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Entrevistas: As Cobras Malditas
Terça-feira, 30 de Junho de 2009 (6:36:05)


Jon Spencer em uma interminável viagem de ácido, ou Hound Dog Taylor espancando cada membro do Sonics em uma briga de bar:  As Cobras Malditas se preparam para lançar seu disco virtual em formato físico (possivelmente em vinil, como a banda prefere) para realçar a boa imagem que já conquistaram nos Estados Unidos e Argentina. Por Márcio Sno







 (da série Melhores bandas nacionais atuais de rock)


+ entrevista

AS COBRAS MALDITAS



Por Márcio Sno
Fotos Patrícia Caggegi



Há exato um ano, a “maligna máquina de blues em pedaços” foi recomendada aqui no Portal Rock Press, com a ameaça de morder todo mundo na cara.  A impressão que se tem ao ouvir o som é essa, porém, o negócio da banda As Cobras Malditas é rock mesmo.

Desde 2004 na estrada, já tem um disco virtual e se preparam para lançar um em formato físico (possivelmente em vinil, como a banda prefere) para realçar a boa imagem que já conquistaram nos Estados Unidos e Argentina.

O vocalista Alessandro Psycho falou um pouco mais sobre o trabalho dAs Cobras Malditas e o que é exatamente esse tal de “Jon Spencer em uma interminável viagem de ácido, ou Hound Dog Taylor espancando cada membro do Sonics em uma briga de bar”, como definem o seu som.




Vocês lançaram o primeiro disco exclusivamente para download. Não dá vontade de ter material físico na mão que nem todas as bandas “normais”?

Sim, queremos lançar no formato tradicional. O disco que gravamos recentemente no estúdio do clube Berlin deve ser lançado no formato de CD ou vinil neste ano.


Boa parte das bandas tem o intuito de lançar discos em vinil. A que você atribui isso?

O tamanho. A arte imensa. E o som fica gordo. Um disco de vinil está para um CD assim como uma feijoada está para um Mc Lanche Feliz.


Por que decidiram não adotar o baixo na formação da banda? Já tinham algum baixista antes disso?

Chegamos a tocar com um baixista nos primeiros ensaios. Mas não ficou legal. Nos shows a guitarra do Tarantino fica ligada no amplificador de contrabaixo, evidenciando os graves. Tá bom assim.


O trabalho dAs Cobras é bem visto nos EUA e na Argentina, onde inclusive se apresentaram algumas vezes. O Brasil é pouco para vocês?

O Brasil é diferente. É mais fácil obter resenhas favoráveis nos EUA devido ao "estilão" da banda. No Brasil não nos enquadramos muito na cena, estamos nas bordas. Não é uma coisa ruim, pois podemos tocar tanto em festivais de rock com o Mudhoney, quanto em festinhas sessentistas. É a nossa realidade.


Como chegaram a essa mistura de blues, rock n’ roll, até com umas pitadas de psychobilly e ainda com um vocal à la Steven Tyler?

Steven Tyler foi ótimo! Gostamos muito de rock n' roll. Mas não no sentido babão da palavra. Gostamos do blues de Howlin' Wolf, do fuzz de Link Wray e do rock n' roll de Bo Diddley. Enfim, o nosso som é um espelho das coisas que ouvimos em casa. Uma mistura disso tudo acaba por ser inevitável.


E o que é essa tal de definição de “Jon Spencer em uma interminável viagem de ácido, ou Hound Dog Taylor espancando cada membro do Sonics em uma briga de bar”? De onde veio essa conclusão?

É uma brincadeira. Como pouquíssimas pessoas escrevem sobre o nosso som, decidimos tirar um sarro.


Mas “pouquíssimas” porque as pessoas não se interessam ou porque vocês não divulgam? Ou os dois?

Não temos assessoria de imprensa, não temos um selo, não temos nem um disco "oficial". Isso nos afasta de tudo.


Muitas bandas relativamente novas buscam influências no rock dos anos 50, 60 e 70, como é o caso dAs Cobras. A que você atribui esse “fenômeno”?

Gostamos bastante de sons antigos. Somos um pouco revivalistas nesse sentido.


E o que de “novo” vocês escutam?

Não posso falar pelos outros, mas acho que os últimos discos de bandas recentes que comprei foram no meio dos anos 2000. Dirtbombs, Zen Guerrilla, Soledad Brothers, The Go... enfim. Hoje em dia só tenho comprado discos de bandas e músicos dos anos 1940 aos 1960. Sou fã de rhythm & blues e temas instrumentais, do jazz ao surf.


Numa época em que a tecnologia está bem próxima das bandas, vocês ainda optam em gravar em rolo. Por que isso?

Gravar em rolo é como ouvir um vinil. Gorduroso e possante. Porém só gravamos assim porque o Marcelo e o Jonas, proprietários do clube Berlin, possuem os equipamentos necessários.


E o baterista Zé? Continua com o “Midas touch” apurado?

O Zé é indescritível. São poucas as pessoas que carregam diariamente o bom humor e talento como ele.


Vi em algum lugar que você só escreve música por causa de algum amor ou dor de cotovelo. Falar de mulher atrai mulher?

Um pouco. O que seria do rock n' roll sem elas?


O disco virtual demorou dois anos para ser lançado. Algum motivo particular para isso ter acontecido?

Somos atrapalhados e atarefados demais.


No meio da massa sonora do disco, tem “Jellyfish Blues”, uma faixa instrumental, com violões que chegam a lembrar Baden Powell. Esse som foi colocado ali pro ouvinte dar uma descansadinha?

Jellyfish é minha favorita. Obra do Tarantino, é uma parada no pit stop em meio às barulheiras do disco online.


Vocês estão se preparando para lançar o que chamam de disco “oficial”, onde farão disversas covers. Como está sendo produzido, tem alguma estimativa de lançamento?

Sim, gravamos recentemente as músicas no Berlin. Eu chamo de disco oficial por ser o primeiro disco em que nós gravamos todos juntos. Há alguns covers no meio: Captain Beefheart, Black Ace... Vamos lançar em breve. Não pode passar desse ano.


No TramaVirtual você disse que vocês “são gringos demais para os selos locais”. Aqui no Brasil, quem é o público dAs Cobras?

Poucos! Alguns amigos e colecionadores de discos garageiros.


Nessa mesma entrevista você disse que o “rock no Brasil é estatal, patrocinado pela Petrobras e políticos desprovidos de bom senso”. Pode destrinchar isso melhor? Qual o caminho que o rock brasileiro deveria seguir?

Achava que ninguém ia ler isso! Tomei algumas cervejas a mais. Na verdade, no Brasil falta uma cena voltada ao rock de nicho. Imagine que em São Paulo não há um selo ou um festival realmente envolvido com os novos sons. E quando surgir, seremos dinossauros da garagem.


Como chegaram ao veredicto de que São Paulo é “a mais bêbada entre as cidades brasileiras”?

É só ir até a esquina mais próxima! E aí, quando vamos tocar no Rio?


www.myspace.com/ascobrasmalditas






 
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