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Entrevistas: Nerdquest / Cláudia Reitberger
Terça-feira, 5 de Agosto de 2008 (23:07:27)


Cheio de referências a HQ, RPG, literatura, cinema, séries de tv, videogames e principalmente música, o livro Nerdquest, de Pedro Vieira, é um reflexo fiel da rotina de jovens que vivem (n)o universo pop. Num texto despretensioso conta o momento de Lucas, que acaba de sair da faculdade e tem de se deparar com a "vida real". Por Cláudia Reitberger





NERDQUEST
Pedro Vieira
Ed. 7Letras
104 páginas
Formato: 14 x 21cm
Preço: 28,00


Cláudia Reitberger



Quando Paul McCartney foi sacaneado por “só fazer canções de amor”, ele mandou a resposta em “Silly Love Songs”:  “you think the people had enough of silly love songs/ I look around and I see it isn´t so/ some people wanna fill the world with silly love songs/ and what´s wrong with that? I´d like to know cause here I go again/ I love you! (...) Love isn´t silly at all” (você acha que as pessoas estão cheias de tolas canções de amor, eu olho por aí e vejo que não é assim, certas pessoas querem encher o mundo com tolas canções de amor – e qual é o problema? Quero saber, pois aí vou eu de novo – eu amo você – o amor não é tolo de modo algum!).


Milhares de canções e livros foram e continuarão sendo escritos também para dizer de várias formas diferentes seja você mesmo, não quem os outros esperam que você seja; faça o que você quer fazer, e não o que os outros querem que você faça.  Em Nerdquest, primeiro livro de Pedro Vieira (7 Letras), a mensagem encontra novamente um meio de se fazer notar. 


Cheio de referências a HQ, RPG, literatura, cinema, séries de tv, videogames e principalmente música - ou seja, um reflexo fiel do mundinho de jovens não-playbas, geralmente chamado de universo pop -, o texto despretensioso conta o momento de Lucas, recém-saído da faculdade (e toda a sensação de limbo atrelada).  Enfrentando dilemas amorosos e existenciais, sem perspectivas profissionais, ele tem de reavaliar suas prioridades frente à “vida de adulto” que se impõe sem perdão.


Como o livro acaba muito rápido, fica o gostinho de quero-mais que pode ser aplacado no blog de Pedro:  http://www.e-lric.blogspot.com/



Sobre o autor

Pedro Vieira nasceu no Rio de Janeiro, em 1979. É tradutor de inglês e espanhol, com interesse especial em literatura. Desde os 12 anos é irrecuperavelmente viciado em jogo de RPG, histórias em quadrinhos e ficção científica.


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Entrevista Pedro Vieira

MESTRE DO INACABADO




Qual foi a mola propulsora para escrever o livro?


Um pouco foi a vontade – e necessidade – de preencher meu ócio voluntário e angustiante com algo produtivo. Mas o resto foi cerveja. Ah, esquece essa história de preencher ócio, foi cerveja mesmo.


Por que só agora o escreveu? 

Na verdade, eu fiz outras tentativas literárias antes e nenhuma havia dado nem vagamente “certo”. Quando escrevi o livro eu já tinha me formado (em Desenho Industrial, na UFRJ, qualquer coincidência com o personagem principal do livro é mera semelhança, risos), mas, ao mesmo tempo, já tinha passado pelo clássico processo de “crise existencial”. Foi nesse hiato nebuloso em que eu estive completamente “clueless” que o livro começou a ser escrito. De certo modo, eu achei que valia a pena registrar “aquilo”, que talvez fosse dar uma história interessante – sem muitos escrúpulos em acrescentar os elementos autobiográficos que insistiam em continuar surgindo.


Não acha um pouco curto demais? Dá vontade de ler mais, é cativante.

É, o livro é curto mesmo, mas acho que tem o tamanho certo. Não pensei em me alongar demais, até porque não sabia se alguém ia se interessar em ler, risos. E, mais cedo ou mais tarde, a graça ia acabar, né? (Ou não, vai que eu conseguia enrolar mais umas duzentas páginas? Hehe).
 

Pedro, você é o Lucas?

De certa forma, sou todos os personagens no grupo de amigos do Lucas.  Tenho um pouco de cada um deles, um pouco maquiado, um pouco exagerado, mas mesmo assim estou lá. Não tem como negar.
 

Quanto tempo levou para escrever o livro?

Eu não escrevi de uma vez, não tinha tempo para me dedicar exclusivamente ao livro nem nada, tinha voltado a estudar (hoje faço Letras) e trabalhar, essas coisas que a vida real te obriga a fazer pra poder pagar a cerveja no fim de semana. O livro foi caminhando lentamente, mas acho que não demorou mais do que um ano.
 

O que você acha que mudou mais drasticamente na geração dos 90´s para a dos 00´s?


Vou me render ao eterno novo clichê e botar a culpa na internet (risos). Em termos de cultura pop-nerd-alternativa-etc, é graças à internet que podemos baixar a nova sensação do rock independente sueco antes que as gravadoras descubram e mandem as rádios massacrarem em nossos ouvidos ou descobrir tudo o que o Neil Gaiman fez passando as férias no set de filmagem do Hellboy 2.  A internet fez maravilhas pra cultura pop, nunca existiram tempos mais maravilhosos para ser nerd do que o fim dos anos 90 e começo deste século. Hmm, talvez o Jurássico (eu sempre fui fissurado em dinossauros, hehe). O importante é que as novas gerações têm possibilidades que eu, com meus saudosos 15 anos, nem sonhava. Sim, estou realmente falando da quantidade de pornografia grátis na internet (risos).


O que te apertou mais a alma ao fim da faculdade: o fato de se deparar com o fim de uma rotina diária legal ou o ter de encarar a “vida adulta”?

Bom, não havia muita rotina legal na faculdade, porque eu nunca cheguei a me identificar com o curso e estava só terminando a faculdade mesmo pra me livrar – e pros meus pais não me encherem o saco em casa, claro. A única rotina legal era tomar cerveja, mas eu descobri rapidamente que não precisava da faculdade pra fazer isso! (risos). O que aconteceu de drástico foi me ver preso a um subemprego que eu detestava e sem perspectiva nenhuma de “evoluir” (ponho entre aspas pra você não achar que eu sou um Pokemon – risos - essa foi infame, admito). O jeito era tentar uma mudança radical, era isso ou passar o resto dos meus dias trancado em casa, jogando World of Warcraft, em fuga do maldito mundo real. Não sucumbi ao World of Warcraft e até hoje me orgulho disso. HAHA.
 
 
Você acha adequada a definição de “nerd” para um tipo de jovens que estão mais para outsiders ou “alternativos” do que para o estereótipo do que se acostumou a chamar de nerd realmente?

O termo “nerd” acaba agregando um monte de coisas teoricamente negativas. Nenhum adolescente curte ser chamado de nerd pelos colegas (nesse caso, certamente o rótulo “alternativo” seria mais bem-vindo). Mas é isso, na adolescência/pré-adolescência, ninguém quer ser o “nerd” da escola, porque obviamente vai ser o mané sacaneado pelos “preibóis” e que não pega ninguém. O estereótipo negativo é esse e, às vezes, pra quem olha “de fora”, tanto faz qual é o rótulo, acabam jogando tudo no mesmo saco: nerd, grunge, emo - tanto faz como tanto fez. O cara joga RPG, assiste animes ou escuta heavy metal? Dá no mesmo, porque se ele não vai todo dia pra academia, não gosta de praia ou não assiste o BBB, os colegas da escola vão logo tacar um rótulo que no fundo quer dizer “esquisito”. É meio radical, meio preto e branco, mas é assim que as escolas funcionam, as pessoas são cruéis. Felizmente, depois as coisas se diversificam, a vida universitária abre muitas portas, e, hoje em dia, a internet ajuda muito para que as pessoas com gostos/hobbies/vícios em comum se conheçam. Por isso acho que o termo nerd deixou de ser um estereótipo depreciativo –  hoje em dia nenhuma definição é 100% adequada, a não ser que seja algo bem genérico – “alternativos” ou “outsiders”, por exemplo. Acontece que são traços culturais mesmo, fenômenos das gerações atuais: os rótulos são cada vez mais engraçados, porque se tornam bizarramente complexos para tentar definir tribos que são indefiníveis e vão agregando traços cada vez mais diversificados e de outras “tribos”. Ou seja, escrevi duzentas palavras e não respondi a pergunta! Quase como numa prova de lingüística na universidade, HAHA.
 

Quando vem o próximo?  Vai rolar uma continuação de Nerdquest ou será algo totalmente novo?

Assim que o combo universidade + trabalho der uma folga eu penso em escrever algo. Tenho uns contos escritos (vários com temática meio “nerdquestiana”) e alguns projetos de livros inacabados – eu sou mestre em inacabar coisas, inacabo praticamente tudo que começo. Sobre uma continuação do Nerdquest mesmo, bom, não sei. Time will tell...


E afinal de contas – Vingadores ou Liga da Justiça?

Iiiih, isso é cutucar a onça com vara curta. Com quantos caracteres posso responder? Olha que a resposta vai dar uns três Nerdquests! Essa é a típica pergunta que rende várias cervejas, nenhuma conclusão imparcial e algumas ameaças de morte. Óbvio que é a Liga da Justiça. Mas não se surpreenda se qualquer dia desses eu responder Vingadores. Ou Tropa Alfa. Ou o Conan. Pô, na verdade o Conan ganha de todo mundo, não tem caô!
 

Descreva-se em três palavras...

Pra fazer trocadilho besta com D&D: “Level one writer” (tive que colocar em inglês, porque “escritor de nível um” ia extrapolar meu limite de três palavras, risos).  Ah, pode ser também GANGBANG ZOMBIE FREAK. Sempre tive um fraco por zumbis e gangbangs.



_Dê uma olhada também na matéria Movimento Orgulho Nerd


Sobre o Top 10 dos nerds, Pedro comenta: “Não dá pra discordar daquele Top10, são todos unanimidades. Mas eu faria uma adição (hm, um Top 11).  Acrescentaria o Gary Gygax, o hippie maluco que criou o primeiro RPG propriamente dito, o bom e velho Dungeons & Dragons. Se não fosse ele, eu provavelmente teria perdido a virgindade uns três anos antes (risos).”





 
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