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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009 (5:44:13)



Os anos 70 foram o período mais criativo do rock em particular, e da música de um modo geral. É só contar os estilos surgidos e/ou tornados populares nesse período - dá de goleada em qualquer outro na história: funk (o derivado da soul music), heavy metal, eletrônica, reggae, punk, disco, new wave, ska, hip hop, gótico, indie... A década é imbatível.










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Os 30 álbuns que comemoram 30 anos

Por Guto Jimenez



Os anos 70 foram o período mais criativo do rock em particular, e da própria música de um modo geral. É só contar os estilos musicais surgidos e/ou tornados populares nesse período de tempo - dá de goleada em qualquer outro na história: funk (o derivado da soul music, não essa antimúsica que se toca por aí), heavy metal, eletrônica, reggae, punk, disco, new wave, ska, hip hop, gótico, indie... A década é imbatível.

           
Quem gosta de um estilo de música mais alternativo deve saber que não houve outro ano como 1979, pois a quantidade de álbuns seminais em diversos estilos impressiona a quem quer que seja. Aproveitando a comemoração dos 30 anos de lançamento de London Calling, do Clash (para muitos, o álbum que mudou a história do rock), não custa nada fazer um exercício de memória pra revelar a genialidade desse ano em particular na nova música.

           
Só pra você ter uma ideia, em 79 aconteceu a primeira gravação digital de uma música não clássica, na gravação do álbum de Stevie Wonder, Journey Through the Secret Life of Plants; outra inovação tecnológica do ano foi o uso pela primeira vez de um microfone sem fio num show, pela Kate Bush. Surgiram nomes como INXS, Australian Crawl e Fishbone; o 1primeiro hiphop foi lançado, “Rapper’s Delight”, do Sugarhill Gang. Ah, sim, era também o auge da disco music - mas isso eu faço questão de esquecer de propósito, já que muita gente dessa tribo dizia que o rock estava “morto”.   Perdoai-os, pois eles não sabiam o que falavam. O rock se misturou a outros ritmos, descobriu novas vertentes e voltou a ter apelo comercial há trinta anos. E isso é muito além do que simplesmente “ressuscitar defunto”, você há de concordar...

           
Enfim, o que importa aqui são 30 dos grandes discos lançados há 30 anos, naquele ano da então “nova música”. Se você já tem mais de 30 anos, vai relembrar de alguns dos álbuns fundamentais que fizeram de 1979 um ano único na história; se você é mais jovem, vai se surpreender em ver como o que é “novo” nos dias de hoje já pode ser trintão – e você nem sabia ou não se dava conta. Afinal, como todos sabem, no meio musical “nada se cria e tudo se copia”...



OBS: com todo o respeito a artistas como Led Zeppelin, The Who, AC/DC, Parliament e Stevie Wonder, entre tantos outros que lançaram ótimos discos em 1979 – o meu foco é somente a música considerada “nova” há 30 anos.







·   BLONDIE, Eat To The Beat – uma banda formada por músicos hypados de barzinhos de NY, cuja vocalista tinha sido garota da Playboy, não podia ser grande coisa, certo?! Errado. Debbie Harry & Cia provaram que esse era mais um preconceito seria jogado por terra naquele final de década, e deram o chamado “passo adiante” na new wave ainda sacolejante demais pra ser considerada como um ritmo “sério” pela crítica “séria”. Nesse 4º álbum, esculacharam; aqui encontram-se alguns clássicos da banda, como a bombástica “Atomic” e ainda o trio de músicas que abria o disco, “Dreaming”, “The hardest part” e “Union city blues”. Com o 1º lugar alcançado na Inglaterra, o Blondie deixou de ser mais um fenômeno local pra ter a sua fama espalhada pelo mundo – “Atomic” inclusive tocou por aqui, nos primórdios da Rádio Cidade FM. 





·   BOB MARLEY & THE WAILERS, Survival – esse é o chamado “disco-resposta” de Marley aos que tanto o haviam criticado por causa de seu lançamento anterior, Kaya, que preconizava o uso da maconha como fonte de inspiração espiritual. Nesse álbum, ele partiu pra militância direta pela união africana, a começar pela capa que unia as bandeiras de 48 nações africanas e uma ilha do Pacífico. Uma música resume as intenções do LP: “Africa unite”, mas não é só esse clássico que o vinil traz gravado. “So much trouble in the world”, “Zimbabwe”, “Ambush in the night” (sobre um atentado sofrido por ele próprio) e a faixa-título também estão entre as melhores do rei do reggae.





·   BOOMTOWN RATS, The Fine Art of Surfacing – fosse esse planeta um lugar justo, Bob Geldof seria também reconhecido como o grande músico que ele é, ao invés de só receber louros por ter organizado o Live Aid. Afinal, isso é o que merece qualquer um que se inspire numa tragédia americana e a transforme numa das mais líricas músicas de toda uma geração. “I don’t like Mondays” é a canção, baseada num massacre escolar feito por uma menina, cuja motivação foi... não gostar de segundas-feiras. Normal. Esta música, e mais “Diamons smiles”, “Nothing happened today” e “Having my picture taken” traziam não só uma visão sarcástica sobre os EUA, mas também davam sinal de que poderia haver vida após o punk rock.





·   BUZZCOCKS, Singles Going Steady - é uma injustiça danada se referir aos “Abutres” como uma banda secundária do punk 77. Os Pistols pregavam a anarquia, o Clash almejava politizar as massas e o Damned queria mais é “quebrar tudo”; sobrou pros Buzzcocks falarem sobre as aflições de jovens adultos. Masturbação (“Orgasm addict”), falta de perspectivas (“What do I get?”), intolerância dos pais (“Noise annoys”), indiferença ( “I don’t mind”) e frustração amorosa (“Ever fallen in love”), por exemplo, entre outros temas que vinham embalados num ritmo que misturava o estilo a um bubblegum importado dos anos 60. É uma coletânea sim, e da melhor qualidade. Pra botar pra tocar e pogar à vontade.





·   CRASS, Stations of The Crass – uma palavra definia o Crass: engajamento. Muito além de uma banda, eles defendiam o estilo de vida anarquista às últimas consequências; sim, eles também moravam em squats, lançavam seus próprios discos e editavam suas publicaçòes da mesma forma que outras bandas, mas iam muito além. Anarquismo não era só uma causa - era um modo de viver. O squat deles era uma comunidade anarquista, seus discos inflamavam pela revolta contra o sistema e seus zines e livros preconizavam o desgoverno como a única forma de governo. Punks, anarquistas, ambientalistas e vegetarianos, e com um arsenal que incluía torpedos como “Mother-Earth”, “Darling” e “Fun going on”, entre muitas outras. Detalhe: era um LP duplo com 3 lados de música de estúdio, tocados a 45 rpm, e um lado ao vivo, tocado a 33 rpm. E que deveria ser vendido a, no máximo, 3, 99 libras (tinha na capa estampado “Não pague mais do que 3,99”). Sem sombra de dúvidas, a pedra fundamental do anarco-punk.





·   DEVO, Duty Now For The Future – no ano anterior, os malucos haviam “descontruído” a clássica “Satisfaction” dos Stones, e o meio musical se perguntou o que viria depois. O conceito da “de-evolução” seria enfim fixado nesse álbum, que contém algumas das músicas que primeiro fizeram as cabeças dos skatistas, pra depois embalaram festinhas pelos anos 80 afora. “Clockout”, “The day my baby gave me a surprise”, o cover de “Secret agent man”e “Smart patrol/Mr DNA” (minha favorita do Devo) eram os fios condutores desse trabalho. Podia ser bem menos experimental que o álbum de estréia dos “devolóides”, mas ainda assim é uma bolacha absolutamente sensacional, que mostrava que a new wave não era feita apenas de gente pulante vestida de roupas com cores berrantes.





·   GANG OF FOUR, Entertainment – esse disco é absolutamente seminal e indispensável, pois simplesmente mostrou alguns dos caminhos por onde o rock indie iria trilhar dali em diante. Se caras como Bono Vox e Michael Stipe já declararam que o disco é uma “inspiração eterna”, o que mais eu poderia dizer?! Concordo com os caras: “Damaged goods” trazia a calhordice com estilo (“o seu beijo é tão doce / o seu suor é tão amargo / às vezes penso que te amo / mas eu sei que é só desejo”), que os Titãs chuparam descaradamente alguns anos depois. E não só eles; após ouvir esse disco, pode-se notar nitidamente a fonte de onde bandas tão diversas como os Chilli Peppers, Bloc Party ou Franz Ferdinand beberam até cair. Outras pérolas são “Return the gift”, “At home he’s a tourist”, “Contract” e “Anthrax”. Como disse meu camarada Atlantic, “se alguém dissesse que essa é a banda da moda no momento no Reino Unido, 98% das pessoas acreditariam”. Tivesse eu de me isolar numa ilha deserta por 1 ano, e só pudesse levar 12 cds, esse seria um dos primeiros a entrar na mochila, fácil. Puro marxismo em forma de música  o tornam OBRIGATÓRIO. Assim mesmo, com todas as maiúsculas. 





·   GERMS, (GI) – Darby Crash foi o mais conturbado músico da primeira leva de bandas punks americanas, viveu todos os dias como se fossem o último dia na Terra e ainda morreu no mesmo dia em que Lennon foi assassinado. Como se não bastasse, foi o letrista mais lírico e inspirado da história do punk rock: “num lucrar sem sentido do certo pelo certo / o que está errado jamais irá embora / deixando pra trás um bastião / pra alvorada dourada dos tolos”. Pelo trecho de “Land of treason”, dá pra sentir que o negócio aqui é muito, muito diferente do resto dos punks; essa música, e mais outras como “What we do is secret”, “Lexicon devil”e “Media blitz” pavimentaram um outro estilo de punk rock, bem mais agressivo e acelerado. Digam o que quiserem: os Germs foram os pioneiros do punk rock em LA, aqui nasceu o hardcore e ponto final. Mais um cd pra ilha deserta, pros dias de tédio mortal.





·   IAN DURY & THE BLOCKHEADS, Do It Yourself – “um cara difícil” era um elogio perto do que se escrevia sobre Ian Dury. Sabe o tipo de pessoa que é talentosa, mas se acha muito?! Pois é, o cara era ator, artista plástico e sequelado de poliomielite, marrento e teimoso como uma mula – mas era genial. Quando ele lançou o single de “Sex & drugs & rock’n’roll”, em 1977, entitulou-o de “funky punk” e a crítica inglesa chamou de “a nova onda do rock”. Pronto, eis que nascia a new wave. Entre as melhores do play, estão “Inbetweenies”, “Don’t ask me” e “Mischief”. Duas curiosidades a respeito desse álbum: o single “Hit me with your rhythm stick” não fez parte da listagem do disco, a despeito de ter até liderado as paradas britânicas por um tempo; e as 28 (!) versões diferentes de capas, cada uma reproduzindo um padrão de papel de parede diferente. Eu falei que ele era difícil...





·   JOE JACKSON, Look Sharp! – um dos pioneiros da new wave, foi também um dos primeiros artistas ingleses do gênero a ficarem populares nos EUA, influenciando toda uma leva de bandas mais elaboradas do estilo. JJ não se contentava em tocar um “típico new wave’, fazendo experimentações com ritmos tão diferentes quanto reggae e jazz – ritmo esse, aliás, que ele abraçou depois em sua carreira. Nesse álbum de estreia, canções como “One more time”, “Fools in love”, “Got the time” e seu grande sucesso, “Is she really going out with him?” (que explodiu nas paradas das college radios americanas), fizeram dele um dos então novos músicos mais respeitados do meio. No mesmo ano, ele lançou outro LP, “I’m The Man”, que não obteve o mesmo sucesso comercial.





·   JOY DIVISION, Unknown Pleasures – Ian Curtis era um gênio incompreendido, que vivia em constante conflito e estava muito adiante de seu tempo. O que pode parecer como uma coleção de clichês é a mais pura realidade em se tratando do vocalista e letrista do Joy, talvez o maior poeta dessa geração num disco que marcou o início da vertente mais deprê do ritmo post-punk, que também consagraria bandas como The Cure e Bauhaus. O duo “lirismo & melancolia” jamais havia sido tratado dessa forma tão visceral, num 1o álbum repleto de clássicos: “She’s lost control”, “Disorder”, “Shadowplay”, “Insight”, “New dawn fades”... Bandas como Interpol e The Editors devem acender uma vela por dia à alma do finado vocalista/letrista, já que se inspiraram escancaradamente na atmosfera criada por Curtis & Cia – companhia, aliás, que sobreviveu ao trauma formando o New Order, mas isso é uma outra história... Ouça com a luz apagada, e com a janela fechada de preferência.





·   MADNESS, One Step Beyond… – “escuta aí, mané, é melhor você começar a mexer os seus pés pra batida do rock steady, uma loucura! One step beyooooooooooooond!” Junte um rock steady que parecia estar sendo tocado numa rotaçào mais acelerada; adicione uma linha de baixo matadora e irresistível; acrescente metais quentes como lava, e apresente 8 malucos que não paravam um segundo sequer. Essa receita fez do Madness a banda mais popular do movimento 2-Tone, que fez ressurgir o ska e apresentou o ritmo ao restante do mundo. É só tijolada: desde o cover do Prince Buster que dá título ao disco a “The prince”, “Madness”, “Night boat to Cairo” e “My girl” – que fez sucesso até no Brasil. Ao ouvir esse disco pela 1ª vez, um cuidado deve ser tomado: afaste os móveis da sala, porque é simplesmente impossível ficar parado. Mais um pra ilha deserta, pros dias de “pick it up, pick it up, pick it uuuuuuuuuuup”...





·   MAGAZINE, Secondhand Daylight- o tal do Howard Devoto era um sujeito bem prolífico; nem bem havia saído dos Buzzcocks, logo emendou nessa banda cujo niilismo e maturidade das letras impressionava. Os Buzzcocks eram pura adrenalina pós-adolescente, e o Magazine foi o meio do cara dar um recado: cresci e apareci. Esse 2º álbum da banda ficou marcado pelo “mais inteligente uso de teclados do post-punk”, e olha que não era favor algum da exagerada imprensa britânica. Com músicas acima de 4 minutos, algo raro naqueles dias, esse LP eternizou canções como “Feed the enemy”, “I want your heart”, “Back to nature” e “Permafrost”. Um discaço, como se dizia naquela época. 





·   MICHAEL JACKSON, Off The Wall – antes de você me xingar, bem como a todas gerações que vieram antes e todas as que ainda virão depois de mim, ouça o disco primeiro. O ainda marrom MJ assumiu sua carreira solo e, quem diria!, delineou os caminhos por quais o pop seguiria nos anos 80. A salada envolvia o funk ao pop, rock, soul e até jazz.... Mas afinal de contas, é bom?! Só te falo que a linha de baixo da faixa-título é absurda de tão boa, demente de tão envolvente – e o que é do funk sem o baixão pesado bombando ao fundo?! Se o ritmo ganhou fôlego, a ponto de ter ressurgido poucos anos após ter sido dado como extinto, deve muito ao mais novo dos Jackson 5. Pop até a medula, é aqui que se encontram hits como “Don’t stop till you get enough”, “Rock with you” e “Girlfriend”, onde ele faz duo com ninguém menos que Paul McCartney.  Eca, eu sei – mas foi um marco. MJ sabia o que estava fazendo - Thriller que o diga.




·   MOTÖRHEAD, Overkill e Bomber – groaridade pouca é bobagem, e o Mötorhead sabe disso melhor do que ninguém – tanto assim que lançou logo 2 LPs no mesmo ano. Lemmy & sua turma aceleraram o metal, cuja referência maior ainda era o Black Sabbath, e o ritmo nunca mais foi o mesmo. A faixa-título dos LPs são tocadas até hoje nos shows da banda, que gravou os petardos com a sua formação original contendo Lemmy, “Fast” Eddie Clarke e “Philthy Animal” Taylor. A tosqueira do álbum de estreia ficou pra trás, ficando só a brutalidade de músicas como “Stay clean”, “No class”, “Damage case” e “Metropolis” (em “Overkill”), e ainda “Stone dead forever”, “Lawman” e “Dead men tell no lies” (de “Bomber”).





·   PRINCE, Prince – a sabedoria conseguida nos pátios das escolas nos ensina que todo baixinho é folgado. Não seria exceção com esse tampinha de Minneapolis, que já chegou botando banca e afirmando que a intenção dele era de ser “o maior artista vivo” de sua época... Não se sabe se foi falta de porrada na escola, mas o sujeitinho tinha o por quê de ter a sua auto-estima tão em alta; esse disco foi gravado às pressas e sob intensa pressão da Warner, já que o miúdo havia estourado o orçamento em seu disco anterior e não havia obtido o retorno esperado pela gravadora. Valeu a prensa: o lado A emendava o grande hit “I wanna be your lover” com “Why you wanna treat me so bad?” e “Sexy dancer”, o que garantiu a animação de muitas festinhas da ocasião. Muito embora ninguém ainda o tivesse chamado de “gênio”, o pintor de rodapé começava a mostrar os atalhos pro funk seguir nos anos que se seguiriam.





·   PUBLIC IMAGE LTD., Metal Box – John Lydon saiu da “grande trapaça do rock’n’roll” (= Sex Pistols) e suas limitações pra partir pro exagero logo de uma vez, numa real guinada de 180º na sua carreira. Por exemplo: o punk era o “faça você mesmo”, e o PiL era elaborado; os discos dos Pistols tinham as capas feitas por amigos da banda, enquanto a “caixa de metal” não era apenas retórica – era real. Isso mesmo, o disco vinha dentro de uma lata metálica idêntica às usadas pra embalar filmes de películas, ao invés da embalagem de papelão que envolvia os LPs. Dentro da lata, 3 LPs de 45 rotações, com no máximo 3 músicas em cada. A mudança não foi só no estilo visual, mas principalmente no rumo musical da banda: “Swan lake”, “Radio 4” e a instrumental “Graveyard”. Por ser experimental até o caroço, não é um disco pra todos os ouvidos – e talvez isso seja o que tenha de melhor...





·   RAMONES, It’s Alive! – pela 1ª vez, os fãs dos Ramones que jamais haviam assistido a um show deles tiveram noção da grosseria sônica que era um show da banda. O show escolhido foi o da última noite de 77 em Londres, no qual 10 fileiras de cadeiras foram arrancadas e jogadas no palco pela turba enfurecida - normal também, vide gás lacrimogênico no Canecão. O repertório é basicamente dos 3 primeiros discos, e é uma coleção de clássicos da porradaria: de “Rockaway beach” que abre o disco, passando por “Blitzkrieg bop”, “Sheena is a punk rocker”, “Surfin’ bird” até o grand finale com “We’re a happy family”. Pois bem, foi só o play ser lançado que o mundo ficou boquiaberto com o ritmo frenético; muita gente por aqui achou que era um efeito da mixagem, que eles não podiam emendar uma música na outra assim e etc e tal. Então tá... quando a banda veio tocar aqui, os descrentes viram que o buraco era bem mais embaixo.





·   SEX PISTOLS, The Great Rock’n’Roll Swindle – trilha sonora do filme dos Pistols, que contava a história de uma banda formada numa loja de roupas, cujo empresário era um verme e com um baixista junkie incontrolável que não sabia tocar nada. Lógico que qualquer semelhança NÃO era mera coincidência, numa produção que teve participações especiais de boa parte do punk londrino e de Ronald Biggs, que assaltou um trem-pagador por lá e veio se refugiar por aqui, com direito a filmagens feitas no Rio. Vale pelos impagáveis covers: “Johnny B. Goode” de Chuck Berry, “Substitute” do Who, “C’mon everybody” de Eddie Cochran e a impagável “My way”, de Paul Anka, cantada pelo Sid Vicious. Nunca antes na história do rock as versões originais foram tão esculachadas! O ideal nesse caso seria ver o filme e ouvir o disco, não necessariamente nessa ordem.





·   SPARKS, No. 1 In Heaven – a banda já tinha uma longa carreira no final dos anos 70, mas o combo de rockzinho-com-piano deles parecia estar desgastado até a medula. Quando viram o sucesso de Donna Summer com “I feel love”, não tiveram dúvidas e chamaram o produtor da musa da disco music pra dar uma guinada na carreira Pronto: Giorgio Moroder fez com que a banda mudou radicalmente de direcionamento musical, adotou sintetizadores à balde e usaram & abusaram do estilo de camadas sonoras na composição do disco. Foi o bastante pra crítica e o público voltassem a gostar do som deles, especialmente das faixas-chicletes “Beat the clock”, “The number one song in heaven” e “La dolce vita” que entravam com boas colocaçòes nas paradas inglesa e norte-americana. Isso era metade do LP, que continha só 6 longas músicas de cerca de 5 minutos cada. Sem o saber, esse álbum foi a pedra fundamental jamais reconhecida do electro; bote pra tocar numa festa, e os “muderninhos” vão achar que é lançamento da semana passada... 





·   STIFF LITTLE FINGERS, Inflammable Material – não adiantou muito à crítica inglesa tentar desmerecer o SLF só porque eles eram irlandeses; nesse caso, a música da banda falou muito mais alto do que milhares de palavras.  Foi só o eterno John Peel botar os caras pra tocarem ao vivo numa de suas Peel Sessions pro público se tocar o quanto estava perdendo ao crer nas palavras da crítica; “Suspect device”, ‘Wasted life”, “Barbed wire love”, “Alternative ulster” e o cover de “Johnny Was”, do Marley, são alguns dos petardos da bolacha. Esse foi o 1º álbum distribuído pela mítica Rough Trade, e o sucesso de público fez a banda se mudar pra Londres, onde se consagrou de vez ao participar do festival Rock Against Racism. Teimosa, a crítica não deu o braço a torcer, passando a dizer que o SLF era “a mais londrina das bandas irlandesas”. Disgusting! 





·   TALKING HEADS, Fear of Music- o terceiro album dos Talking Heads não chegou a impressionar muito os norte-americanos, mas fisgou os ingleses de jeito com a mistureba sonora que depois ficaria conhecida como “world music” – o NME, por exemplo, o elegeu “álbum do ano”... David Byrne & Cia definitivamente pulavam fora da new wave que eles haviam ajudado a fundar, e partiram na direção de um cardápio musical mais variado e ritmado; músicas como “I Zimbra”, “Life during wartime” e “Memories can’t wait” (que depois ganhou um excelente cover do Living Colour) foram os destaques da bolacha. A capa também era bem diferente, um fundo preto que tinha um relevo que se assemelhava a assoalhos de ônibus urbanos; o que eles quiseram com isso jamais foi revelado – mas que era maneiro, lá isso era.





·   THE B-52’s, The B-52’s – esse daí tocou tanto lá em casa que eu fiquei até com medo de furar o vinil. O chamado “álbum amarelo” é um marco da new wave, com tudo aquilo que o ritmo tinha de bom: descompromisso, alegria e vibração. O riff inicial de “Planet Claire”, que abre o disco, remete às 1001 noites, tendo “52 girls” dançando ao ritmo do bambolê; “Dance this mess around” dava uma pausa pra respiração, emendando na eterna e demente “Rock lobster” – vixe, essa é pra fazer as fraturas todas doerem... O lado B era covardia, do tipo “deixa tocar direto que a animação da festa tá garantida”: “Lava”, “There’s a moon in the sky”, “Hero worship” e “6060-842”, tendo a “Downtown” como outro arrego pros pulmões. Super-dooper-docaralho!!!





·   THE CARS, Candy-O –  esse trabalho fez com que o The Cars atingisse um patamar considerável de popularidade nos EUA; afinal de contas, levou o disco de platina menos de 2 meses depois de seu lançamento. Muitos acham que é o trabalho de estreia da banda (é o 2º disco, na verdade), pois o trabalho traz uma coleção das músicas mais conhecidas da banda. Além da faixa-título, o hit “Let’s go” e mais “Double life”, “Lust for kicks” e “Dangerous life”, entre outras, fizeram o disco ser disseminado via fitas cassete aos ouvidos mais antenados de então. Confesso que comprei o disco por causa da capa, que retratava uma ruiva gostosona... e quase furei o vinil de tanto ouvir o conteúdo. Nesse caso, o palpite se mostrou acertado como poucas vezes na vida. 





·   THE CURE, Three Imaginary Boys – chegou a hora daquela gente esbranquiçada mostrar seu valor; o The Cure formava, ao lado do Joy Division e do Bauhaus, a santíssima trindade do “dark” – ou “gotico”, nos dias de hoje. Tá bom, esse disco aqui não era tão down quanto os das outras bandas, mas era no mínimo diferente e imortalizou diversas canções contidas aqui. Por exemplo, “Boys don’t cry”, “Jumping someone else’s train” e “Killing an Arab”, singles que foram incluídos na versão norte-americana da bolacha, além da faixa de abertura “10:15 Saturday night”, “Grinding halt”,  e uma versão desesperada pra “Foxy Lady” do Hendrix. Os penteados e roupas de Robert Smith e Lol Tolhurst acabaram lançando uma estética que é copiada por fãs do estilo até hoje no mundo todo, influenciando até nas franjinhas e roupitchas pretas dos emos de hoje em dia.





·   THE POLICE, Regatta de Blanc – acredite no que eu vou te dizer agora: houve um dia no qual o Sting ainda não era um tremendo chato de galochas – e mais ainda, tocava numa banda que influenciou meio mundo afora (né não, Paralamas?!). O The Police gravou algumas de suas melhores faixas nesse disco, como “Message in a bottle”, “It’s alright for you”, “Bring on the night” e “Walking on the moon”, cantadas por multidões em todo o planeta. Diz a lenda que a banda chegou ao estúdio sem ter a menor ideia do que iria gravar e, pior ainda, muitas das músicas nem tinham sido ensaiadas direito. Se é verdade ou não, nunca irá se saber, mas o fato é que esse disco lançou o Police ao estrelato na Inglaterra, atingindo o topo das paradas daquela ilha, e fez o trio uma das bandas mais conhecidas nos anos 80.  





·   THE SPECIALS, Specials – isso aqui é um marco do ska, o disco que trouxe a marca 2Tone ao ritmo caribenho: mais acelerado, com maior destaque nas guitarras e linha de instrumentos de sopro mais rápida. The Specials conseguiu chamar a atenção ao regravar clássicos do gênero à moda londrina, como “Monkey man” (Toots & the Maytalls), “A message to you, Rudy’ (do Lee “Scratch” Perry, que tocava por aqui em poucas rádios) e “Do the dog” (de Rufus Thomas). Ainda acrescentaram composições próprias como “Nite klub” e “Dawning of a new era” e fizeram a dupla Terry Hall e Jerry Dammers ser conhecida e considerada. Após essa banda, eles fizeram parte dos line-ups e/ou produziram grupos tão diferentes como Special AKA, Fun Boy Three, Fine Young Cannibals, Junkie XL e Dub Pistols, entre outros.





·   THE UNDERTONES, The Understones – mais uma banda irlandesa que tinha o que mostrar já em seu disco de estreia, os Undertones tiveram de fazer duas prensagens desse trabalho por causa do sucesso inesperado de “Teenage kicks” nas paradas britânicas. Inicialmente, o single a ser trabalhado era pra ser “Jimmy Jimmy”, mas vai lá saber o porquê do público ter adotado outra música que estava perdida no meio do lado A da bolacha... Essas, e mais “Girls don’t like it”, “Here comes the Summer” e “Get over you” fazem desse disco um clássico do punk rock, a ponto de ser incluído em várias listas de “tops” até os dias de hoje. Depois de formarem bandas como A Flock of Seagulls e That Petrol Emotion, alguns dos membros originais voltaram a tocar juntos há 10 anos, e recentemente tocaram antes do pontapé inicial de um jogo entre o Celtic e o Arsenal pela Liga dos Campeões da UEFA.   





·   UK SUBS, Another Kind of Blues – O punk tinha morrido em 1979, mas alguém esqueceu de avisar ao Charlie Harper, então um cantor de R&B (!). Ele e seus asseclas resolveram misturar o punk ao pub rock tipicamente britânico, e produziram uma maçaroca sonora que iria influenciar muito no ressurgimento do ritmo na ilha cerca de 2 anos após. Alguns dos temas mais conhecidos dos Subs em todos os tempos estão aqui: a eterna “Stranglehold”, “Tomorrow’s girl” e “She’s not there”, por exemplo. Curiosidade: dizem que Harper é muito sistemático, apesar de ser punk – tanto assim que os títulos dos álbuns da banda seguiram a ordem alfabética... Manias à parte, eles foram os únicos que jamais pararam de tocar ao vivo nesses anos todos, o que prova que o ‘outro tipo de blues” deles ainda dá um belo caldo até os dias de hoje.





·   THE CLASH, London Calling – deixei por ultimo de propósito, no melhor estilo “finalmente e o mais importante de tudo”. Você já leu e ainda lerá muita coisa sobre esse disco ao longo deste ano, e não duvide que lancem uma “reedição histórica” com algum caô de marketing pra impulsionar as vendas, do tipo “remasterizadas digitalmente”, “versão do produtor” ou algo assim – e a viúva do Strummer de novo vai doar a parte da família pra alguma entidade de assistência aos pobres. Basta dizer isso: as tribos quase não se misturavam em 1979, e quem quer que tivesse uma sonoridade diferente da normal de seu respectivo estilo musical tinha como recompensa a estranheza do público e o desprezo da crítica. O próprio Clash recebeu a alcunha de “traidor do movimento punk” por causa de “Give’Em Enough Rope”, do ano anterior, e olha que o disco abria com “Tommy gun”! Isso durou até “London Calling”, que quebrou as barreiras produzindo um álbum seminal de mistureba sonora, usando um pouco ainda de punk e mais reggae, pub rock, jazz, rockabilly, folk, funky rock... Resumindo, o conceito de “música eclética” começou a tomar outros contornos a partir desse disco, pois passou-se a ver a infinidade de possibilidades de misturas que poderiam ser feitas no meio do rock. Destaque entre as faixas?! Da 1ª à última, sem exceção. Na boa?! Sou suspeito demais pra falar, pois o Clash é a minha banda favorita e eu acho que esse é o melhor álbum de rock de todos os tempos. Pense e fale o que quiser, não to nem aí. Na tal mochila pra fictícia ilha deserta, esse cd seria o 1º a ser colocado no case sem a menor vacilação. Pra mim, “London Calling” é como água, fundamental pra vida toda. Eu repito, pra que não reste a menor dúvida: na minha opinião, o melhor álbum de rock já lançado - e ponto final.





 
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