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Entrevistas: Bang Bang Babies
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009 (23:28:41)


Goiânia tem lançado grandes nomes para o rock nacional e o Bang Bang Babies é uma de suas ilustres crias, fazendo o que chama de “rock cru, sem firulas”. E esse estilo fez com que arrebanhasse um bom público além de ser figurinha carimbada em diversos shows e festivais. Por Márcio Sno







Entrevista

BANG BANG BABIES


Por Márcio Sno



Assim como várias bandas da cena goiana, possui influências e constrói um som calcado em referências dos primórdios do rock. Para reforçar esse clima retro, já lançou um EP em vinil, um CD pela Mostro Discos (quem tem várias bandas em seu cast com a proposta parecida com a do BBB) e se prepara para mais um compacto em vinil.

Conversei com o vocalista e guitarrista Pedro que falou sobre a banda, rock antigo e (por que não?) novo também!



Por serem uma banda relativamente nova, não estranha a vocês esse público todo que conquistaram e os diversos convites que recebem para apresentações?

Na real as coisas não são bem desse jeito. Conseguimos sim tocar em boa parte do Brasil, lançando um EP e agora estamos com um disco saindo do forno, mas ainda não rolou um reconhecimento legal. Hoje em dia é fácil pra banda receber convites pra tocar em festivais Brasil afora, o difícil, muitas vezes, são as condições em que as bandas tem que tocar.


E que condições são essas?

O que acontece é que muitas bandas iniciantes têm que bancar com várias despesas pra tocar nesses festivais. Pena que hoje em dia os festivais se tornaram a única maneira para que muitas bandas independentes possam circular e mostrar seu trabalho.


As composições de vocês surgem de todos os integrantes. Todos da banda estão sintonizados com o som do BBB?

Sim, todos participam das composições. Depois de algum tempo tocando juntos as coisas ficam mais fáceis e as músicas surgem naturalmente, acho que a banda toda sabe o som que quer fazer.


Essa história de o baterista Hélio colecionar pratos quebrados é sério? Qual é ao acervo dele e por que tanto ódio no coração?

É verdade. O Hélio é um estudante dedicado, dá aulas de inglês e ainda tem três bandas. Acho que quando vai tocar bateria ele acaba extravasando demais e quem paga por isso são os pratos.


O som do BBB tem mistura de diversas variações do rock, como garage, surf music, punk... Conseguem chegar a uma nomenclatura ao som que fazem?

Acho que se resume a um som cru, de garagem e sem firulas. Sempre gostamos de bandas como Stooges, Cramps, Dead Kennedys e qualquer coisa do Jon Spencer. Ultimamente temos ouvido garageiras tipo The Gories, The Mummies e Oblivians, isso com certeza vai influenciar muito em nossos próximos trabalhos.


Vocês também buscam influências em filmes de Clint Eastwood, Sergio Leone e John Wayne. Como é transformar uma mensagem audiovisual em música?

Sim, os westerns são influências, assim como outros tipos filmes e histórias em quadrinhos. Todas essas influências extra música acabam inspirando tanto quanto a música em si e de uma maneira ou de outra interferem no resultado final do som.


Numa entrevista ao blog Ao Cubo, em 2007, o Vital disse que vocês são “moleques com pretensão de fazer som velho”. Ainda seguem esse ideal? Os sons mais atuais não interessam a vocês?

Com certeza. As bandas de hoje estão muito moderninhas, “super pra frentex”. A nossa onda é regredir, inclusive a próxima gravação vai ser da forma mais simples possível, pra tentar parecer com o rock primitivo que a gente tanto gosta.


Então a idéia é “quanto mais velho, melhor”? Até onde pretendem regredir?

Como eu disse, é tudo uma onda, pode ser que daqui a algum tempo o BBB se torne uma banda modernete (risos). Mas sério, nosso disco Love and bullets teve uma produção super competente (por conta de Gustavo Vasquez) e o resultado foi bem satisfatório, mas agora queremos experimentar algo mais “simples” e “tosco”, até mesmo em referência às bandas que escutamos atualmente. Por isso esse papo de regressão, pode ser que depois a banda volte a evoluir (risos).


E que tipo de som “novo” o BBB ouve? O que tá valendo a pena escutar?

Tem muita banda nova fazendo um som legal e que vale a pena escutar, pena que geralmente a mídia não dá devida atenção a maioria delas. Das bandas nacionais a que eu mais gosto é o Damn Laser Vampires de Porto Alegre, O Lendário Chocrobillyman também é do caralho. De banda gringa eu tenho ouvido muito o Black Mekon (UK) que fez uma tour no Brasil no ano passado. Pouco tempo atrás descobri uma banda chamada Jim Jones Revue, muito legal, me lembrou os Sonics. Além disso, tem alguns grupos nem tão novos mas que sempre lançam coisas legais como Dirtbombs e Mooney Suzuki.


Na música “Going Down” do EP você diz a frase “don’t waste MY time” e na faixa “Nails and Teeth”, do disco Love and Bullets é cantado em coro “don’t waste YOUR time”. Uma música tem relação com a outra?


Não, foi coincidência. Na real as letras sempre são concluídas na última hora.


E qual é o conteúdo das suas letras?

Amores, bebedeiras e principalmente a ressaca do dia seguinte.



A capa do disco é um destaque à parte, que transmite bem o que é o BBB. Quem ilustrou?


Foram uns amigos nossos de uma agência chamada Bicicleta Sem Freio, os caras vêm fazendo um ótimo trabalho em produções gráficas ligadas ao Rock, já fizeram várias capas de discos e artes para muitos shows e festivais. Além disso, eles são tatuadores e têm uma banda muito legal, o Black Drawing Chalks.


Mesmo tendo lançado o Love and Bullets há pouco tempo, vocês já planejam registrar algumas músicas em um vinil de 7”. Como é esse projeto? E qual o motivo de lançarem em vinil?

Sim, acabamos de lançar o disco, mas temos um repertório novo e já vamos gravar algumas músicas. A idéia é mesmo lançar um 7’’ porque vinil é sem dúvida o formato que mais gostamos e além disso já lançamos dois CDs e sempre é bom variar pra não cair na mesmice.


Acha que fazer música numa linhagem e com referências mais antigas seja uma característica do rock goiano?

Acho que não, em Goiânia tem bandas bem diversificadas, algumas sabem o som querem fazer, com referências verdadeiras, outras nem tanto.


Como assim, “referências verdadeiras”?

Eu percebo é que tem muita gente fazendo som sem nem ao menos entender o que está fazendo , apenas seguindo tendências e blá blá blá. Isso acaba fazendo com que o Rock se torne algo “plástico”. Mas isso não é novidade nenhuma, né?


Pelos grandes festivais realizados por aí e pelas importantes bandas que surgem aos lotes (algumas até que são influências para vocês), é certo dizer que Goiânia tem papel semelhante ao rock atual assim como o eixo Rio-São Paulo?

Goiânia tem ótimos festivais e bandas bem legais, mas nenhuma conseguiu atingir um alcance nacional, acho que falta algo do tipo para que a cena se consolide ainda mais. Mas aqui é um bom lugar para se ter banda e para tocar.


Qual é a relação entre Bang Bang Babies (BBB) e Big Brother Brasil (BBB)?

As letras iniciais, nada mais (risos).


A garrafa de rock que começaram a beber em 2005 já está vazia ou falta muito para acabar?

Se acabar a gente abre outra. Rock!



myspace.com/bangbangbabies



 


 
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