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matérias: 50 anos - o dia em que a música morreu
Quarta-feira, 11 de Março de 2009 (4:06:46)

O dia em que a música morreu - 3 de fevereiro de 1959, durante uma nevasca impiedosa, um pequeno avião fretado insistiu em levantar vôo e caiu matando Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper, jovens estrelas em ascensão no rock’n’roll. 








Memorial com óculos gigante de Buddy Holly no local onde caiu o jatinho que matou Holly, Ritchie Valens e Big Bopper em fevereiro de 1959 (Foto UPI Photo/Brian Kersey)


50 ANOS SEM BUDDY HOLLY

...O DIA EM QUE A MÚSICA MORREU



Há 50 anos um desastre aéreo matava o jovem e revolucionário Buddy Holly mais outras duas grandes promessas do então nascente rock´n´roll


Abonico Smith



Muita gente sempre considerou o dia 3 de fevereiro como a data em que o rock bateu suas botas. Foi o dia em que a música morreu. Neste dia, no ano de 1959, durante uma nevasca impiedosa, um pequeno avião fretado insistiu em levantar vôo da cidade de Mason City, Iowa. O destino era Fargo, em Dakota do Norte. Dezesseis quilômetros adiante, a tragédia: o jatinho caía em uma fazenda matando seus quatro integrantes. Fora o piloto, os outros eram jovens estrelas em ascensão no rock’n’roll, então já consagrado no mercado fonográfico dos Estados Unidos. Tinham entre 17 e 22 anos, fãs crescendo em progressão geométrica e talento suficiente para enxergar novas saídas (leia-se fusões) para garantir qualidade na evolução do gênero.


Dentro do jatinho batizado American Pie (daí o nome e o tema do hit folk de Dave MacLean, sucesso radiofônico de 1972 e regravado por Madonna) estavam Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper. Eles estrelavam a turnê Winter Dance Party, que passava por várias cidades do meio-oeste americano. Para garantir mais rapidez e comodidade, Buddy viajava de avião enquanto os demais músicos e técnicos seguiam de ônibus. Naquela noite, coincidentemente, os outros dois astros da tour ocupavam os lugares restantes.


 



BUDDY HOLLY com os Crickets

Visual nerd



Charles Hardin Holley, 22 anos, tinha apenas três de carreira. Mesmo em tão pouco tempo, deixou um legado musical surpreendente, com composições tão complexas quanto criativas. O suficiente para garanti-lo na seleta galeria das lendas mais genuínas da música pop.


Nascido em Lubbock, no estado do Texas, em 1936, Holly personificava a hoje tão consagrada silhueta nerd. Era esguio, tímido e sem muito jeito. Usava um topetinho, aqueles óculos de aro grosso preto e roupas absolutamente bem comportadas (suéteres, terno e gravata). Seus dotes artísticos revelaram-se tardiamente, apenas depois do décimo quinto aniversário.


Depois de pequenas gravações caseiras nas quais apontava para diversos estilos, Holly concentrou-se em uma mistura peculiar: pegou seu gosto pelo hillbilly e pelo country e acrescentou uma batida percussiva. Como um terceiro ingrediente, pequenas doses de latinidade, “emprestadas” dos vizinhos mexicanos. Estava criado o tex-mex.


O primeiro hit não tardou a vir. Ao lado de sua banda de apoio, os Crickets, gravou em 1957 o compacto “That’ll Be The Day”. Enquanto todos os outros grupos do rock’n’roll não dispensavam o piano ou o saxofone, Holly optava pela economia e praticidade. Tocavam só ele e mais dois músicos. Assim, ele também tornava-se pioneiro ao “inventar” o formato clássico/básico de uma banda de rock: uma ou duas guitarras (Buddy sempre com uma Fender Stratocaster), baixo, bateria e um vocalista. Só. Mais nada.


Apesar do catálogo deixado por Holly não ter passado a primeira centena de canções, muitos artistas posteriores – Beatles, John Lennon, Paul McCartney, Rolling Stones, Santana e Blondie, entre tantos outros – nunca se esquivaram de declarar genialidade ao artista e regravá-lo. McCartney, inclusive, optou por investir suas economias comprando os direitos de todas as obras de Buddy. “Not Fade Away”, “Peggy Sue”, “Words Of Love”, “It’s So Easy”, “I’m Gonna Love You Too”, “Oh! Boy”, “True Love Ways”, “It Doesn’t Matter Anymore” e “Raining In My Heart” são alguns dos clássicos escritos pelo jovem.


Na sua última turnê, Holly não estava mais acompanhado pelos Crickets. Havia rompido com sua clássica banda e excursionava apenas outros músicos – na formação estava o baixista Waylon Jennings, que depois se tornaria estrela da country music. Buddy optara por abrir mão do tex-mex e queria uma carreira mais sólida, próxima das certezas e seguranças de um astro consagrado do showbiz – tanto que seu hit final foi composto por Paul Anka (das insossas “Diana” e “Oh Carol”). Entretanto, não houve tempo suficiente e, para um certo bem da história, ele sempre será lembrado como um artista explosivo e inovador.

 


RITCHIE VALENS

Garoto chicano


Explosivo também é um adjetivo que pode ser ligado a Richard Valenzuela, garoto de classe média-baixa oriundo da comunidade chicana do Vale de San Fernando, situado na Califórnia. Quando o rock’n’roll veio com tudo, o menino recém-chegado à adolescência já tinha um grande background musical – crescera ouvindo pop, jazz e música folclórica cantada em espanhol. Logo comprou uma guitarra e, aos 16 anos, formou uma banda chamada Satellites – em cuja formação estavam dois irmãos negros, um americano de ascendência mexicana e outro com origem japonesa (world music já em 1957?).


Meses depois, o descobridor de talentos Bob Keane (que já havia dado a primeira chance a Sam Cooke, que viria a brilhar como soulman na década de 60) contratou Ritchie. Depois de quarenta tentativas para chegar ao take definitivo da primeira gravação, chegava às lojas o compacto “Come On Let’s Go”, já com o sobrenome devidamente americanizado. Uma breve aparição no (primeiro e) principal programa teen da TV, o American Bandstand, foi o bastante para transformar o adolescente de 17 anos na next big thing do rock’n’roll.


O segundo semestre de 1958 foi consagrador para Valens. Ele participou do filme Go Johnny Go, do DJ Alan Freed (um dos primeiros grandes divulgadores do rock). Logo depois, voltou para o estúdio e produziu dois grandes hits: a balada “Donna”, composta para uma paixão dos tempos de colégio, e a releitura de “La Bamba”, canção tradicional mexicana que Ritchie quis gravar após cruzar a fronteira e dar um passeio por Tijuana. Estes dois sucessos massivos (mais outros de projeção menor, como “Ooh! My Head” e o cover de “We Belong Together”) chegaram aos mais altos degraus das paradas de todo o país. Ele tornara-se estrela nacional e por isso foi convidado pela produção de Holly para juntar-se à Winter Party Tour em janeiro.


A carreira de Ritchie Valens durou menos de um ano. Foi a ascensão mais meteórica da histórica da música pop internacional, interrompida bruscamente por um acidente aéreo (fato que, quase quatro décadas depois, seria reprisado de maneira semelhante no Brasil, pelo Mamonas Assassinas). Tudo indicava que depois de “La Bamba”, Valenzuela – um moreninho de estrutura corpórea mais rechonchuda, que destoava de qualquer “americano típico” branquela – mergulharia de cabeça na adição de latinidade ao rock’n’roll, sempre gravando “ao vivo” no estúdio. Seus futuros discos ganhariam em punch e criatividade, mas o destino falou mais alto. É que minutos antes do embarque, Ritchie ganhara na moedinha um sorteio feito com um músico da banda de Holly, para ver quem ocuparia o quarto assento do avião.
 
 


BIG BOPPER

Mano da rima



De J. P. Richardson sabe-se muito pouco. DJ revelação, ele havia começado a dar seus primeiros passos como cantor, sob o pseudônimo de Big Bopper. Seu único compacto, que estourou nas paradas meses antes da turnê com Holly, chamava-se “Chantilly Lace”. Era um pop de qualidade, que vocal quase falado, sempre rimado e com poucas pausas entre as frases (teria sido o primeiro rap da história?).


A julgar pelo resultado da estréia, poderia render ótimos frutos ao redirecionar o rock para um terceiro novo caminho. Contudo, o mal-estar freqüente sentido por Richardson entre as paradas das turnês fê-lo convencer Jennings a dar a ele seu assento no avião para que pudesse ter tempo suficiente de se consultar com um médico antes de se apresentar novamente.


Com o American Pie espatifado na neve, o rock’n’roll perdeu três de suas grandes promessas para um futuro de mais inovação. Até o ano seguinte (1960) todos os demais astros pioneiros do estilo estavam mortos (Eddie Cochran), retiraram-se de cena por livre e espontânea vontade (Elvis Presley, Little Richard) ou tinham a carreira destruída por acidentes (Gene Vincent, Roy Orbison) e escândalos (Chuck Berry, Jerry Lee Lewis).


Os poucos que se salvaram acabaram optando por levar a carreira ao country mais tradicional (Carl Perkins, Bill Haley, Johnny Cash). Os Estados Unidos enfrentariam quatro longos anos de marasmo criativo na indústria fonográfica e a chama do rock só viria a ser acesa novamente quando os Beatles comandaram a Invasão Britânica, que cruzou o oceano Atlântico para dominar sem dó nem piedade as paradas de todo o território americano. E também do mundo.



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