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Shows: Planeta Terra 2009 - Ao vivo
Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009 (0:07:07)



Bola dentro: transferir o Planeta Terra deste ano para o Playcenter. Com a estrutura de um parque de diversões – mais a possibilidade de diversão em todos os brinquedos do local – enfim um grande festival brasileiro encontra um local decente para o seu público (e pensar que em Curitiba a Pedreira Paulo Leminski permanece interditada para grande eventos por ação judicial impetrada pelos moradores das redondezas...).









PLANETA TERRA FESTIVAL 2009
Playcenter, São Paulo
7/11/2009
 
Por Ariel



Fotos Julian Marques


    
Com dois festivais acontecendo ao mesmo tempo e com atrações tão diferentes quanto interessantes, São Paulo se tornou nesse sábado (7), a meca da música para as mais de 30 mil pessoas que passaram pelo Planeta Terra Festival 2009 (17 mil, segundo a organização) e Maquinária 2009 (20 mil, segundo os organizadores) que se realizaram respectivamente no Playcenter e na Chácara do Jóquei. E como a cidade é conhecida pela sua diversidade musical, vários eventos menores estavam programados em diversos espaços, pelas quebradas e inferninhos que também tinham seu público fiel.

    
Antes de me dirigir ao Planeta Terra, no Playcenter, que é um centro de diversões localizado na Marginal Tietê, entre as pontes do Limão e Casa Verde, tive que cumprir um compromisso no Espaço Impróprio com a banda Garotos do Subúrbio, só consegui chegar ao local do festival por volta das 22h, exatamente quando começava a banda Sonic Youth. Antes disso se apresentaram os escoceses do Primal Scream, os ingleses do Maximo Park e as brasileiras Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong, que abriu o festival com o público chegando para doze horas de música e diversão (algumas atrações do Parque ficariam à disposição do público do festival).

    
Segundo comentários do pessoal que presenciou o Primal Scream, na sua maioria fãs da banda, eles deixaram um pouco a eletrônica de lado e fizeram um set mais rock’n’roll, fazendo um pequeno resumo de sua trajetória. Na verdade, a banda parecia que não estava ali para conquistar novos adeptos e com um show burocrático mas com vontade, acredito que saíram até no lucro.
    

Sonic Youth, que entrou por volta da 22h já tinha a maior parte do público a seu favor, mesmo com o segundo palco, chamado  de Coca Cola Zero Stage (que parecia uma rave, predominando a música eletrônica) estar bombando com as pessoas dançando ao som do Metronomy. 



O SY é uma banda que consegue manter todos hipnotizados com melodias e guitarras distorcidas e isso desde os anos 90 quando estavam em seu auge, quando eram considerados os pais da barulheira (grunge?). Tocaram algumas músicas de seu mais novo disco – the Eternal - de 2009, deixando de fora alguns de seus hits, mas mesmo assim conseguiram agradar aos fãs presentes, mas não ao restante da audiência que consideravam a apresentação um tanto chata.
 
     
A performance dos americanos barulhentos foi melhorzinha que das vezes anteriores em que tocaram no Brasil, 2000 e 2005. O destaque ficou para um “fã” da banda que durante algumas músicas acabou tocando baixo com seus “ídolos”, enquanto a baixista Kim Gordon assumia os vocais. Esse fã era ninguém menos que Mark Ibold, da banda Pavement, que, aliás está se apresentando regularmente, às vezes tocando baixo, às vezes guitarra com os caras. Finalizaram fazendo um barulho infernal com guitarras atiradas ao chão, abusando de microfonias e prometendo voltar, o que não é de se estranhar, pois por aqui mantém um público fiel.
   

Intervalo e com a chuva, mais para garoa paulistana, aliviando o calor reinante, começo a circular pelo Parque e encontro uma amiga que me arrasta para a Montanha Russa - confesso que não sou muito chegado a loopings e descidas em velocidade, mas aceitei o desafio e lá fui eu para as alturas esperar o verdadeiro motivo que me fazia estar ali. Desço ainda em choque e vou me dirigindo para o bar para estabilizar a vertigem do looping e depois de devidamente restaurado, vejo muitos conhecidos, figurinhas carimbadas das noites paulistanas que começam a se acomodar à frente do Sonora Main Stage, para a apresentação da atração principal do Festival, o famigerado Iggy and the Stooges.

    
Além das figurinhas carimbadas do underground paulistano, o festival estava apinhado de globais, que para parecerem enturmados, diziam que estavam ali para ver Iggy Pop, como se conhecessem o trampo do Iguana. O Terra montou uma TV interna que fazia entrevistas com os famosos de plantão, sob o comando de Gastão Moreira e Sabrina Parlatore, antigos VJs da MTV. As imagens eram transmitidas por telões nas laterais do palco e garantiram a sessão comédia do evento.
    

Chegando à frente do palco, avisto alguns senhores e penso: “Será que os Stooges trouxeram os roadies das antigas também?” O lugar vai enchendo para a atração mais esperada do festival, ou seja, Iggy and the Stooges. Após a morte do guitarrista original, Ron Asheton, todos achamos que a banda acabaria, mas qual surpresa nos fariam convocando o cara que foi responsável pelas guitarras do disco Raw Power de 1973, no qual Ron passou a ser baixista, o grande James Willianson.


Fazia mais de 35 anos que o cara não tocava num evento desse porte e, sem muita cerimônia, atacaram com a faixa-título, emendando com “Kill City”, também sob a batuta de sir James e aí seguiram com “Search and Destroy”, “Gimme Danger”, que parecia um prenúncio do que iria acontecer quando o velho iguana diz se sentir “solitário” e pedir para que a audiência  suba ao palco para lhe fazer companhia ao som de “Shake Appeal”. E é isso mesmo que acontece. Nunca vi tanta gente em cima de um palco e, sem mais nem menos, começa a pancadaria de uns tais homens de preto, seguranças contratados pela produção do festival, que não economizaram socos e pontapés, sobrando até mesmo para jornalistas, que tiveram seus equipamentos destruídos e suas credenciais arrancadas.


Após a saída do contingente de fãs extasiados, restou apenas um que, ao ver Iggy agradecer a presença de todos e dizer que se sentia melhor, abençoando de joelhos a participação de todos no palco, correu para abraçá-lo, sendo imediatamente jogado ao chão pelos seguranças e providencialmente desmaiado pelos truculentos. Enquanto isso o sax de Steve MacKay segurava a onda, não deixando a audiência esfriar e o show continuou com vários hits que ficaram fora do Raw Power, como “I Got Right”, “Cock in my Pocket” e “Johanna”, com os solos do mestre que os criou inundando nossos ouvidos e nos fazendo esquecer de microfonias anteriores, se é que vocês me entendem.


Tivemos também “1970”, “Fun House”, “Skull Ring”, “Death Trip” e “Five Foot One”. Se isso já não fosse o bastante, os Stooges nos brindaram com a maravilhosa “Passenger” (fico imaginando que algum global presente poderia achar que a banda estaria fazendo cover do Capital Inicial) e com a libidinosa “Lust for Life”. Destaque também para o baixo de Mike Watt – ex-Minutemen e Firehouse, que deu um auxilio luxuoso ao mestre James.
    

Para finalizar, cito o momento que para mim foi o mais emocionante de toda a apresentação, quando o Iggy presta uma homenagem ao grande Ron Asheton, seu grande amigo e parceiro, num dos maiores clássicos da banda, “I Wanna Be Your Dog”. O irmão de Ron, o baterista Scott Asheton sentia a ausência, meio cabisbaixo.
    

A banda Ting Tings, que tocava no palco dedicado à música eletrônica, até que conseguiu uma audiência considerável para sua apresentação e quem ficou ainda pôde acompanhar o DJ Etienne de Crécy embalar a todos dentro de um cubo de vidro e soltar a pressão causada pelos Patetas de Detroit e a festa continuou até às quatro da manhã com o N.A.S.A. e o live act do DJ Anthony Rother.
   

Acredito que tudo funcionou muito bem e o Playcenter serviu perfeitamente de cenário para toda essa diversidade musical que rolou. Incidentes como os da segurança não abalam pessoas como os Stooges, que vieram da rude Detroit. O Rock’n’Roll continua causando perigo. Amém.
 







PLANETA TERRA 2009 - AO VIVO


Iggy & The Stooges, Sonic Youth, Primal Scream e outros shows em um dia de rock no parque de diversões



Por Abonico R. Smith (parceria Mondo Bacana)

Fotos de Julian Marques


Bola dentro: transferir o Planeta Terra deste ano para o Playcenter. Com a estrutura de um parque de diversões – mais a possibilidade de diversão em todos os brinquedos do local – enfim um grande festival brasileiro encontra um local decente para o seu público (e pensar que em Curitiba a Pedreira Paulo Leminski permanece interditada para grande eventos por ação judicial impetrada pelos moradores das redondezas...).


Bola fora: manter o mesmo Planeta Terra em dia e horários concomitantes a outro grande festival, também realizado em São Paulo. Público dividido, o que não é bom para nenhuma das duas produções, seus organizadores e patrocinadores. Segue um resumo de como foi a atuação de cada artista neste dia de muito calor às margens do Rio Tietê...
 





MACACO BONG O trio de Cuiabá põe mais um festival em seu currículo mostrando que artista é mesmo igual a pedreiro – conforme exclama o título do primeiro álbum. Com muito esforço e trabalho e economizando nas palavras, a banda prova que virtuosismo instrumental e muito peso podem resultar em uma combinação que não cansa e até chega a empolgar durante um show inteiro. Encarando dois desafios distintos – o de abrir o PT às quatro da tarde para pouca gente e o de provar que guitarra, baixo e bateria podem sim ser complementares com cada instrumento traçando um caminho diferente.

 
FUJA LURDES Primeira das bandas curitibanas escaladas para o festival. Estes meninos de Curitiba conquistaram o direito após vencer um concurso promovido pela organização do evento na internet. Chegaram com seu visual mauricinho e despejaram um pop rock radiofônico que não sente o menor pudor de repetir fórmulas manjas e bem-sucedidas. Possuem um grande público na capital paranaense – tanto que superaram todos os outros concorrentes em número de votos – e subiram ao palco do PT já com um contrato assinado com uma grande gravadora (o álbum de estréia foi produzido no estúdio Toca do Bandido, no Rio). Entretanto, para a galera alternativa, o público-alvo deste festival, o FL não deixou muitas saudades, não.

 



MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU Apostando na fartura de camisetas coloridas e no repertório do mais recente álbum (C_MPL_TE, considerado um dos melhores lançamentos de 2009), o combo de Brasília botou fogo na platéia em plena tarde de Planeta Terra. Não teve medo de escancarar o set com o seu grande hit “O Tempo” logo de cara, os Móveis ainda mandaram covers e promoveram sua habitual (com)fusão cênico-rítmica. Para quem já está familiarizado com as performances do grupo, nada de muito diferente – embora sempre animador e empolgante.


 



EX! A maior incógnita do festival, já que a banda possui pouco tempo de formação, sequer lançou um disco e praticamente não foi comentada pelos formadores de opinião virtuais no território musical brasileiro. Tendo à frente a performance glitter  da vocalista Monique Maion (que está lançando seu primeiro álbum solo) e por trás uma cenografia que usa e abusa do néon, esta é mais uma daquelas formações que aplica a fórmula do “rock dançante”. Eletro com guitarras, melodias pop com um certo clima kraut-cabaré (isto é, new wave germânica) e um bom caminho pela frente.


 



MAXIMO PARK A banda da cidade inglesa de Newcastle upon Tyne é um dos estandartes do renascimento do pós-punk em terras britânicas durante esta década. Já lançou três álbuns e chegou a rivalizar anos atrás com o Rakes durante o hype feito à ascensão de ambos. Chegou ao Brasil com uma pequena base de fãs angariada durante este tempo. Esbanjando simpatia (o vocalista Paul Smith arriscou frases em português do começo ao fim) e energia (não dá para deixar de dançar em várias canções), o MP privilegiou o último disco (Quicken The Heart) e comandou cerca de uma hora do mais delicioso blend de punk, pós-punk, new wave e pop. Curto, seco, básico e sobretudo divertido!


 




COPACABANA CLUB Eles utilizaram a internet como arma de conquista nacional para sair da capital paranaense e varrer o país como uma das grandes revelações da música pop de 2009. Com apenas um EP virtual e uma formação com tarimbados músicos da cena alternativa curitibana, os Copas hoje são estrelas. E justificam o status em cima do palco. A vocalista Caca V – a única marinheira de primeira viagem da banda – domina o público unindo performance certeira e o visual estrambólico (ambos inspirados pela “ídola” Karen O) e cantando versos que falam de baladas e transpiram sexualidade por todos os poros. Como já era esperado, "Just Do It" foi o ponto alto do show, que fechou as participações nacionais no Planeta Terra deste ano.







PRIMAL SCREAM Bobby Gillespie é um gênio do rock. Consegue passear por diversos gêneros e estilos, conseguindo sempre ser contundente e convincente. Pela segunda vez no Brasil, ele mostrou que é mesmo em cima do palco que ele se sempre ainda mais à vontade e poderoso. De novo, o Primal Scream arrasou. Com base no repertório mais recente mostrou que a veia rocker permanece latente e afastou toda e qualquer reminiscência eletrônica que dominou a sonoridade da banda até a metade inicial desta década. E se as músicas dos dois discos mais novos (Riot City Blues e Beautiful Future) funcionaram ao vivo por aqui, foi na hora dos clássicos que tudo pega fogo. A parte final – com direito a seqüência “Movin On Up” (um soul movido a substâncias químicas) e “Rocks” (encarnando o clone mais perfeito de Mick Jagger no auge criativo dos Rolling Stones) – foi matadora. Impossível continuar respirando depois, mesmo com a banda tocando mais música...







PATRICK WOLF Ele é ao mesmo tempo uma figura estranha e perturbadora em cima do palco. De visual andrógino e para lá de espalhafatoso (o que era aquele macacão justinho com a Union Jack estilizada nas cores prata e preto?), domina guitarra, teclado, violino e ainda encontra um tempinho para curtir uma de popstar. Musicalmente, propõe um passeio pelo folk, punk, tecnopop e rock, sem deixar a peteca cair. No final, já de cuecão-saiote e asas de anjo, entoou à capela o hino de outro ícone blonde, “Like A Virgin”, levando ao delírio os fãs. Esta espécie de Ney Matogrosso contemporâneo e do lado de cima do Equador só levou o azar de ter sido escalado para o mesmo horário do Primal Scream...


 




SONIC YOUTH Para entender o que foram estes noventa minutos de barulho e regozijo é necessário compreender a essência do mais novo álbum do quinteto nova-iorquino. Contando com o luxuoso auxílio de Mark Ibold, emprestado temporariamente do Pavement e devidamente efetivado na formação, o Sonic Youth resoveu fazer um brinde a ele mesmo em The Eternal. Homenageou os próprios heróis e revisitou as sonoridades que fizeram sua gloriosa carreira como banda alternativa, indo da fase mais esporrenta às pequenas delícias em formato pop. E foi deste disco que saiu a base do repertório do Planeta Terra. Com Kim Gordon praticamente liberada para usar até uma vareta de metal na terceira guitarra (em duas ou três músicas apenas ela voltava para o baixo) e um baixista de formação (Ibold substituiu Jim O’Rourke, amigo de longa data de todo mundo mas que visivelmente se sentia desconfortável nas quatro cordas por também ser originariamente um guitarrista), o SY esbaldou-se nas melhores faixas de The Eternal. Trouxe para o palco do Playcenter “No Way”, “Sacred Trickster”, “Anti-Orgasm” logo no início (com o perdão do trocadilho com o nome do novo selo da banda, isso surpreendentemente matador!). Enquanto a chuva caía forte para aplacar o calor no Playcenter, salpicou lá pelo meio “Poison Arrow”, “Leaky Lifeboat” e “Antenna”, misturando com um ou outro resgate de antiguidades. Para o final, reservou o golpe de misericórdia: “Death Valley 69”, noise afiado lá do início da carreira, com direito a festival de microfonias na despedida dos músicos. Depois disso nem precisava mais ter qualquer expectativa de bis.
 






METRONOMY Adversário 1: a forte chuva que caiu depois de horas e horas d emuito calor. Adversário 2: o show impecável e absurdo do Sonic Youth, realizado simultaneamente no outro palco do festival. Mesmo em baita desvantagem, este trio inglês não esmoreceu. Acentuou o lado performático, com um monte de refletores pendurados nos copros dos instrumentistas. E também não fez feio musicalmente. Disparou batidas disco-punk, tecladinhos para lá de new wave, coros de vocais em falsete (seria a escola new rave do Klaxons?) e uma atmosfera pop que surpreendeu muita gente que conheceu o trabalho do Metronomy pelos remixes mais, digamos, “obtusos”. Resumindo, o suficiente para fazer quem ficou do outro lado do Playcenter dançar.




 


IGGY & THE STOOGES Poder assistir a um show de Iggy Pop é uma experiência e uma benção. Aos 62 anos de idade, ainda inteiraço e em plena forma (depois de todos os abusos e excessos nos quais ele já se meteu), o Camaleão retornou ao Brasil três anos depois com os Stooges para mais um show baseado no repertório dos velhos tempos. Com uma ligeira mudança na formação (que inclui agora um saxofonista e traz James WIlliamson, guitarrista dos tempos do disco Raw Power, substituindo Ron Asheton, falecido no início deste ano) e a mesma veia anárquica de sempre, Iggy é capaz de provocar catarse coletiva em gente de todas as idades e até mesmo gostos musicais. Ele subverte todas as regras de um festival de rock de grandes proporções: se atira no público várias vezes, pratica arremesso e chute à distância com os pedestais, coça o saco despudoradamente e ainda chama uma multidão para subir ao palco para desespero de todos os seguranças (muitos, depreparados para a função, agrediram público e fotógrafos devidamente credenciados). Isso sem falar no figurino habitual: apenas uma calça jeans bem colada ao corpo e de cintura tão baixa que deixa à mostra o cofrinho (aliás, o ídolo sexagenário exala e simula sexo sem parar em sua performance). Por causa da presença de WIlliamson, o foco do repertório aumenta para cima de Raw Power, mas ainda permanecem lá os principais clássicos dos discos anteriores quando a banda era apenas Stooges e E conforme o nível de tensão e excitação vai crescendo, o gozo explode no final com o uníssono de “I Wanna Be Your Dog”. Para o bis ainda têm reservadas “The Passenger” e “Lust For Life”, ambas da definitiva carreira solo engatada logo após Raw Power, quando David Bowie o salvou da sarjeta e revolucionou sua vida pessoal e profissional. Graças à ação de Bowie de três décadas atrás, todos nós podemos nos deliciar com Iggy Pop até hoje.


 




TING TINGS O que fazer quando a banda é catapultada ao estrelato logo no seu álbum de estréia e das dez faixas emplaca oito com singles de sucesso? O jeito é tocar ao vivo quase todo o arsenal que está no disco. Daí não tem erro, é hit atrás de hit, mesmo que a banda seja uma dupla e quase tudo – com exceção da bateria, algumas guitarras e dos vocais – venha de bases pré-gravadas. O que poderia soar frio, na mão do Ting Tings esquenta. E como. Em menos de uma hora, um míssil atrás do outro. Jules de Martino provava sua versatilidade (vocais, baixo, bateria e até mesmo como DJ, mixando as batidas de “Walk This Way” e “Ghostbusters” para emndar com o gran finale de “That’s Not My Name” (por sinal, este novo clássico do rock executada ao mesmo tempo em que Iggy e os Stooges mandavam no outro palco um velho clássico, “I Wanna Be Your Dog”). Katie White, por sua vez, combinava sensualidade e visceralidade, mostrando qe pode dançar e mandar ver na guitarra ao mesmo tempo. Muita gente ainda pode torcer o nariz para a dupla, mas o headliner do segunda palco do Planeta Terra já nasceu grande e vai crescer ainda mais.

 
N.A.S.A. Funk, disco, hip hop soul, eletro, rock. Bee Gees, Michael Jackson, Nirvana, Planet Hemp, Daft Punk, Beastie Boys, John Travolta, o filme Marte Ataca (de Tim Burton)... O caldeirão de sons e imagens é pilotado pelo sul-americano DJ Zegon (o mesmo Zé Gonzales dos tempos de Planet) e o norte-americano Sam Spiegel (a.k.a. Squeak E. Clean, também conhecido como o produtor do segundo álbum do Yeah Yeah Yeahs e o irmão do diretor de filmes e clipes Spike Jonze). Tem dançarinos, projeções em telão e MCs que ajudam a preencher o palco – ponto positivo para um show de música eletrônica e uma grandiosa carta na manga de dois competentes nomes das picapes e mixers. No fim de um festival extenso como o Planeta Terra, quem ainda tinha pernas pode se esbaldar.
 




 
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