Shows: Pauline Black, Rio de Janeiro
Segunda-feira, 16 de Março de 2009 (22:06:16)
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 A Lapa viveu uma verdadeira “domingueira de ska” por conta da apresentação da grande diva do estilo, Pauline Black. A voz que marcou o Selecter finalmente iria dar o ar de sua graça, e desde o final da tarde um movimento diferente, dos indefectíveis chapeuzinhos (e algumas gravatinhas!), podia ser sentido na área. Por Guto Jimenez

PAULINE BLACK Teatro Odisséia, Rio de Janeiro 15/3/2009
Guto Jimenez, texto Hendi DuCarmo, fotos O local ainda estava enchendo quando a banda Radio Ska abriu os trabalhos da noite, e eu cheguei ao pico logo antes do início do Coquetel Acapulco. É o terceiro show deles que vejo, e sempre se destacam pela sessão de metais e pela voz versátil de Aline Nabisi; os caras são bons mesmo e subiram com a temperatura do salão a níveis elevados, deixando a galera preparada pra grande atração da noite.
Um amigo meu comentou antes do show: “Eu não imaginava nunca ver alguém do Selecter original tão perto de casa”. Realmente parecia às vezes inacreditável, e esse era um sentimento comum entre outros quarentões que encontrei por lá. Uma noite animada e quente, não era pedir muito – até então, estava tudo indo bem... E o que estava quente começou a ferver de vez quando a voz feminina mais marcante do movimento 2-Tone subiu ao palco. Pauline Black estava impecável de terninho, chapéu cinza e um sapato vermelho envernizado e começou a desfilar os grandes sucessos do Selecter pra uma casa cheia, mas não lotada, cujo público cantava e pulava o tempo todo. Abriu com “Everyday” e emendou com “Three Minute Hero” pra botar moral na casa – nem precisava, porque era só o início da brincadeira. A sequência de clássicos não tinha fim: “Out On The Streets” e logo depois “Murder”, na ordem inversa do disco, e ainda “My Sweet Collie”, também do mesmo álbum. A favorita da cantora, “Celebrate The Bullet”, fez todos no salão dançarem numa levada um pouco mais lenta, já que foram esticadas as notas num efeito quase hipnótico muito bem executado pela banda. Os brazucas mantiveram o pique em “Train to Skaville”, e mantiveram o pique musical e a animação. O público ficou literalmente na mão do palhaço com a chamada do guitarrista: “nanana na na nananana na na” – era hora de “Carry Go Bring Come”, o único momento de ignorância na roda de mosh. Também pudera, até eu se estivesse com o tornozelo bom estava lá no meio dando os meu pulos – um clássico desses, ao vivo, um som que eu sinceramente jamais esperava ver ao vivo cantado pela vocalista original, a música que pra mim fez o show definitivamente valer a pena. A galera não parou de pular nem durante “Missing Words”, que em princípio era pra ser uma canção mais lenta... Mas não teve como acompanhar o ritmo quebrado de “On My Radio” , que serviu como perfeito anticlímax diante do que ainda estava por vir. Faltava aquela música que todo mundo pede, a que todo mundo conhece, aquela que deu nome ao álbum que vai fazer 30 anos em pouco tempo. Haveria espaço pra mais truculência no mosh?! A dúvida se dissipou aos primeiros acordes de “Too Much Pressure”, e uma gigantesca panela de pipocas humanas se formou no salão. A cantora ainda mandou um “o Rio é mais legal de tocar do que em qualquer outra cidade que toquei no Brasil”, e ainda agradeceu... Nós é que agradecemos até agora, Miss Black. Você nos fez lembrar de uma época de barrigas menores, mais cabelo, menos ou nenhuma dor em nenhuma articulação e que, hoje em dia, vemos que de complicada não tinha nada...
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