parafernália que estava devidamente preparada sob o palco. A imensa parede de PAs, iluminação, telões de alta definição e o espaço para entrada do trem de 6 toneladas fizeram a imaginação da platéia voar...
Com este plano de fundo, Nasi, ex-vocalista do Ira! deu as caras com o objetivo de aquecer a massa sedenta por muito “barulho”. E o experiente músico, ao invés de aproveitar a ocasião para divulgar a sua carreira solo, infelizmente, apelou para um show cover de luxo, que inclusive contou com a ilustre presença do guitarrista Andreas Kisser, previsivelmente trajado com o uniforme do São Paulo FC.
Com tanta banda boa lutando por um espaço desta magnitude para mostrar trabalho e competência, Nasi jogou a oportunidade literalmente ralo abaixo. Uma pena! Sem contar que o estilo de som não tem nada de parecido com a atração principal. Na minha opinião, este foi o único erro da produção. Porém, já que a abertura não era à altura, para o público, tanto fez. Eles queriam ver mesmo o AC/DC!
E pontualmente às 21h30, finalmente, o reencontro com os fãs brasileiros após 13 anos. O vídeo de abertura, agora tão comuns pelas bandas, mostrava o mestre Angus Young comandando um trem desgovernado em alta velocidade ao lado de duas tentações em forma de mulher. Sensualidade explicita, celeridade e calor gerado pela fornalha visualizado em cores quentes, instigavam e convidavam o público a entrar no clima do espetáculo. Assim que a animação terminou, o telão principal foi “atropelado” pela locomotiva também adornada por chifrinhos vermelhos. Fim da ansiedade e o Morumbi explode com a entrada do AC/DC tocando Rock ‘n’ Roll Train, primeiro single do novo disco Black Ice.
A primeira saudação do vocalista Brian Johnson direcionado aos fãs teve um deslize um tanto perdoável. Afinal, muitos dos que estavam ali mal entenderiam o que o frontman iria dizer nas próximas duas horas. Ele disse: “Não falamos ‘brasileiro’, mas falamos a linguagem do Rock”. Logo de cara, os australianos evidenciaram que entraram “em campo” para mostrar toda a superprodução de som e luz projetada para a bem-sucedida Black Ice World Tour.
Na sequencia, veio "Hell Ain’t a Bad Place to Be". E a chuva? Nada de chuva! Até São Pedro deu uma trégua e resolveu conferir aqueles “velhinhos” cheios de energia e dispostos a levar seus fieis seguidores à loucura. Portanto, naquela altura do campeonato, a única tempestade foi composta por uma infinidade de clássicos para deleite dos presentes.
O primeiro momento de extase foi com nada mais, nada menos que “Back in Black”. Quando Angus Young começou a executou aquele inigualável riff, o Morumbi tremeu! O estádio praticamente veio abaixo. A energia e a vibração que emanava no local foi imensa. É impressionante como uma simples música consegue mexer com as pessoas. Sem contar o momento que o guitarrista, devidamente vestido de uniforme colegial, começou a fazer a sua tradicional “dancinha” por quase toda a extensão do palco de 78 metros.
No entanto, não foi apenas “Back in Black” que causou todo essa comoção. O repertorio foi muito bem escolhido. Os fãs não tiveram tempo de respirar. Foi uma paulada atrás da outra sem sair de cima, popularmente falando. Até mesmo as novas composições “War Machine” e “Big Jack” tiveram seus bons momentos de acolhida.
“Dirty Deeds Done Dirt Cheap” foi maravilhosa. Uma das melhores da noite. “Shot Down in Flames” deu passagem para a envolvente “Thunderstruck”. Após uma série de grandes composições e inegavelmente com a galera nas mãos, a banda mandou a nova “Black Ice”. Saber inserir uma novidade no meio de um repertorio de clássicos não é tão fácil como se parece, mas para o AC/DC, a inteligência para este tipo de elaboração é muito fácil. Afinal, milhares de pessoas se esgoelar e aproveitar aquela noite de festa como se fosse a última vez.
Brian Johnson anunciou: “Esta música é sobre uma vagabunda...”, até que foi interrompido pela guitarra de Angus e disse: “Ele tem o diabo nos dedos e o blues na alma”. Foi assim que a figura impar do vocalista apresentou “The Jack”, também um dos pontos mais interessantes e aguardados do show. Enfim, chegara a hora do striptease desengonçado de Angus. O guitarrista incorpora o capeta e aproveita da levada sensual para revelar o seu corpinho bem judiado pela idade. Aos poucos ele vai tirando a roupa até ficar de cueca com o nome “AC/DC” escrito bem na bunda. Tudo isso de uma forma descontraída e hilária.
Durante esta música, varias jovens foram exibidas no telão até que uma delas, bem envolvida pela ocasião, resolveu ter o seu momento perante 70 mil pessoas e mostrar apenas o sutiã. Este foi o único período possível para se divertir e pegar fôlego, pois os “velhinhos” haviam preparado mais um verdadeiro bombardeio de clássicos ainda mais quando o enorme sino desceu do alto do palco para que pudesse Johnson se pendurasse na corda e anunciar “Hells Bells”. Delírio geral.
Para quem pensava que o AC/DC trouxera apenas uma locomotiva para o palco, o frontman tratou de convidar “uma antiga namorada para o show”, uma boneca inflável gigante de luvas, sutiã, cinta-liga que ficou montada em cima do trem e batendo seu pezão durante toda a execução de “Whole Lotta Rosie”.
Os clássicos seguiram com a insana “Dog Eat Dog”, “You Shook Me All Night Long” cantada aos berros em uníssono, a explosiva “T.N.T”. foi um verdadeiro carro-bomba no Morumbi até o desfecho com “Let There Be Rock”, mostrando no telão imagens de todas as fases do grupo.
Hora do bis? Nem pensar! Hora do show solo de Angus Young. Foram aproximadamente mais de 20 minutos endiabrados do guitarrista correndo e pulando pelo palco, arregaçando as cordas de seu instrumento. Diante de um mundaréu de fãs, o “velhinho” ratificou porque é uma lenda viva do Rock. Épico! Emocionante! Um verdadeiro gol de placa no Morumbi!
Infelizmente, chegara à hora do bis. Uma fumaça vermelha toma conta do palco e desvendar Angus Young com seus chifres voluptuosos na testa. O que estava por vir? Todos já sabiam: “Highway to Hell”. O estádio vibra, canta, grita, enlouquece. Novamente aquela vibração presenciada em “Back in Black” é evocada para delírio dos fãs.
Sem muita conversa, emendaram “For Those About to Rock (We Salute You)”. O palco se tornou um campo de batalha. Diversos canhões explodiam ao comando de Brian. Os brasileiros mostraram que não estavam cansados e fôlego para muito mais. Porém, os australianos saíram de cena sem se despedir. Muitas sabiam que era o fim, outros preferiam esperar até que foram surpreendidos por um espetáculo de fogos de artifício determinando o fim daquela histórica noite. Ao final da última explosão, São Pedro resolveu despejar uma chuva fina para amenizar os ânimos dos endiabrados fãs do AC/DC.
Com certeza, o AC/DC realizou o melhor espetáculo de Rock de 2009, batendo a concorrência de KISS, Iron Maiden, Heaven and Hell e muitos outros. É claro que essas bandas fizeram, shows apoteóticos, mas os caras mostraram vigor, atitude, energia e muita disposição sem precisar de muitas firulas em rápidas duas horas de um set previsível já que são raras as vezes que eles alteram um repertorio durante uma turnê mundial. Mas fã brasileiro se acha mais do que especial e esperava por alguma surpresa. No entanto, todos saíram satisfeitos e já programando por um novo show. Se é que isso um dia virá a acontecer...
Porém, o que é realmente relevante dizer foi a perfeita união de pessoas das mais diversas regiões do País e da América do Sul dispostas a se divertir, prestigiar e celebrar uma das principais bandas do rock mundial.
A vitalidade de Angus Young é algo invejável. Ao lado de seu Brian Johnson, mesmo com a sua indefectível barriguinha, ele corre palco, pela plataforma, pula, canta, mexe com o público. Os dois são verdadeiros animais de energia inesgotável em cima do palco.
Seus três comparsas não seguem o mesmo ritmo alucinado, não parecem (so foram mencionados agora nesta matéria), mas não conta do recado. O paradão guitarrista Malcolm Young contribuir e muito para sustentar as músicas, mas pouco aparece. É aquele volante que quando é substituído pode enfraquecer a estrutura do time. Seguindo o mesmo estilo discreto, mas presente, está a excelente cozinha Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria). Os dois encorpam o AC/DC e deixam os dois frontmen, se é que podemos dizer assim, à vontade para suas peripécias.
O Brasil saúda o AC/DC por seus longos anos prestados ao Rock ´n Roll!
E que venha o Metallica!
SET LIST
Rock ‘n’ Roll Train Hell Ain’t a Bad Place to Be Back in Black Big Jack Dirty Deeds Done Dirt Cheap Shot Down in Flames Thunderstruck Black Ice The Jack Hells Bells Shoot to Thrill War Machine Dog Eat Dog You Shook Me All Night Long T.N.T. Whole Lotta Rosie Let There Be Rock
Bis: Highway to Hell For Those About to Rock (We Salute You)
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