Shows: Down By Law, Rio de Janeiro e São Paulo
Terça-feira, 12 de Maio de 2009 (2:23:24)
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 A vinda de bandas hardcore que foram referências nos anos 90 é algo que está se tornando comum no Brasil. E cada vez que isso acontece, os espaços lotam, garantindo a troca de energia entre banda e público. Porém não foi exatamente isso que aconteceu nos shows do Down by Law. Por Leonardo Panço e Márcio Sno



CÓLERA, CONFRONTO E DOWN BY LAW Circo Voador, Rio de Janeiro 8/5/2009
Leonardo Panço, texto
Michael Meneses, fotos
Na minha modesta, porém valiosa opinião, foi uma pena que a ordem dos concertos tenha sido em ordem decrescente de gosto musical e empolgação dos músicos e, diria eu, do público. Aliás, público foi o que menos o Circo Voador recebeu no último sábado. Não mais de 300 pessoas no auge da 'lotação'. Quando adentrei o recinto da melhor casa de shows do mundo (até parece que conheço todas), não tinha mais de 20 humanos por lá esperando os tios do Cólera.
De qualquer modo eles vieram e mostraram porque ainda estão em atividade há 30 anos e, com a volta do baixista Val ao grupo, com a mesma formação, que inclui também os irmãos Pierre na bateria e Redson na guitarra e vocal. Acostumados a fazer shows de pelo menos duas horas, eles tocaram um set conciso, já que eram banda de abertura. Mas a empolgação foi a mesma de sempre.
Rédson continua competente como sempre, com a energia em dia, alguns cabelos brancos, mas ainda é o mesmo cara que inspirou tanta gente no Brasil todo desde o começo dos anos 80 quando lançou discos por sua própria gravadora, marcou turnê gringa em 87 mandando cartas e mandando informativos pelo correio, mostrando como as coisas deveriam ser feitas.
Abriram logo com 'Medo' e daí até a última, com 'Pela paz em todo mundo' no bis, foram só clássicos lindos, com as pessoas cantando junto 'Histeria', 'Subúrbio Geral' ou 'Adolescente'. Obrigado, Cólera.
Em seguida veio o Confronto. Achei o show bom, no nível dos que costumo ver, com o guitarrista Miliano agitando mais do que o normal, mas eles acharam que não foi bom. Completando dez anos, talvez eles estivessem esperando algo parecido com a catarse que foi a gravação do DVD do grupo para mil pessoas em São Paulo apenas uma semana antes. Ei, rapazes, o próximo vai ser melhor. O som estava tão algo que as células irrecuperáveis depois de mortas no ouvido, ainda estão por aqui se decompondo.
Tocaram 'canções' dos três discos e o metal malvado, mas com discurso hardcore e um pouco de manemolência nos guturais, soa melhor se o povo assimila, o que não aconteceu.
Fechando, veio o Down by Law, de Los Angeles, Califórnia, como Dave Smalley falou logo no começo. Eles estavam felizes, o som estava bom, a juventude gostou, mas achei extremamente chato. É aquilo tipo de apresentação que se você não foi apaixonado por eles na adolescência, não tem como curtir. Pelo menos foi assim que eu vi. Vários punk rocks chatos para sempre. Voz chata. Fazer o que, né? Não rolou.

DOWN BY LAW, ROCKERS, CARNAL DESIRE Clube da Cidade, São Paulo 10/5/2009
Márcio Sno, texto e foto
A vinda de bandas hardcore que foram referências nos anos 90 é algo que está se tornando comum no Brasil. E cada vez que isso acontece, os espaços lotam, garantindo a troca de energia entre banda e público. Porém não foi exatamente isso que aconteceu nos shows do Down by Law em São Paulo. Ao chegar no local, algo já parecia estar errado: poucas pessoas e a notícia de cancelamento do show de Santos.
Vários pontos foram levantados por quem já é das antigas no meio: as bandas de abertura não tinham muito a ver (ou nada) com a principal, além de não serem “relativamente conhecidas” para levar público, o preço também não era o dos mais simpáticos (80 reais na porta), apesar de ter um ótimo espaço, o local não é conhecido (lá é comum shows de pagode) e o domingo era de dia das mães. Era de se esperar que algo não daria certo.
Por conta disso, as bandas de abertura tocaram para uns cinco gatos pingados. O Carnal Desire fez uma apresentação como se estivesse em um estádio lotado (ou como diria o vocalista Tarso “não importa a quantidade e sim a qualidade”), mostrando a habitual descontração e músicos de alto nível. Destaque mais que óbvio para Tarso, que se apresentou vestido de sádico e destilou sua poesia hard-erótica.
Na sequência, a banda santista Rockers apresentou um som que eu chamaria de “indeciso”. Uma hora faz hardcore, noutra metal e mais adiante o desaparecido funk o’ metal, além da performance à la Jota Quest do vocalista. Definitivamente, estavam perdidos ali.
Quando se esperava o Macakongs 2099 (que não compareceu), sobe ao palco o Down by Law e umas cem pessoas surgiram do nada para prestigiar os americanos, que estão com baixista e bateristas novos. Abriram com “Independence Day” e os poucos presentes puderam ouvir, cantar e agitar vários clássicos da banda, como “Punk as Fuck”, “Bullets”, “Superman”, “Nothing Load in the Radio”, entre outros.
Para executar “All American”, convidaram o André, do Nitrominds, para assumir a guitarra de Dave Smalley, em forma de agradecimento à força que o brasileiro deu a eles por aqui. No bis, tocaram ainda “Under Your Influence”, da antiga banda de Smalley, o Dagnasty.
Como essa apresentação foi “intimista”, após o show os integrantes atenderam aos fãs com muita alegria e paciência.
Talvez essa passagem do Down by Law por aqui fosse mais interessante se a organização ficasse nas mãos de pessoas que realmente entendem de shows de hardcore. Fica pra próxima.
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