Shows: Maquinária Festival 2009
Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009 (1:07:32)
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Os trintões de todo o país se reuniram em São Paulo para prestigiar algumas das bandas que agitaram a sua juventude nos anos 90. Vieram caravanas do Rio de Janeiro, Aracajú, Curitiba, Salvador, interior de SP e até do Chile. Era a noite (7) que muitos esperavam há mais de uma década. No segundo dia do festival a estrela foi o Evanescence.

MAQUINÁRIA FESTIVAL Chácara do Jockey, São Paulo Dias 7 e 8 de Novembro
Por Márcio Sno
Fotos Marcos Hermes
Intercaladas às apresentações do palco principal, bandas tocavam no palco Myspace Brasil, no outro extremo da Chácara do Jockey, que já vem se tornando um dos principais points de shows e festivais na capital paulista.

(Foto Hendi Ducarmo)
PRIMEIRO DIA
Com precisão britânica, a apresentação da NAÇÃO ZUMBI começou às 15h. O exemplo foi seguido nas demais apresentações. Ponto positivo à organização. O show da banda pernambucana não trouxe muitas novidades e pouco empolgou o público que ainda estava chegando ao espaço. Há algum tempo a Nação vem perdendo o brilho das apresentações; músicas enérgicas, como “Manguetown”, estão caindo num clima muito deprê, talvez pelo vocal pouco empolgante de Jorge du Peixe. Só entusiasmaram com “Quando A Maré Encher”, que fechou o set.

(Foto Hendi Ducarmo)
O SEPULTURA começou botando fogo na história, mostrando sons de seu mais novo disco e comemorando o “1/4 de século” da banda. Mesclou seu repertório com músicas novas e as clássicas como “Dead Embryonic Cells”, “Refuse Resist”, “Inner Self” e “Troops of Doom”. Para deixar o som do Sepultura mais pesado, Derrik Green deu "uma ajudinha" ao baterista Jean Dolabella e passou a tocar um surdo em algumas músicas. Algo que está fazendo falta na banda é uma segunda guitarra, principalmente na parte dos solos de Andreas (que, a propósito, ficou ridículo com a meia do São Paulo, porém é uma melhores pessoas para se fotografar). O primeiro sinal de poeira subindo foi em “Arise”, que incendiou o público.

Na sequência, os californianos do DEFTONES mostraram seu hardcore/metal com vocais ora gritados ora melódicos. Apesar de falar pouco com o público, o vocalista Chino Moreno demonstrou muito carisma com o público, chegando até, em determinado momento, a cantar literalmente nos braços do público. Foi um set cheio de altos e baixos, com momentos cheios de energia, com o público levantando muita poeira e outros meio chatinhos, mas os fãs mais ardorosos saíram realizados.




Com o local já bem mais cheio, foi a vez do JANE’S ADDICTION, protegidos por uma Barbie no amplificador de Dave Navarro. Foi a primeira visita da banda no Brasil, e isso gerou muita expectativa no público. Assim, como os registros da banda em discos, o show também tem vários momentos de experimentalismos e viagens sonoras, que às vezes quase chegava à monotonia. Mas só quase – graças à performance de Perry Farrell, que é uma espécie de Serguei com Ney Matogrosso e umas pitadas de Caetano Veloso. O carisma de Farrell fez com que o set se transformasse quase em um espetáculo. Ao contrário de Navarro, que mostrou-se arrogante ao não permitir o registro de um cinegrafista da produção, chegando a jogar a palheta no rapaz. O público foi ao delírio quando tocaram “Been Caught Stealing” e “Stop!” Finalizaram a apresentação com vários tambores e com quatro mulatas que sambaram com as duas performers que ilustraram a apresentação, num misto de diversão e deboche.




Mas a grande expectativa da noite mesmo era para o FAITH NO MORE, um dos maiores ícones do rock dos anos 90. Porém, quase que o sonho dos presentes vai por água abaixo, literalmente, pois minutos antes do início do show começou a chover e, incrivelmente, parecia que chovia mais no palco que no público. Ponto negativo para a produção. Foi a correria para cobrir tudo com lonas plásticas, parecendo um acampamento do MST ou uma instalação de arte pós-moderna.
Após gritar o nome da banda, a platéia começou a proferir frases como “wait no more!” por conta da ansiedade. A chuva deu uma trégua e a banda sobe ao palco com Mike Patton portando um guarda-chuva, cantando “Reunited”. E a partir daí não era mais possível se mexer, tirar foto, todos estavam em delírio. Mesclaram músicas novas com hits como “We Care A Lot”, “Epic”, “Midlife Crisis”, entre outros. A chuva continuou, porém ninguém parou mais.
Apesar de “velhinha” a banda mostra que tem muita energia, principalmente por parte de Patton, que demonstrou estar em forma com sua performance pouco convencional e por conversar o tempo inteiro (repito: o tempo inteiro!) com o público em português, com direito à música “Evidence”, cantada em nossa língua. Isso foi o suficiente para que o elo entre a banda e os brasileiros se fortificasse. E o resultado disso foram pessoas saindo extasiadas, emocionadas e algumas até chorando de emoção por esse momento único na vida de todos ali. Talvez a noite mas importantes para ambos, que garantiu dois bis. Ao final, Patton disse que talvez seria a última apresentação do Faith no More no Brasil, para protestos em uníssono da galera.
Um ótimo festival, bem organizado, porém pecou nos preços altíssimos e por ser realizado no mesmo dia do Planeta Terra, que reuniu bandas como Iggy Pop & Stooges, Sonic Youth e Primal Scream. Mas mostra que estamos evoluindo muito em festivais de rock.

SEGUNDO DIA Por Márcio Sno
Fotos de Marcos Hermes
O segundo dia da maratona de shows do Maquinária mostrou o contraste enorme do público do festival. Se no primeiro a idade média era de 30 anos, com pessoas mais resolvidas musicalmente (sem visual), no segundo o púbico era formado essencialmente por jovens e seus uniformes pretos, olhos, lábios e cabelos pintados. Numa grossa comparação, podemos dizer que um dia foi para os pais e o outro para os filhos.
A estrela do dia era o Evanescence, que arrastou fã-clubes do Brasil inteiro (também foram vistas bandeiras da Argentina e Colômbia) para São Paulo. Os fãs, por sua vez, cantavam as músicas da banda nos vários grupinhos, faziam fila para conhecer o grupo de perto e assediavam jornalistas para tentar algo.


(foto trio Alexandre Bigliazzi)
Para queimar um pouco os hormônios da rapaziada, o Loaded subiu pontualmente no palco. A banda liderada pelo ex-Guns N’Roses, DUFF MCKAGAN, mostrou um hard rock que, apesar de não trazer grandes novidades e não ser conhecida do público, conseguiu empolgar. Para lembrar sua mais famosa ex-banda, fechou o set com “It’s So Easy”.


(fotos Alexandre Bigliazzi)
Num clima de anime, cosplay, os japoneses do DIR EM GREY tocaram pela primeira vez no Brasil e foi a primeira oportunidade do dia em ver fãs chorando pelos ídolos. Com um estilo deprê, o vocalista louro Kyo não falou com o público. Na verdade, quase não abriu os olhos (isso não é piada de japonês!). Em contraponto, o destaque ficou mesmo para o baixista Toshiya, com seu estilo andrógino e desengonçado, sua maneira peculiar de portar o baixo, roubou a cena. A banda faz um som forte, pesado, capaz de estremecer tudo, porém sem identidade, indo do mais tradicional heavy metal ao mais brutal noisegrindcore, com direito a vocal gutural e bateria soando como metralhadora.

A chuva resolveu aparecer mais cedo e começou assim que o PANIC! AT THE DISCO entrou no palco. Houve uma debandada de parte do público, ficando os fãs e os que não queriam perder o lugar para a ver a banda principal da noite. E mesmo com tudo isso, o Panic mostrou muito carisma, principalmente do vocalista Brendon Urie. Fizeram uma apresentação simples, mas colocaram o pessoal para pular. Afinal, a experiência de pular na chuva com som ao vivo na cabeça é uma experiência obrigatória para qualquer ser humano.

Lembram-se que tinha o palco Myspace Brasil do outro lado? Durante o dia, as bandas que tocaram lá não chamaram muito a atenção. Fatalmente serão trilha sonora de Malhação e tocarão nas mais badaladas rádios pop. Porém, teve uma que salvou o dia: DANKO JONES, que até conseguiu a trégua da chuva para a sua apresentação. Os canadenses mostraram muita energia e atitude com um rock n’ roll maduro e decidido. O público era formado em sua maioria pelo pessoal da imprensa, organizadores e curiosos que aprovaram a banda. O vocalista Danko provocou a produção do festival, dizendo que no próximo ano quer participar do festival, mas no palco principal, aprovado pelo público acalorado. Em sua primeira apresentação por aqui, deixaram ótima impressão e registraram o melhor show da noite.

Para o deleite dos milhares de fãs, o EVANESCENCE sobe em um palco brasileiro depois de dois anos. O público cantou todas as músicas em uníssono e pulou muito ao som do heavy/gótico de Amy Lee e sua turma. Um dos pontos altos do show foi quando a cantora assumiu um piano de cauda, momento em que foi possível perceber mais claramente a participação do público. A vocalista ressaltou que se sentia feliz em dividir o palco com Sepultura e Faith no More (mesmo sendo em dias diferentes), porém, fica a dúvida se o pessoal não entendeu o inglês dela ou se não conhecia as bandas. Talvez a segunda opção. Foi um show sem grandes novidades, mas que agradou muito os presentes.
Enfim, foi um festival que marcou pela qualidade da organização (principalmente ao tratamento dado à imprensa) e pontualidade das apresentações. Também pela divisão de atrações dos dois dias, agradando a todas as idades. Para o próximo ano, a organização deverá ficar de olho na agenda dos festivais, para não bater as datas, e não esquece de colocar o Danko Jones no palco principal.
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