Amigos há mais tempo do que conseguem lembrar, os três franceses de Grenoble formam desde 1998 o Chicken´s Call. Eles dizem que tocam anarcopunk melódico e que já fizeram mais de 100 shows em vários países na Europa e em uma tour no México. Em sua primeira tour no Brasil, a banda toca de 4 a 20 de julho. Leia entrevista. Por Márcio Sno
CHICKEN´S CALL
Márcio Sno
Tradução/Adaptação Leonardo Panço
Amigos há mais tempo do que conseguem lembrar, os três franceses de Grenoble formam desde 1998 o Chicken´s Call. Eles dizem que tocam anarcopunk melódico e que já fizeram mais de 100 shows em vários países na Europa e em uma tour no México. Foram bem mais de 100, hein, caras. Eles só lançaram vinil. E pronto. Um 7" em 2003, um 10" em 2007 e um split 7" em 2008. Têm sua própria gravadora para estes trabalhos, mas aceitam que amigos dêem ajuda. Selos como Acclaim Collective do Japão, Perce Oreille e Taenia Solium da França. Sempre marcam suas turnês na Europa eles mesmos, distribuem seus próprios discos, gravam em estúdios alternativos.
”Não é somente a música”, diz o cantor/guitarrista David. “O Faça Você Mesmo tem que prevalecer. Achamos que recebemos um bom feedback em relação a nossos shows e discos. No ano que vem lançaremos um LP com vários selos internacionais.”
Em sua primeira tour no Brasil, tocam de 4 a 20 de julho e as primeiras datas estão sendo fechadas no momento pela Tamborete Entertainment –
www.tamborete.com.br Confira e entre em contato para as datas em aberto:
Chicken´s Call - Tour Brasil - 10 anos 10 canções
04/07 - Outs - SP - Com Inocentes e Zefirina Bomba
05/07 - Catedral Bar - SP
06/07 - ABC - SP - Com Zefirina Bomba
09/07 - Porto Alegre - RS
10/07 - Curitiba - PR
11/07 - Campinas - SP - Com Magüerbes
12/07 - Espaço Impróprio - SP - Com Desarme da Colômbia
13/07 - São José dos Campos - SP
16/07 - Noise Terror - SP
17/07 - Londrina - PR
18/07 - Volta Redonda - RJ - Clube Filatélico - Com Iguanas.
19/07 - Realengo - RJ
19/07 - Heavy Duty - Rua Ceará, Trevas - RJ - 22h
21 3341 9072
Dez anos de banda, mais de cem shows, tours pela Europa, México e tal. Qual o balanço que fazem para uma década de Chicken's Call?
Oi, uau. Seria muita coisa para falar realmente. Olhando em retrospectiva, é muito louco que ainda estejamos tocando, porque quando começamos, não tínhamos sequer instrumentos, não sabíamos tocar. Estávamos só zoando, fumando maconha no fundo da casa dos nossos pais e não tínhamos idéia de que iríamos fazer um show algum dia, muito menos fazer turnês, lançar discos e tudo mais. Mas se tornou uma coisa enorme em nossas vidas com o passar dos anos, e ainda é muito divertido fazer e não há razão para parar. Nos conhecemos há tanto tempo, somos amigos, não somente companheiros de banda, essa é uma das razões para que ainda estejamos tocando. Pra resumir, em dez anos, conhecemos tanta gente legal, tocamos em lugares legais por toda a Europa, tivemos tantas oportunidades de viajar bastante com a banda para tocar e gravar. Todas grandes experiências e muitas e muitas boas memórias.
No blog da banda (www.lustcrust.org) consta que vocês criam seus sons de forma "lenta, lentamente sempre e sem pressa". É por isso que lançaram poucos títulos nesses dez anos? Quantas composições tem o Chicken's Call?
Sim, o que eu quis dizer com isso é que é verdade que usamos nosso tempo para tentar fazer boas músicas, então testamos um monte de coisa diferente em pequenos detalhes em nossa música até que todos fiquem satisfeitos. E também só podemos ensaiar três horas por semana, o que não é muito, e sempre trabalhamos nas nossas músicas antigas se temos uma tour ou um show. Amamos fazer novas músicas, mas é mais um problema de tempo. Não somos preguiçosos. Haha! Gravamos 21 músicas no total. As duas primeiras para uma coletânea, mas elas são ruins. Oito para uma demo, quatro para nosso primeiro 7", quatro pro 10" and duas pro split 7", mais uma música para uma coletânea japonesa. Só tocamos dez músicas ao vivo agora, as que gostamos mais.
Vocês se conhecem desde a infância. Ainda não enjoaram uns dos outros?
Hahaha. Não, a gente está sempre junto, saindo junto. Somos como um velho casal, mas formado por três pessoas.
Até meados dos anos 90, quase sem internet e seus recursos, as bandas tinham dificuldades de lançar e distribuir suas músicas. Hoje, em tempos de alta tecnologia, vocês se recusam em lançar discos no formato CD e a divulgar suas músicas em sites como Myspace. O que leva vocês a nadarem contra a corrente? Lançar um LP em vinil é um gesto de nostalgia ou repúdio ao formato digital?
Sobre CDs, não nos recusamos a lançar CDs, só que nunca tivemos músicas suficientes de uma vez só para fazer um álbum em CD. No ano que vem quando tivermos músicas suficientes, vamos lançar um LP e quem sabe, talvez uma versão em CD também... Então não temos nada contra CDs, isso seria estúpido. Especialmente porque CDs são muito mais comuns em certos países, onde as pessoas não têm bons tocadores de vinil ou mesmo não podem comprar vinis (que são mais caros para produzir). Eu acho no entanto que vinis são objetos mais legais que CDs, tem mais personalidade de um certo modo, e também o som é mais "quente" e vivo que o som digital. Em relação ao myspace, é diferente, sim, nos recusamos a ter um. Em 3 ou 4 anos, todo mundo passou a ter isso e se você não tem, sua banda não existe. Foda-se isso. Como os punks faziam alguns anos atrás? Eu acho que o faça você mesmo era sobre criar novas estruturas. Não leva muito tempo para fazer seu próprio site (e você também não coloca dinheiro nos bolsos de Rupert Murdoch). Mas isso não quer dizer que eu não goste de todas as bandas que estão no myspace, só acho um pouco estranho que ninguém questione isso. E não é porque não temos myspace que nos recusamos a distribuir nossa música na internet. Todas nossas músicas estão em nosso site, todas podem ser baixadas, então sintam-se à vontade para fazer isso.
No Brasil parou-se de produzir discos em vinil por conta da popularização do formato CD, fechando diversas fábricas que prensavam em vinil (existe apenas uma empresa no Rio de Janeiro). Como está esse tipo de produção na Europa e mais especificamente na França?
Ainda há muitos vinis na cena DIY punk na França e na Europa no geral e acho que esteja em queda. Diria que é meio a meio talvez...Vinis ainda são populares na cena hiphop, techno, reggae, então as fábricas não estão desaparecendo e acho que não vão. Acho que ainda há uma ou duas na França, prensamos nosso último na Holanda e o outro antes na República Tcheca.
Vocês definem o som de vocês como anarcopunk melódico. Mas ao ouvir, recebemos uma paulada sonora que chega a beirar a um crustcore. Vocês ao definirem o som de vocês assim estão sendo "bonzinhos" ou preparam uma surpresa para quem ainda não conhece a suas músicas?
Bem, acho que é um pouco difícil definir sua própria música, você sabe... é engraçado porque nós respondemos uma outra entrevista em que o cara disse que não parecia anarco punk, e que era só punk rock melódico, então acho que estamos em algum lugar entre o punk rock melódico e o crust, o que seria verdade. E não, definitivamente não dizemos que é melódico pra mais gente vir ao show. Só tentamos dizer mais ou menos o que elas podem esperar.
O que (ou quem) fez vocês tocarem esse som e a ter postura anarcopunk?
Uau, muitas bandas, pessoas e lugares, muitas experiências de vida. Não vou fazer uma lista de bandas aqui, são muitas de que gostamos e que nos influenciaram. Costumamos ouvir um monte de punk rock melódico, e ainda fazemos isso, mas com o tempo passamos a ouvir mais crust e anarco punk como você disse, então acho que nosso som tem sido influenciado por isso. Quando éramos mais jovens, descobrimos o mundo do faça você mesmo indo em shows em um squat em nossa cidade, longe da vizinhança onde morávamos. Nesse tempo era totalmente novo para nós, vimos muitas grandes bandas de fora e descobrimos um mundo onde o punk e o anarquismo estavam intimamente ligados. Esse microcosmos com punks, squatters, ativistas, anarquistas todos juntos. Foi lá que vimos pela primeira vez material sobre vegetarianismo, squating, distros independentes. Não deixamos esse mundo desde então e nos tornamos cada vez mais participantes. Acho que todas as pessoas legais que conhecemos nessa cena durante esses anos são responsáveis por quem somos agora.
O movimento punk teve grande força até a década passada aqui no Brasil. Hoje em dia, são poucos os punks que atuam. Como está na França? Aí é possível praticar a autogestão? Quais são as principais atividades anarcopunks que realizam?
Acho que o movimento punk na França é bem forte, pelo menos não acho que esteja caindo nos últimos dez anos. Sempre é possível criar sua autogestão, num coletivo pequeno ou grande, em uma banda, em um espaço (casa, squat, o que for). Então sim, acho que em todos os lugares há pequenos focos de uma sociedade anárquica acontecendo bem agora. A questão é como fazer para isso se tornar maior e fazer pessoas da sociedade em geral saber que outra maneira é possível?
Estamos envolvidos em diferentes coisas, no geral a gente coordena um lugar anarquista, um infoshop, que alugamos com nosso próprio dinheiro com outras seis pessoas. Temos muitos livros, punk distros, acesso grátis a internet, café, um local para encontros. Abre quatro vezes por semana. Também organizamos coisas lá, debates, filmes, workshop de texto, encontros somente de mulheres, cursos de culinária vegan e muitas outras coisas. Alguns de nós estivemos envolvidos na cena de squats também. Organizamos shows (beneficentes ou não) para bandas em tour às vezes. Além do grande tempo que gastamos com a banda lançando os discos, distribuindo, marcando shows, pintando as camisas e os patches, mantendo o site, consertando a van.
Como é levantar a bandeira anarcopunk vivendo num regime capitalista?
Pode ser visto como algo sem esperança às vezes com certeza, mas não temos escolha, sabe. Acreditamos de verdade que este sistema está errado e não queremos fazer parte dele, então criamos alternativas. E a boa coisa é que em todo lugar para onde viajamos para tocar, conhecemos pessoas que fazem e pensam o mesmo, então ainda há esperanças. Vamos, punks.
Em 2006 vocês abriram mão de gravar o primeiro LP num estúdio profissional para se aventurarem num estúdio de um amigo na Holanda. Não acaba saindo caro levar o DIY ao pé da letra?
Bem, na verdade é muito mais barato. Quando fomos gravar na Holanda, nosso amigo gastou seis dias gravando conosco, dez horas por dia e no final demos algum dinheiro para ele, para que ele pudesse comprar mais material para melhorar o estúdio. Se tivéssemos gravado em um estúdio profissional, teria sido três ou quatro vezes mais caro e o astral não é bom. Assim, o estúdio é na casa dele, muito mais relaxante para gravar e você não tem que pensar na pressão financeira. Mas gastamos muito dinheiro com a banda, o que mais podemos fazer? Se não nós, quem pagaria por isso? Nenhum grande selo assinaria com a gente e se quisesse, recusaríamos. Mas tentamos pegar alguma dessa grana de volta vendendo nossos discos, camisas e buttons. Não está tão mal na verdade.
Para vocês, qual é a melhor forma de governo (ou anti-governo)?
Vou escolher a resposta fácil para essa e dizer que o melhor tipo de governo é o não governo.
No primeiro EP há a frase "a liberdade não se dá... ela toma-se". O que é liberdade para vocês?
Essa é uma questão difícil, poderia escrever um livro para responder. Para resumir, liberdade é viver em uma sociedade em que todas as formas de repressão fossem abolidas, em que o sistema não existisse. Onde todos trabalhassem pelo benefício de todos, onde não seríamos forçados a achar um trabalho apenas para conseguir comida, casa e água. Não é sobre todos fazendo qualquer coisa que quiserem todo o tempo, sem se importar com os outros. Não podemos ser livres enquanto todos não forem. Liberdade não é votar a cada cinco anos em alguém cujos interesses não são os nossos, liberdade é decidir por nós mesmos. Acreditamos que temos que ter um senso alto de nossa própria responsabilidade ao invés de nos apoiarmos em coisas como leis. E sim, liberdade não vem sozinha, você tem que conquistá-la, seja aprendendo a pensar por você mesmo e mudando seu próprio comportamento, ou protestando nas ruas.
No histórico da banda vocês citam que "crer que uma mudança radical de sociedade se fará apenas com punks é para nós totalmente estéril e ilusório". Além do punk, o que mais sugere para mudar a sociedade? Aliás, qual é a sociedade ideal?
Sim, porque o mundo não é feito somente para punks, então se queremos mudanças reais, não devemos nos excluir do resto do mundo, do mundo "real". Precisamos espalhar nossas idéias e nossas maneiras de funcionar para todo mundo, no local de trabalho, nos lugares em que vivemos, e no modo de interagir com outras pessoas. Acredito que o anarco-sindicalismo também possa ser uma grande ferramenta de mudança. Apenas mostrando aos outros que você pode fazer as coisas de maneira diferente, é uma propaganda em si. Por exemplo, só de ser vegetariano, as pessoas sempre perguntam coisas sobre isso pra você, e algumas mudam seus pensamentos sobre o assunto.
Vocês fizeram recentemente uma tour no México. Como foi essa experiência latino-americana e como foi o choque com a realidade terceiro-mundista?
Na verdade a tour no México foi com outra banda, Daily O.D. que é como um projeto paralelo de dois de nós três com outras pessoas. É mais crust, é possível ouvir no nosso site também (
www.lustucrust.org). Foi uma grande experiência, realmente um tempo bom. Todos os punks que conhecemos foram tão legais conosco e tão entusiastas, eles realmente queriam falar com a gente depois do show, foi muito diferente da Europa onde as pessoas são mais tímidas, eu acho. Nós fomos a alguns lugares incríveis como um bairro inteiro de squats in Queretaro, e um squat na Cidade do México, onde aprendemos e ouvimos sobre as lutas para manter esses lugares. Claro que é uma situação difícil no México, muitos problemas com a polícia corrupta e violenta. Você pode dizer somente pela atitude deles que eles sabem que podem fazer o que quiserem. Nosso encontro com a polícia foi sempre desagradável. Em alguns lugares em que tocamos, os punks também têm problemas com gangues. Ficamos muito impressionados com a capacidade de organização que eles têm lá, apesar da falta de dinheiro e dos problemas. Realmente inspirador.
É possível viver de música na França ou vocês sobrevivem por outros meios? Quais?
Não, não é possível. Não na cena punk. Como te disse nós mal recuperamos o dinheiro que investimos, então não é possível viver disso no geral. Mas tudo bem, é nossa paixão. Temos empregos, mas tentamos não trabalhar o tempo todo. Alguns de nós ficaram desempregados por algum tempo. Se você não gasta muito dinheiro, é possível sobreviver sem um emprego, se você vive em um squat, é mais fácil ainda. É relativamente fácil conseguir comida reciclada nos fundos de supermercados e restaurantes e conseguir algum dinheiro do seguro desemprego, apesar de não ser muito e mesmo que isso esteja ficando cada vez mais difícil. Agora temos um governo de direita e eles atacam os pobres. Mas temos que trabalhar em algum momento e isso nos permite lançar discos, ter nossa própria van etc...
Vocês possuem um selo, que é por onde vocês lançam os discos do Chicken's Call. Vocês lançam outras bandas? Como é feita a distribuição?
Sim, nós lançamos nossos três discos, mas alguns outros selos nos ajudaram. Não lançamos outras bandas, mas talvez isso aconteça algum dia. Nós já gastamos muito dinheiro com a banda, então é difícil ajudar outras bandas. Nós mesmos fazemos a distribuição com os outros selos envolvidos no projeto. Do último disco, mandamos cem cópias para o Japão e o cara do selo está cuidando dessa parte lá. Trocamos discos com outros selos europeus e de fora, vendemos os discos nos shows. Nos livramos deles bem facilmente.
Agora em julho vocês farão uma tour no Brasil. Quais são as expectativas para essa visita?
Esperamos encontrar pessoas legais, tocar em bons shows e descobrir muitas coisas sobre a cena brasileira e sobre as bandas. Descobrir novos lugares é sempre excitante, com ou sem a banda, e nenhum de nós esteve na América do Sul e no Brasil antes. Acredito que vamos aprender muitas coisas e provar o álcool local provavelmente. Hahaaha.
É coincidência ou tem algum motivo especial para comemorar os dez anos da banda aqui no Brasil?
É nosso aniversário de dez anos juntos, então é uma maneira de comemorar, mesmo que não tenhamos combinado isso durante anos. Mas o Leonardo (Panço, guitarrista do Jason) concordou em nos ajudar em marcar a tour, então ele fez acontecer, obrigado a ele.
Em 2006 vocês fizeram 15 apresentações em 5 países. Nessa vinda ao Brasil vão fazer 12 apresentações. Como é isso para vocês?
Sim, fizemos isso, e na última tour foi a mesma coisa (14 em 7 países). É porque a Europa é pequena se comparada com o Brasil. É ótimo fazer 12 shows no mesmo país, acho que você aprende mais sobre os costumes das pessoas e sobre a atmosfera do lugar. Quando você muda de país o tempo todo, é um pouco frustrante, você quase não tem tempo de aprender algumas palavras e entender o dinheiro do lugar, e já está saindo fora de novo.
O que vêem daqui que querem conferir de perto? O que conhecem da música brasileira?
Não conhecemos muitas bandas na verdade. Conhecemos Jason e No Rest, que tocou por aqui várias vezes e tocou em nossa cidade, e também Os Replicantes. Fizemos três shows com eles na Suíça em nossa primeira tour em 2006. Conheço Execradores e, claro, Ação Direta e Ratos de Porão. I shot cyrus e Agrotóxico também andaram tocando por aqui. Acho que conheço algumas outras, mas esqueci. Creio que é porque é muito caro enviar os CDs e fazer tour na Europa, que não há muito contato. Então queremos ouvir novas coisas daí que não conhecemos ainda.
Vocês pretendem lançar um LP no próximo ano por vários selos internacionais. Há possibilidade de uma versão brasileira?
Espero que sim. Seria ótimo ter alguns selos brasileiros em lançar em CD, por exemplo, certeza. Seria ótimo, vamos ver o que acontece.
O que o público brasileiro pode esperar dessas apresentações do Chicken's Call?
Esperem a melhor época de suas vidas. Não, brincadeira. Esperem energia, boas melodias e política. Português ruim e inglês ruim também entre as músicas. Venha e se divirta com a gente. Cheers e muito obrigado pela entrevista, nos vemos nos shows.