Resenhas CDs: outubro 2009
Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 (20:35:43)
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ALICE IN CHAINS
Black Gives Way To Blue
(EMI)
Desde que Layne Staley foi encontrado morto em sua casa vítima de overdose muitos boatos surgiram sobre uma possível volta da banda. Este é o ponto final das especulações. Black Gives Way To Blue pode ser acusado de tudo mas nunca de não soar como Alice In Chains. A proposta da banda está mantida de cabo a rabo. Mas e o novo vocalista? William DuVall dá conta do recado. Embora pareça impossível, é uma covardia de grande quilate fazer comparações com Layne. Mesmo assim, William tenta manter o estilo do finado, e em alguns momentos nota-se clara semelhança. O primeiro single do disco, “A Looking In View”, engana os mais desavisados - que podem jurar estar ouvindo o vocalista original. Com o tradicional dueto vocal, a excelente “Check My Brain” dá provas exatas de que a essência do grupo continua forte. E se esse era o maior obstáculo do “novo” Alice in Chains – manter a essência –, então que venha o próximo disco. Bruno Eduardo

AMPLEXOS Amplexos (independente)
Esse grupo carioca faz um rock quase pop, quase anos 60. Parece que eles ouviram muito bandas como Secos e Molhados e toda a turma do neo tropicalismo. Uma boa jogada de vozes é a marca registrada de “Deixa Dizer”, uma das mais legais do CD. Mesmo que uma levada melancólica tome conta de “Falsa Valsa” tudo aqui funciona direitinho. Entre tantas boas tiradas, fico com o rock/jazz/samba de “Vê Ta Bom de Açúcar”. Bruno Eduardo myspace.com/amplexos

ARCO VOLTAICO Códice (Transfusão Noise Discos / Rapadura Discos)
Este é o primeiro EP desta banda carioca. Embora não conte com uma gravação de boa qualidade, o grupo traz um rock and roll garageiro de extrema vitalidade. “Ud45” é uma das boas músicas deste trabalho, com um bom riff e ritmo alucinante. Como o som da bateria (gravação) não ajuda tanto, é a guitarra que faz esse trabalho funcionar. E faz bem o papel. Destaque para o vocal displicente, mas funcional do grupo. Bruno Eduardo myspace.com/arcovoltaico7

ARCTIC MONKEYS Humbug (EMI)
Aquela banda que foi fenômeno de vendas em 2006 não existe mais. Soa como uma piora mas não. Humbug é nada mais, nada menos do que o Arctic Monkeys mais suave. E confiando mais em seus instintos musicais, eles fizeram um trabalho mais baseado em melodias do que na energia dos discos anteriores. O resultado são boas músicas como “Crying Lightning” ou “Dance Little Liar”; além de resquícios do disco anterior em “Pretty Visitors”. Mas os melhores momentos do AM são os que eles não tentam soar como AM. E isso dá novos atrativos a seu som. Talvez não venda tanto quanto os trabalhos anteriores, mas deixa evidente que o Arctic é uma banda que não atrofia. O que é pra lá de positivo. Bruno Eduardo

ARNALDO ANTUNES Iê Iê Iê (Rosa Celeste)
Muito legal esse disco novo do Arnaldo. Depois de passar um bom tempo buscando maior serenidade, principalmente nos dois últimos registros, Qualquer e Ao vivo no Estúdio, o ex-titã volta ao seu velho formato e reata com o rock. E é uma excelente volta ao habitat original. Como se não bastasse, vem muito bem acompanhado. Voltando a trabalhar com uma banda, ele agora conta em definitivo com Edgard Scandurra na guitarra, Betão Aguiar (baixo), Chico Salem (violão), Jeneci (teclado) e Curumim (bateria). O disco foi produzido por Fernando Catatau - guitarrista do Cidadão Instigado - e traz uma sonoridade mais acessível. Ouça “Envelhecer” ou “o Que Você Quiser”. Bruno Eduardo

AUTOBAMBA Autobamba (Autobamba Records)
O Autobamba mostra toda a influência de quem vive em grandes centros - stress, correria, barulho podem ser encontrados no pulsante som indie-eletro-rock misturando letras cantadas em português. Faixas como “Trilho do Metrô”, “Corre Que O Asfalto Te Espera” e “Chevy Chase” mostram um pouco desse clima, encontrado também nas faixas instrumentais, “Reversor”, “Cidade do Inferno” e “DC10 Rio x SP”. Adams Oliver myspace.com/autobamba

AUTOBAMBA Reversor (Autobamba Records)
Autobamba é um dos projetos de Alexandre “jonny” Patriarca (guitarra e eletrônica), que foi baterista da banda Classic Example nos anos 1990 em Nova York/EUA; a formação do trio paulistano de rock eletrônico conta ainda com as guitarras de Lucas Lavinas e o baixo de Altieres Frei. O EP “Reversor” mostra a faceta instrumental do disco homônimo da banda. Suas três faixas combinam de forma competente influências rock oriundas experimentações dos anos 80, vide New Order, com bases eletrônicas da escola feita pelo grupo alemão Kraftwerk. Adams Oliver myspace.com/autobamba

THE AUTOMATICS Post Fiction (Dia 32)
The Automatics poderia ser de Londres ou qualquer outra cidade bretã, mas, para nossa admiração, é de Natal (RN). A aproximação se dá na atmosfera soturna e introspectiva que dá a tônica de post_fiction, sexto disco desses potiguares, que vem imbuído de elementos indie-rock nas composições; melodias suaves e dedilhadas com vocais sussurrados inspirados em Jesus and Mary Chain, ao mesmo tempo em que flerta com o britpop. Destaques para as faixas “Apart”, “The Horizon”, “Bring You Back”, a enérgica “Hide” e a melódica “Antisolar”. Uma grande banda da inquieta cena nordestina, que continua pouco ouvida por todos nós, mas que tem muito a contribuir. Adams Oliver myspace.com/theautomaticsnatal

AVE NOTURNA Caminho Metálico (independente)
Heavy metal. Como a maioria das bandas do gênero, a influência da “Donzela de Ferro” fica evidente, tanto no som, quanto no tema abordado – “a ressurreição da lenda egípcia”. Precisa um pouco mais de capricho nos vocais e na gravação; aí, quem sabe, o objetivo seja alcançado com maior êxito. Bruno Eduardo http://www.myspace.com/avenoturna

BABY WOODROSE Baby Woodrose (Bad Afro) Lorenzo Woodrose está de volta com os dois pés fincados em suas raízes nesse novo disco do gigante rítmico, Baby Woodrose. Gravado quase que totalmente por Lorenzo - que comanda a maioria dos instrumentos -, o som se revela mais cru do que nos últimos trabalhos da banda, porém ainda é notável os traços de serviços bem prestados ao Setting Son, e principalmente à máquina ácida, Dragontears, caso das maravilhosas e flutuantes, Countdown to Breakdown e The Secret of Twisted Flower. O disco começa com o petardo “Fortune Teller”, cheia de fuzz e bem próximo dos primeiros registros do Baby Woodrose, com um riff de abertura familiar ao já mencionado Setting Son - principalmente pelos coros em falsete -, e pegada psych-garage, coisa fina. Seguem as deliciosas viagens sonoras com “Take It”, “Open Up Your Heart” e “Laughing Stock”. “Emily” conta a história de uma garota que não pertence a ninguém - solitária e livre -, bastante inspirada nas composições do Love de Arthur Lee, com belas harmonias vocais, guitarra acústica e a gaita bem colocada executada por Henrik Hall, ex- Love Shop. O disco todo é um agradável passeio por melodias lisérgicas e garageiras, sem se perder em extravagâncias de arranjos e músicas intermináveis. Quando se trata de Lorenzo Woodrose, não podemos esperar nada menos que uma excelente trilha sonora, seja para noites estreladas ou dias cinzentos. Rusty James myspace.com/babywoodrose

BILLY CHILDISH AND THE CHATHAM SINGERS Juju Claudius (Damaged Goods)
Billy
Childish de volta e muito bem acompanhado, revisitando clássicos de
algumas de suas maiores influências como Jimmy Reed, Slim Harpo e Hank
Williams. Rusty James myspace.com/thechathamsingers

BINARIO Binario (independente)
Grupo carioca que traz um som bem interessante neste EP. Aqui tem rock, psicodelia e um pé no vanguardismo além de flertar com todas as melhores influências do gênero. O Binario sabe usar os momentos nuance como poucos na atual cena. O pouco trabalho vocal não é problema, não mesmo! Em “Experimental N.15 Catnip” há até citações de uma letra “pagodeira”. Certamente um dos melhores trabalhos independentes que se poderia ter em 2009. Bruno Eduardo myspace.com/binario

BLACK DRAWING CHALKS Life is a big holiday for us (Monstro Discos)
Nos últimos anos, Goiânia sempre esteve na vanguarda rock’n’roll, subvertendo a lógica do eixo Rio/São Paulo, com seu circuito alternativo, seus festivais, e a poderosa Monstro Discos. É de lá que vem o Black Drawing, uma das bandas mais interessantes da cena independente nacional e uma das que recebeu toda essa carga cultural da cena goiana. Depois de estrear com o ótimo Big Deal (2007), este segundo álbum do quarteto Renato Cunha (guitarra e voz), Victor Rocha (guitarra e voz), Denis de Castro (baixo) e Douglas de Castro (baixo), mostra, com muito peso, riffs precisos, letras que misturam mulher e bebidas alcoólicas, que ao rock cabe o hedonismo que faz pensar a vida como um grande feriado - pra eles e pra nós também. Os destaques vão para o hit “My Favorite Way”, que virou um dos clipes feitos em animação mais bem produzidos e executados, “Leaving Home”, outra candidatíssima a hit da banda, “I’m a Beast, I’m a Gun”, “My Radio” e “Finding Another Road”, que já servem para definir esse disco como necessário. Não sairá tão cedo dos nossos players. Adams Oliver myspace.com/blackdrawingchalks

CAPITÃO COMETO E OS FORMIDÁVEIS LADRÕES DE PARAFINA DA TERRA DO NUNCA EXTREME The Colesterol Sessions (independente)
Que banda legal. Quando vi o enorme “título” do grupo pensei se tratar de algo irresponsável e despojado - e é isso mesmo! O Capitão Cometo e sua trupe de ladrões diverte do início ao fim. The Colesterol Sessions tem sons que trazem de volta a melhor fase do R.D.P. em “No Cuzinho”, até o rock meio garageiro / meio blues, da excelente “Trouble Girl”. O rock baiano está bem representado por esses caras. Melodias bem sacadas, e letras irreverentes fazem do Capitão Cometo um dos grandes nomes da cena. Indico desde já, “Patolei João” - eu não, eles. Bruno Eduardo myspace.com/capitaocometo

CARPETE FLORIDO Estelar (Transfusão Noise Records)
Carpete Florido traz uma sonoridade que lembra a fase mais “bossanova” do Pixies. Curiosamente, a primeira faixa me fez pensar em Ira! (boa fase), mas passou depressa. É a doçura o que reina neste EP, do qual destaco o momento mais diversificado - com violões e distorção -, de “Transparente”. Bruno Eduardo myspace.com/carpeteflorido

CIDADÃO INSTIGADO Uhuuu! (independente)
O Cidadão Instigado comprova toda a fama de “melhor banda independente da maioria” com esse novo disco. Ou pelo menos, fazem por merecer. Uhuuu é uma viagem por todas as direções do pop rock. No mínimo, soa agradável a qualquer ouvido. Boas melodias, letras interessantes, convenções bem feitas e muita originalidade. Para tudo isso funcionar, a banda conta com bons músicos, e ainda tem Arnaldo Antunes participando de algumas gravações, como em “Doido” – seria coincidência? Esse “cidadão” instiga o ouvinte desde a primeira e excelente faixa “O Nada” até o quase rock progressivo do disco “O Cabeção”. Não sei, mas cheira a disco nacional do ano. Alguém duvida? Por Bruno Eduardo

CLUBE DE PATIFES Com um Pouco Mais de Alma (independente)
Com um trabalho de extremo bom gosto e qualidade, a banda formada por Paulo de Tarso (bateria), Pablues (voz e gaita) e Jo Capone (baixo), já possui um bom fã clube – entre eles, a galera do Velhas Virgens. Não à toa. O Clube de Patifes sabe fazer música. E o melhor, com sentimento. A proposta do grupo é deixar o som rolar e animar os “patifes” da esquina do rock/blues. E conseguem o objetivo com tranqüilidade. Entre gaitas e pianos, a voz de Pablues se destaca em “Feira”. E haverá comparações na levada de “Big Town Blues” com Led Zeppelin – uma de suas influências. Mas o grande trunfo deste novo CD é a divertida “Buscando O Sol”, que bota pra dançar até aqueles mais tímidos. Com um Pouco Mais de Alma é um convite ao clube. Entre nessa - eu já entrei. Bruno Eduardo myspace.com/clubedepatifes

THE DEAD WEATHER Horehound (Third Man)
Embora esse disco já tenha vazado na internet bem antes do seu lançamento, ainda assim merece destaque. The Dead Weather é mais um projeto de Jack White – guitarrista e vocalista do White Stripes. Diferente dos outros trabalhos, aqui ele assume a bateria e se junta a Alison Mosshart (The Kills) nos vocais, e aos multi-instrumentistas Dean Fertita (Queens Of the Stone Age) e Jack Lawrence (The Raconteurs). A banda foi apresentada ao público na inauguração da gravadora Third Man Recordings, fundada por Jack White no início do ano. Diferente do rock característico das bandas “titulares” de seus integrantes, Horehound traz uma sonoridade baseada em um blues meio “down”. Mas não é só isso. The Dead Weather é reggae (“A Cut Like A Buffalo”), sombrio (“3 Birds”) e finalmente, rock (“Treat Me Like Your Mother”). Ou seja, não é para qualquer um. Bruno Eduardo

DESCRENTES Armagedon (independente)
O caos. Nada além do caos. Assim é Armagedon. Os Descrentes, valendo a força do nome e da velha forma punk de ser, fazem questão de não esconder nada de ruim que existe. Os sons permeiam entre um instrumental com uma técnica muito bacana e por algumas tosqueiras, com direito a backing vocals estridentes e desesperados. O vocal de João Rodolfo vez ou outra lembra o João Gordo, mas também mostra características próprias como em “O corpo” que junto com “Pé-de-boi” são as melhores do disco. A música que segue depois de “Vácuo” é uma boa trilha sonora para filmes de suspense. Dá impressão de que a qualquer momento levaremos um susto. Um bom disco punk com um pezinho lá no metal, que também pode ser baixado na página da banda. Márcio Sno myspace.com/descrentes

DESERTO LUNE Mapas planos e oceanos (Dia 32)
Deserto Lune é o projeto paralelo de Alexandre Alves, vocalista da banda The Automatics. Mapas Planos e Oceanos se mostra eficaz nas faixas cantadas em português, explorando caminhos que confluem para composições ricas em detalhes e letras mais intimistas que constroem o clima austero do álbum. Destaques para a bela “Mapas e Calendários”, que abre o álbum, “Todos os Planos” (caracterizada por uma slide guitar), não esquecendo da agradável “Sun of 95”. Adams Oliver myspace.com/desertolune

DISKERDA Guerra (independente)
Nesta primeira demo o Diskerda mostra que sabe dizer quando o assunto é nu-metal. Influência confessa da banda, o gênero é representado com total fidelidade e substância. Os berros de “Guerra” lembram, sim, Jonathan Davis, do Korn. O grupo ainda se arrisca em efeitos bem sacados na música “Nem Elas, Nem Eles”. Para quem ainda curte o estilo, pode vir sem medo. Os garotos entendem do assunto. Bruno Eduardo myspace.com/diskerda

DUAL TAPE Dual Tape (independente)
Rock alternativo muito bem feito pelo DT. Eles se apegam a bons acordes, gravação na média e um vocal bastante agradável. Com o uso maior de violões e um pé no folk rock, as faixas que contém um maior poder melódico acabam se destacando, caso de “Peanut Butter” e “Our Plan”. As influências de Wilco ficam explícitas em “All Over The Way”. O grupo paulista acerta em cheio na proposta e acaba realizando um bom trabalho. Bruno Eduardo myspace.com/dualtape

EAT MEAT AT THE PORK SHOP Eat Meat At The Pork Shop (independente)
Embora a gravação esteja “qualquer nota” dá para entender a proposta. A banda tem influências claras do punk nacional anos 80. Com letras que buscam a irreverência - recheadas de palavrões e vocais berrados -, o Eat Meat At The Pork Shop até que se arrisca em palmas em “A Culpa É Do Filho Do Valdir”. O grupo busca a diversão acima de tudo, deixando a desejar um pouco no capricho, mas acredito que eles não vão se importar muito com isso. Bruno Eduardo myspace.com/eatmeatattheporkshop

EFX LUNA No News, No Kills (Autobamba Records)
EFX Luna é o mais novo projeto de Alexandre “jonny” Patriarca. Em No News, No Kills, lançado em 2008, temos uma experimentação eletro ambientada em bases indie-rock com uma forte presença de vocais austeros e marcantes nas faixas cantadas (como “Cats“ e “Lonely”, além da romântica “Lover”), alternando faixas instrumentais de grande ousadia técnica dignas dos bons filmes de ficção científica, como na faixa que dá nome ao álbum, “You & I”, “The Word is Love” e a sombria “After Mars”. Essa faceta do multiprojetos Patriarca é reflexo de sua originalidade; sempre se reinventando, procurando juntar elementos, combinando-os. Uma grande banda para fãs do gênero eletro-rock. Adams Oliver autobamba@uol.com.br

EFX LUNA Hubrys (Autobamba Records)
Coletânea de sons gravados pelo EFX Luna produzidos durante os anos de 2003 a 2006. Diferente de No News, No Kills, de forte cunho conceitual e experimental, suas doze faixas trazem elementos com influências trance, aliando e combinando várias técnicas de mixagem que resultam numa ambientação propícia para a discotecagem e com certeza fará das pistas um grande laboratório dançante com essa proposta de música ambiente. Destaques para as faixas “Obscene”, que abre a coletânea, “xa2”, a tensa e obscura “Politics”, e as frenéticas “Bebe” e “Locky”. É pra curtir. Adams Oliver autobamba@uol.com.br

FILHOS DO TOTEM Ressurge Nervoso (independente)
Rock alternativo com tendências comerciais. Seguindo uma linha que deu certo para o mercado - com bandas tipo Charlie Brown Jr e Detonautas -, o grupo tenta manter a fórmula guitarras+vocais despojados+bateria oscilante. E acaba alcançando o objetivo sem precisar de muito esforço. Bruno Eduardo myspace.com/filhosdototem

FLAMING LIPS Embryonic (Warner Bros.)
Antes mesmo de lançar esse trabalho de forma integral, o Flaming Lips soltou no início do ano um EP contendo uma prévia do disco com tres faixas. Embryonic é um CD duplo que contém todo o experimentalismo desenfreado, futurista e ousado que eles carregam nas costas. Toda a excentricidade do grupo de Wayne Coyne e cia. aparece em alta voltagem, desde os efeitos avant-gard de “Aquarious Sabotage” até imitações de animais, na simpática “I Can Be A Frog”. “The Impulse” – que estava no EP anterior – traz um belo som de baixo e teclado, acompanhado por um efeito de terra sendo jogada e um vocal de “mosquito” (!?). Precisa dizer mais alguma coisa? Isso é Flaming Lips! Bruno Eduardo

FUAD AND THE FEZTONES Beeramid (Ricochet Sound) Belo
trabalho realizado pelos faraônicos Fuad and The Feztones em seu disco
de estréia, misturando o frat rock de Sam The Sham and The Pharaohs, o
soul instrumental de Booker T., e as boas inspirações garageiras dos
anos 60. Formado pelos Gruesomes Bobby Beaton e John Davis, mais os
rockers Tip Hazard e Lew Dacts, dos Stills, os Feztones são excelentes
em criar uma atmosfera de bailinho enfumaçado e danças frenéticas,
usando toda a criatividade em temas instrumentais muito bem
construidos, e outros com vocais bem colocados, suportados por backings
de primeira, e um saxofone que deixa tudo muito mais divertido. Vinte
faixas, incluindo o EP lançado em 2002, In The Valley of The Kings,
fazem qualquer múmia sair da tumba e cair na dança. Rusty James myspace/fuadandthefeztones

FUJIMO Look Feel Love (Transfusão Noise)
Fujimo, “foge” – com o perdão do trocadilho – da monotonia que se instala na música atual. Em Look Feel Love, o abuso de elementos eletrônicos é lei a ser quebrada. Mas para quem não sabe aqui também tem guitarra. Não é apenas uma viagem de samples e ruídos experimentais como poderiam imaginar os tradicionalistas de plantão. E tem letras legais também! Como a interessante e pop (?), “Homem Chuva”. Progressivices eletrônicas em “Fudeu” é um dos bons caminhos seguidos pelo Fujimo. Recomendado para os “pirados” em ruídos novos. Bruno Eduardo myspace.com/transfusaonoiserecords

GREENSLEEVES The Elephant Truth (independente)
O grupo definiu The Elephant Truth como um disco conceitual. Destaque para a arte do CD, que tenta explicar a lenda que deu nome ao trabalho. Mas vamos ao que interessa – a música. Com uma boa gravação, as guitarras se destacam pela boa sonoridade e composições certeiras. Em alguns momentos, o vocal lembra muito Bruce Dickinson – exagerando um pouco – o que dá mais atrativos ao som do Greensleeves. O maior destaque deste trabalho é a pesada – e bem costurada -, “Fight My Fear”. Para banger nenhum botar defeito. Bruno Eduardo

THE GRUESOMES Tyrants of Teen Trash (Ricochet Sound) Originalmente
lançado em 1986, o disco de estréia dos reis do garage punk canadense
Gruesomes, é finalmente editado em formato digital via Ricochet Sound,
que vem relançando todos os discos da banda. Nesse trabalho inicial a
banda de Bobby Beaton, Gerry Alvarez, e os irmãos John e Eric Davis,
abusam do fuzz e vocais anasalados, com um repertório digno de qualquer
trilha sonora de filmes de horror classe B dos anos 60. A gravação não
é das piores, mas está longe de fazer parte das melhores produções da
banda. Destaque para as versões demolidoras de “Jack The Ripper”
(Screamin' Lord Such), “Unchain My Heart” (Bobby Sharp) - hit famoso na
voz de Ray Charles em 1961, gravado também pelos Rivingtons, Trini
Lopez, e mais conhecida na voz de Joe Cocker -, e “The Witch”, clássico
garageiro dos Sonics. Diversão garantida. Rusty James myspace/thegruesomes

THE GRUESOMES Gruesomania (Ricochet Sound) Nítida
evolução no som dos cabeludos horripilantes Gruesomes nesse segundo
petardo gravado em 1987, e lançado agora em CD pelas mãos da Ricochet
Sound. O time é o mesmo que havia gravado o anterior, Tyrants of Teen
Trash, com excessão do baterista John Knoll, que aqui substitui Eric
Davis - tosco demais até para os Gruesomes. A entrada de Knoll injetou
sangue novo nas composições, mais elaboradas e melhor arranjadas, sem
perder o frescor da idéia original de fazer garage punk primitivo,
fundindo os Sonics e os Early Stones com os Ramones, resultando em um
Frankenstein garageiro indicado para qualquer apreciador do rock'n'roll
em estado bruto. Aumente o volume para “Way Down Below”, “Time's Gonna
Come” e “Heartfull of Pain”, e tente não se descabelar. Rusty James myspace/thegruesomes

A INIMITÁVEL FÁBRICA DE JIPES O Dia Em Que Seremos Todos Felizes (independente)
Quando se ouve a primeira faixa, “Água”, parece ser fácil definir o som da banda com um Skank – fase Cosmotron. Mas em seguida, guitarras mais pesadas parecem transportar o grupo para um rock mais hard. Se a gravação pudesse ter sido um pouco mais caprichada nos pratos e nas guitarras-base (principalmente), o resultado poderia ter sido acima da média. Mas como as coisas nunca são como queremos, então o que nos resta é preparar esse bolo com o que temos. No final das contas, até que os paranaenses conseguem dar o seu recado. Bruno Eduardo myspace.com/inimitavel

INVASORES DE CÉREBROS O Cérebro É Uma Bomba Relógio, O Cérebro É O Apocalipse
O
velho punk rock continua mais vivo que nunca nas veias dos meninos
paulistas, e mais forte ainda nas do veterano Ariel, um dos fundadores
do punk no Brasil e vocalista do Invasores. É curioso como eles mantém
o punk tanto nas letras como no som. Dá impressão que ficaram ali nos
anos 80 e apenas melhoram a qualidade dos instrumentos e equipamentos
de gravação. Isso seria um retrocesso? Não, eles querem mostrar que
desde aquela época pouco mudou, que foi produzida muita coisa boa nessa
época e que são mantidas até hoje. O som é um punk rock rápido,
naqueles acordes básicos, mas muito bem tocados. Não é chover no
molhado, mas dá vontade de sair pogando, gritando refrões “Não, eu não
me arrependo, não!” ou “Avante, avante! Subcomandante!” Preste atenção
à faixa “111 Escombros”, pois a narração em forma de reportagem remete
às cenas do Massacre do Carandiru. Tudo ia bem até a faixa “A Mulher Do
Presidente”, que parece ser tocada e cantada pelo Camisa de Vênus. A
música é boa, mas a letra... Mas calma. As demais músicas compensam
esse tropeço! Um disco que além de ser um ótimo lançamento, serve como
referência e reverência. Márcio Sno myspace.com/invasoresdecerebros

JET Shaka Rock (EMI)
O Jet já tem praticamente dez anos de estrada. Após o estouro de Get Born e seu super hit “Are You Gonna Be My Girl” em 2003, eles praticamente passaram batido com seu segundo álbum – Shine On (2006) – e caíram no esquecimento do grande público. A grande repercussão, logo no disco de estréia, acabou causando a tão famosa - e inevitável - expectativa para uma repetição da formula. Que definitivamente não aconteceu. De forma despretensiosa chega ao mercado Shaka Rock. Um disco que não é o estouro de Get Born, mas uma boa opção para quem curte um rock and roll clássico. Você pode conferir o rock básico que revelou o grupo em “She’s A Genius” ou “Walk”. E pode até acabar gostando do resultado final. Ouça sem grandes expectativas. Talvez funcione. Bruno Eduardo

JUMBO ELEKTRO Terrorist!? The Last album (independente)
O Jumbo Elektro é uma mistura de gás, inspiração e modernidade. Terrorist é uma salada inusitada entre o rock, a eletrônica e os “beep-boops”. Contando com títulos de músicas bem interessantes como “Dylan Sing Bowie”, eles colocam o rock na pista de dança em “Japoteca” - uma excitante opção para os “baladeiros”. Com uma proposta muito bem definida e original, o grupo mostra que sabe usar os teclados e os backings a seu favor. E o que dizer do multiprocessador musical que é “I Wanna Fuck”? Com todos os ingredientes necessários para fazer a “discoteca”, o Jumbo abusa dos sintetizadores e dos vocais “robô”. Se Terrorist é mesmo o “The Last Album” deles, fecham a porteira com chave de ouro. Bruno Eduardo myspace.com/jumboelektro

KASSYUS CLAY Kassys Clay (Transfusão Noise Records)
Bom trabalho deste Kassyus Clay. Com um rock alternativo de primeira qualidade, há muita energia e boas letras. O vocal também não deixa a desejar e se encaixa como uma luva na sonoridade da banda. Em um trabalho muito bem gravado, fica clara a criatividade do grupo numa proposta que é difícil de rotular. Bruno Eduardo myspace.com/kassyusklay

KISS Sonic Boom (Conway Recording Studios)
Mega aguardado pelos fãs, este novo trabalho do Kiss faz jus à ansiedade de sua legião – uma das mais fiéis do rock. Sonic Boom é uma bolacha dinâmica, com muita energia e esforço em fazer um rock viril. A locomotiva vem a toda, na faixa “Modern Day Delilah”, escolhida como single para o disco. Este também é o primeiro registro com a formação atual, com Tommy Thayer na guitarra. Com Paul Stanley ditando a produção, o álbum é uma porrada crua no pé do ouvido. Sem baladas (que marcaram uma época do grupo), ou qualquer outro elemento não-rock, o trabalho é resumido na raiz do hard e na essência do grupo. A maior prova dessa rejuvenescida do Kiss é a faixa cantada por Gene Simons, com o título singelo de “I’m Animal”. É, o Kiss voltou. Bruno Eduardo

LAST WARNING Throughtout Time (My Kingdom Music)
Heavy metal de qualidade é o que apresenta o Last Warning. Com uma boa junção de riffs de guitarra, vocais afinados e um teclado presente, a banda não deve nada aos maiores nomes do gênero. A boa jogada de convenções, e um riff matador de guitarra-teclado introduzem “The Higher” como uma das mais fortes músicas deste Throughtout Time. Aliás, o disco é indicadíssimo para os bangers. Pode figurar fácil entre os melhores do ano na categoria. Quem curte o estilo, pode vir sem risco. Bruno Eduardo www.last-warning.com

LÊ ALMEIDA Revi (Transfusão Noise Records / Midsummer Madness)
“Uma canção para Beto Guedes” abre o trabalho com um rock muito bem feito e com algumas influências de psicodelia pop eletrônica. Já a segunda música – e minha predileta – “Nunca Nunca”, parece um mix de Breeders com rock nacional da década passada. Embora com uma sonoridade sem muitos rodeios, Revi se desenrola como um trabalho que prima pela proposta bem executada. Bruno Eduardo myspace.com/lealmeida

LEIS DO AVESSO O Que Há Embaixo do Chão Que Você Pisa (independente)
Embora a Lei do Avesso seja uma banda, o CD O Que Há Embaixo do Chão Que Você Pisa – que chama a atenção pelo enorme título – foi praticamente gerado por uma pessoa só: o vocalista Leonardo Scholz. Ele conta no release que, após estar com o bolo pronto, convidou o resto da banda a executar o trabalho. Pois bem, Leis do Avesso traz um pop rock “raiz”. É um disco que você pode levar para ouvir no trabalho, sem incomodar o chefe. Embora o estilo esteja desgastado, o grupo curitibano aposta suas fichas nessa proposta com letras de fácil discernimento e muita vontade de ser feliz. Bruno Eduardo myspace.com/leisdoavesso

O LENDÁRIO CHUCROBILLYMAN Chicken Album (Fon-fon Records)
O
Lendário Chucrobillyman é o que se pode chamar de big band de um homem
só. De instrumento convencional, somente a viola caipira. O restante
são improvisos com sucatas e coisas de sua casa (ou rancho?). O que sai
disso tudo é uma sonoridade criativa (e engraçada) que passeia pelo
folk, blues e rock’n’roll. O curioso é que em cada faixa aparecem sons
de galinha extraídos dos diversos instrumentos do luthier. É o que ele
convencionou de “estilo da galinha”. Ele ainda faz uma versão de
“Estrada da Vida”, imortalizada na por Milionário e José Rico, um dos
clássicos da música caipira. O resultado é um disco divertido e bom
para se ouvir. Ai, se todo caipira fosse assim... Márcio Sno myspace.com/chucrobillyman

LÍTERA Um Pouco de Cada Dia (independente)
Guardadas as devidas proporções, ao ouvir os acordes de “La Se Foi”, veio logo à mente o clássico do Nirvana “Smells Like Teen Spirit”. Mas o grunge está um pouco longe do Lítera. Eles são um grupo de indie rock com um pezinho no pop – poderia até dizer os dois. Mas o peso de “18 e 23” coloca a banda a cair no rock, e com isso, faz-se a faixa mais forte deste CD. As letras falam de relacionamentos e de esperança em estar bem com o próximo. E o grupo pode dizer que está bem com a música também. Bruno Eduardo myspace.com/literarock

LIVING COLOUR The Chair in The Doorway (Megaforce Records)
O Living Colour veio ao Brasil este mês para uma mini-turnê. Então, nada melhor do que um disco novo para divulgar. Ainda mais tratando-se de um bom disco. A banda estava há cinco anos sem gravar material novo – desde o fraco Colleidoscope -, e recupera o tempo perdido em The Chair in The Doorway. Aqui está uma das maiores características do grupo: a busca pela originalidade. Nem sempre se chega ao que se quer, mas o Living Colour prima pela perseverança. E com isso nos vemos diante de uma mistura total de elementos. Aqui temos o hard rock costumeiro, mesclado a fórmulas eletrônicas, beats, reggae etc. Com um pouco de exagero, The Chair In The Doorway lembra NIN ("The Chair"), Alice In Chains ("Decadence") e até o próprio Living Colour ("Out Of Mind"). É um disco sem pé nem cabeça, mas que ainda assim, soa harmonioso. Já tem gente falando em disco do ano. Vamos com calma, é apenas mais um disco do Living Colour. E isso já é o suficiente. Bruno Eduardo

THE LOVE ME NOTS Upsidedown Insideout (Atomic A Go Go Records) A
fórmula ainda é a mesma, garage rock'n'roll explosivo, com toques
geniais de trilhas sonoras de spy-movies da década de 60, pegada punk
combinada com a sutileza das divas da motown, tudo isso devidamente
misturado resulta na música que os Love Me Nots produzem nesse
excelente Upsidedown Insideout, o terceiro da banda, produzido por Jim
Diamond, considerado como uma lenda viva de Detroit, responsável por
bons trabalhos com os White Stripes, Von Bondies e membro/produtor dos
Dirtbombs. Nicole Laurenne comanda a festa com sua voz mesclando
momentos de pura doçura -envenenada com uivos aveludados, como na
acelerada “Not That Kinda Girl” e na balada sangrenta, “Undone”, com
todo o charme característico da moça que também é responsável pelo
órgão do Love Me Nots. Nicole juntamente com o guitarrista Michael
Johnny Walker são os remanescentes da formação original, a baixista
Kyle Rose Stokes e o competente baterista Bob Hoag completam a formação
atual. Upsidedown Insideout chega no momento certo para os Love Me
Nots se fixarem como uma das bandas mais quentes do atual cenário
garage rock, sem saudosismo ou outros truques da moda, só a paixão e
tesão para manter o rock'n'roll no lugar que merece. Rusty James myspace.com/luvmenots

LOVNI Cinema Americano (independente)
Muito boa a
mistura que faz o Lovni. Este trabalho traz um rock alternativo com
alta dose de eletro-psicodelia. Batidas marca-passo e um ritmo rock
and roll anos 80, é o ponto de partida de “Chavão”, que se desdobra em
bons fraseados e letra irada. A fase cinematográfica do trabalho está
representada na faixa-título, que possui uma boa jogada de
baixo-guitarra. Em suma, o disco retrata um belo namoro entre as
guitarras e o sintetizador, com letras “cabeça”. Bruno Eduardo myspace.com/lovni

LUMIÉRE (independente)
A proposta do grupo é fazer algo criativo. Para isso, eles se apegam ao rock+eletrônica que marcou bandas como Astronautas, por exemplo, prova disso é a viagem “Nove”, recheada de batidas e vocal arrastado. Em “Hora de Sair” temos uma guitarra inicial que parece extraída do grunge, no seu ocaso. O grupo está no caminho certo. Só um conselho: um pouco mais de zelo nas melodias vocais e uma mixagem mais caprichada poderão servir como um bom atalho. Bruno Eduardo myspace.com/lumiere.musica

MANFRED Manfred (independente)
Com uma belíssima gravação, o Manfred não precisa de muito esforço para fazer um trabalho no mínimo agradável. Boas melodias, violões bem encaixados e letras acessíveis, um bom pop rock nacional. A levada de “Me Espera” é a exceção, um rock mais veloz. Bela proposta, de personalidade e, o melhor, bem executada. Destaque também para a bonita capa do disco. Bruno Eduardo http://manfredbrasil.wordpress.com/

MÃO DE OITO Vim EP (independente)
“Vim EP” é fruto de muito trabalho desses paulistanos da Mão de Oito. O sexteto mostra com propriedade como se faz um som com timbres influenciados por diversos nomes nacionais como Jorge Ben e Tim Maia, além de absorver tantas outras gamas sonoras do soul-funk-rock até chegar à construção de cada melodia, combinando e organizando arranjos. O equilíbrio dessa mistura pop é alcançado em bons momentos como na poética “Esquenta” e na inteligente “Eu sou”. Boa banda. Adams Oliver myspace.com/maodeoito

THE MARS VOLTA Octahedron (Universal)
A declaração da banda afirmando que o disco poderia ser algo mais “leve” não agradou a 100% dos fãs. Não é de hoje que a banda vem suavizando a sua pegada. Mas Octahedron não flerta apenas com uma sonoridade mais densa. Ele se assume. Estará enganado quem tirar conclusões precipitadas por isso. Embora menos sedento por revolucionar o mundo musical, Octahedron é um excelente disco. Tirando a excelente “Cotopaxi”, o resto do trabalho é diferente de tudo o que o Mars Volta pode chamar de “seu som clássico”. Até a também pesada “Desperate Graves” possui uma nova roupagem musical, com teclados mais certeiros e interpretação idem. O que evidencia uma proposta - muito bem executada por sinal – diferente, mas ainda assim, progressiva. Octahedron é dominado por faixas de pura sensibilidade melódica. E isso eleva a capacidade de Cedric Bixler. O vocalista leva o disco de forma brilhante, com boa interpretação e tons variados. Quem duvidar pode começar pela primeira faixa, “Since We’ve Been Wrong”. Recomendo. Bruno Eduardo

MONAURAL Expurgo (independente)
Ao dar uma
passeada pelo myspace do grupo, encontra-se a frase: “Tudo se restringe
a som e fúria”. Nem tudo. Aqui tem guitarras bem trabalhadas e muita
diversão. O som do grupo é rock de garagem dinâmico e bem costurado.
Entre a boa injeção hard de “Discórdia” e o stoner rock com espírito
punk de “Mundinho de Merda”, há altas doses de entretenimento
qualificado. Recomendadíssimo. Bruno Eduardo myspace.com/monaural

THE MOVEMENTS The World, The Flesh and The Devil (independente)
O movimento é continuo. The World, the Flash and the Devil é tudo que o título sugere. Sem exageros. Desde os backings vocais do iê iê iê à fúria de um Nirvana. E, sim, há muita energia. Há também teclados preeminentes e boas convenções. The Movements traz um rock qualificado para mexer com as tribos. Destaque para a excelente “Misunderstood”, com as clássicas “paradinhas”. Acabou? Não. Ainda tem muito noise em “Grains Of Oats” – com um final bem bolado -, e um coralzinho animado em “Tranquilizing View”. Ótimo trabalho. Bruno Eduardo myspace/themovements

MUSE The Resistence (Warner)
Super aguardado pelos fãs de rock alternativo, The Resistence pode enganar os apressadinhos. Se em Black Holes & Revelations a banda dividiu opiniões, agora deve rolar repeteco - em maior dose. De cara, “Uprising” – que foi liberada na internet pela banda – mostra um som enérgico, com uma batida e guitarra marcantes, palmas e um teclado proeminente, convence na primeira audição. E se você esperava a manutenção da fórmula até o fim do disco, cuidado. The Resistence se transforma numa coletânea de músicas ora eletrônicas, ora techno, ora r&b. A banda volta a acertar em cheio na sequência “Exogenesis: Symphony (Part I,II E III)” e finaliza o disco de forma positiva. Bruno Eduardo

NANCY ELIZABETH Preorder Wrought Iron (The Leaf Label)
Um lindo piano abre esse bom trabalho da cantora Nancy Elizabeth. Embora tenha doses de romantismo em algumas letras e sonoridades ocultas, a britânica bebe doses cavalares de influências “björknianas”, evidente na folk-eletrônica “Feet Of Courage”, com muitas vocalizações e boa letra. Se uma parte do disco tem as melodias experimentais, o outro caminho é percorrido por violões, percussão e diversos elementos que dariam certo em um disco do Radiohead. Temos de concordar que, na atual proposta, esse disco está acima da média dos últimos lançamentos do gênero. Só não me pergunte qual. Bruno Eduardo myspace.com/nancyelizabethcunliffe

NASTRADA Direito de Sonhar (independente)
Rock
nacional com letras do cotidiano social. A banda consegue mesclar bem,
o peso do rock com melodias mais pop. O bom vocal de Humberto Alonso
ganha destaque em faixas como “Destino” e na faixa-título. O som dos
caras lembra muito Barão Vermelho (com Frejat nos vocais), e tem
qualidade inquestionável. Niterói está muito bem representado aqui.
Bruno Eduardo myspace.com/nastrada

PITTY Chiaroscuro (Deckdisk)
Chega um ponto em que você ama ou odeia um artista de tão previsível que ele se torna. Com Pitty não foi diferente. Ela apareceu como a grande novidade do mercado no início da década com Admirável Chip Novo, e após o fraco e repetido Anacrônico, já lançou um disco ao vivo, dando a clara impressão de pá de cal na trajetoria. Quem não tinha mais o que esperar da baiana pode se render ao novo disco. Independente de gostar ou não, há que se admitir: Chiaroscuro é uma rasteira na carreira óbvia da artista. “Me Adora”, música que já invadiu as rádios, embora fortemente comercial, não dá a pista do disco. Curiosamente o melhor do álbum está em faixas como o tango-rock de “Água Contida” ou a tranqüila “Só Agora”. Quem preferir a “velha” Pitty pode passar por “Fracasso” ou “Medo”. Vai ter fã reclamando. Mas vai surpreender muita gente também. Bruno Eduardo

THE PUSSYBATS Famous Last Songs (Black Rain Records)
Banda
alemã que traz um prog-rock bem conduzido. Com uma essência mais hard
rock do que o gênero se propõe, há também teclados que lembram o
pós-punk dos anos 80. Nesse disco em questão, o grupo se baseia de
forma calculada nos duetos vocais e acerta em cheio. Uma das boas
surpresas do disco é “Your Woman” - um rock original com forte senso
comercial. Muito bom trabalho. Bruno Eduardo myspace.com/thepussybats

THE RAVES The Invisible Sights Of a New Place (independente)
Banda gaúcha que traz um indie rock muito bem feito. Eles fazem questão de afirmar em seu release que o CD foi gravado sem nenhuma ajuda de custo, o que valoriza ainda mais a palavra “independente”. Com a puxada elétrica de “Carolline” ou na levada mais tranqüila da faixa-título – que inclui até um solo de violino -, tudo é feito com muito capricho e bom gosto. Se a banda é o que podemos chamar de independente, então a cena está muito bem representada. Bruno Eduardo myspace.com/theravesrock

REVEL O Ano da Colheita (Sound System Brazil)
Nu-metal
bem intencionado e com muita qualidade. O grupo usa muito bem os
artifícios (afinação, peso e efeitos de guitarra) peculiares do estilo
para conseguir alcançar um resultado positivo. As letras cuidam de
questões sociais, e acabam casando de forma eficaz com a sonoridade
escolhida. Entre muito peso e protesto, sobressai “Colheita” e
“Colisão”. Bruno Eduardo myspace.com/oanodacolheita

THE RIPPERS Why should I care about you? (Slovenly Recs)
Como
um caminhão desgovernado carregado de navalhas esses estripadores
italianos expelem seu novo disco - e já avisam que não se importam com
ninguém. O compromisso aqui é somente com a música urgente oriunda das
garagens enfumaçadas dos anos 60, num clima Punk as Fuck. Se lembra
dos Makers nos primeiros anos? Pois bem, você está no caminho certo -
doze machadadas em pouco mais de trinta minutos, Jack aprovaria. Rusty
James myspace/therippersinaction

SEKS COLLIN Reflexo da Noite (F-Records)
Estetica e musicalmente o Seks Collin consegue fazer com que o álbum Reflexo da Noite seja atraente para os adolescentes. Seu tom moderado mistura estilos e letras que dialogam com sucesso com o cotidiano jovem, e de quebra, soam bem aos ouvidos radiofônicos. Faixas como "Tudo Tem Seu Tempo", "Uma Razão Para Ser Melhor", e o hit “Sem Mais Desculpas”, mostram a vocação pop da banda, que se sobressai também com os bons duetos entre os vocalistas Beto Collin e Thais Hoecker. Adams Oliver myspace.com/sekscollin

SKAMARADAS TRIO Skamaradas Trio (independente)
Molecada animada essa do Skamaradas Trio. Eles adoram uma curtição - “Eu Não Sei Cantar” - e um barulho - “Eu Nunca Fui A Uma Festa Punk”. Levados por um som à Raimundos com letras remetentes ao finado Baba Cósmica, essa gurizada não perdeu tempo com a primeira demo. São dez faixas com muito ska-punk e letras bem-humoradas, embora deslocadas. Tirando alguns ajustes necessarios, o que vale aqui é a vontade de se divertir e também (por que não?) divertir a vizinhança. Bruno Eduardo myspace.com/skamaradas3

SKEWER Times Patience And Hopes (independente)
Skewer é uma banda lusitana que faz um rock poderoso. Com uma gravação excelente, Times Patience and Hopes é um disco que poderia ter sido lançado no auge dos anos 90. Ele tem toda a pegada da galera de Seattle, e agita do início ao fim. Contando com algumas participações (os caras do Nine Black Alps e a artista conterrânea Ana Malhoa), o grupo cometeu um dos melhores discos de rock de uma banda portuguesa que pude ouvir em 2009. Bruno Eduardo myspace.com/skewerband

STEREOLOGICA Stereologica EP (independente)
Stereologica é uma banda que pode ser colocada entre os post moderns sem se preocupar com erros quanto à vertente musical pretendida. Ao longo das cinco faixas do EP, suas influências passam “do punk ao progressivo, ao eletrônico, à música brasileira, ao indie” criando um mix que bem representa o continuo movimento do rock em reinventar-se, experimentando, mesclando. Os responsáveis por essa sonoridade diversificada são os niteroienses Mari B. e Roberto Moura, que dividem vocais, guitarras e programações, além da produção e composição das faixas. Destaques para a punk “Você e Eu”, a pumpkiniana “Insula” (que mostra a boa influência indie da banda), e a eletrônica e dançante “A Valsa e o Caos”. Boa aposta. Adams Oliver myspace.com/stereologica

THE TANGERINE POETREES The Second Album (independente)
Rock sem muitos rodeios é o que apresenta o The Tangerine Poetrees nesse segundo trabalho independente. Com uma sonoridade calcada no rock setentista, fica evidente a influência mor de Beatles e afins. Embora a faixa de abertura “Don’t Take Your Eye Off Me” traga uma boa dose de guitarras hard, com dobras e bateria nervosa, o que vem a seguir é um desfecho mais tranqüilo, com violões, violinos e palmas. A proposta é atingida com sucesso. Bruno Eduardo myspace.com/tangerinepoetrees

TRAP Buy (Autobamba Records)
A trajetória da banda se confunde com a presença de Alexandre “jonny” Patriarca na cena independente nos anos 90. No Trap, Patriarca lançou três discos (entre eles, Buy, lançado nos EUA pelo selo J-Bird Records em 1998), e mostra um de seus grandes momentos com um som mais indie-rock do que seus atuais projetos, EFX Lune e Autobamba, não menos interessantes, por sinal. O Trap foi a base para buscar novas experimentações que desembocaram no clima mais eletro dos novos projetos. Buy traz faixas como “Brave”, “It’s Ok To Die”, “Plastic”, “FDP” além de “Go Baby Grow“, que dão a tônica desse percurso musical. Adams Oliver autobamba@uol.com.br

TRAP Réquiem (Autobamba Records)
Coletânea que reúne dezesseis músicas lançadas pela Trap, retiradas de três álbuns independentes gravados pela banda durante os anos 90, um resgate da história dessa sonora banda indie-rock capitaneada por Alexandre “jonny” Patriarca. Destaque para as músicas já encontradas no álbum Buy e para as faixas “Jazzy Fantasy”, “Spiritual Sky” e “Acid Stream”. Adams Oliver autobamba@uol.com.br

THE WOLFMEN Modernity Killed Every Night (Damaged Goods) A formação do Wolfmen marca um reencontro, pelo menos de influências, da dupla Marco Pirroni e Chris Constantinou: ambos tiveram contato com Adam Ant (músico inglês líder da banda Adam & The Ants entre 1977 a 1982). Esse debut absorveu toda a efervescente transição entre o punk britânico do final dos anos setenta para a proposta pós-punk/new wave da época. Modernity Killed Every Night traz uma atmosfera densa e ao mesmo tempo envolvente vista nos vocais de Constantinou aliados à criatividade de Pirroni nas guitarras. O álbum abre com a faixa “Needle In The Camel’s Eye”, cover de Brian Eno, e tem grandes momentos em faixas que de cara já são hits, natos, como “Jackie Says”, “Cecilie”, “Better Days” além de “Buzz Me Kate”. Uma banda que debuta assim, com certeza, tem longa vida. Adams Oliver myspace.com/thewolfmen

VALIUM Antisocial (independente)
Antisocial é nada mais nada menos do que convite a roda de pogo, é vontade de fazer barulho. Os caras não medem esforços para conseguir atingir o ódio. Levados por um som que remete aos primórdios de João Gordo, ou em convenções típicas de um Megadeth na incubadora, o âmago é o noise. Recomendado para ouvidos fortes. Bruno Eduardo myspace.com/valiumhc

VÁRIOS Natal Rocks (Dia 32)
A coletânea Natal Rocks conta com duas músicas de cada um dos cinco grupos, capitaneada por duas reconhecidas bandas do circuito potiguar, The Automatics, indie-rock de atmosfera sóbria com as faixas “Hide” e “Bring you Back”, e Montgomery, com as músicas “Alguém Que Lhe Faça Ver Melhor” e “Fugas e Lamentos” com suas existenciais e reflexivas letras; Deserto Lune, o projeto paralelo de Alexandre Alves (The Automatics), com as belas “Mapas e calendários” e “Todos os Planos”, frutos de sua busca por novas veredas musicais; a novata Lunares, com as influências britpop das faixas “Ofendículos” e “O Feto”, e, por fim, a extinta Bandini, com grande energia pós-punk de atmosfera sombria, que tinha muito a acrescentar ao rock independente. Natal Rocks serve de ensejo para saber o que se passa próximo de todos nós e muitas vezes se perde. Adams Oliver dia.32@hotmail.com

WAU Y LOS ARRRGHS Viven!!! (Slovenly Recs)
Garage
punk da melhor e mais podre qualidade, considerada por muitos como a
melhor banda do estilo na Espanha. Nesse segundo álbum dos caras,
farfisa, fuzz, bateria tribal e um vocal que parece fazer gargarejo com
acetona pela manhã - coisa fina, enfim. Rusty James myspace.com/wauylosarrrghs

ZUMBI DO MATO Toma, Figurão (independente)
Quisera
que todas as bandas canalhas tivessem a mesma cara-de-pau do Zumbi do
Mato! Mas que cara-de-pau? De fazerem um som altamente desordenado,
letras politicamente e moralmente incorretas, vocal hiper desafinado e
assumirem isso sem medo de ser felizes. O que esperar de uma banda que
tem influências que vão desde Frank Zappa até Arrigo Barnabé, passando
por Sandy & Junior, Mr. Bungle e Elomar? Tente se for capaz. E esse
som estranho tem deixado muitas pessoas felizes há vinte anos. Capitaneada pelo irreverente Löis Lancaster, a banda manda 12 sons ao vivo (faltou a impagável “Amado Sanduíche”, uns dos primeiros sucessos deles) e mais oito inéditas, que estão disponíveis para serem baixadas gratuitamente no site da banda. O mais engraçado, depois de ouvir todo esse desencontro de melodias, viagens poéticas e vocal capaz de deixar o cara com dor de cabeça se ouvir com fone de ouvido, é que, de tão ruim, a banda se torna muito boa! Duvida? Márcio Sno www.zumbidomato.com
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