
Não faço idéia – e nem preciso confessar - de quando vi a
banda ao vivo em cima dum palco pela primeira vez. Chutando, talvez errasse pra
bem mais ou pra bem menos. Fora que nem quero me dar a esse trabalho. Não num canto onde nem uma conexão existe pra
entrar no Google, dirá decente. Noite sem MSN. Mudaria tudo. Por Caco Ishak

MADAME SAATAN
Diários Saatânicos – ou como deixei de ser pateta
Capítulo 2
Caco Ishak
Numa dessas, recém-saído da vida de casado – e talvez,
portanto, nem chegasse a sair – não teria dado tanto mole pra essa coisa ruim
que te leva a bisbilhotar a vida dos outros por necessidade nem tanto própria
quanto da sociedade chefe-mãe-cafeteira pra se manter viva nesse ciclo doido
que, inventaram, ela tem que te levar. Fofoca. Coisa de jornalista. Fifi
profissa. Com DRT e tudo.
Mas dei. Resolvi sair por aí perguntando cabeludas sobre
tudo o que tinha deixado de ver e ouvir fosse pela pouca idade ou um tanto
avançada na cabeça de um pai-de-família sério e comprometido com o sustento da
casa – também pra arrumar uns pilas a mais que sobrassem pros tragos nas noites
de solteiro em busca de qualquer coisa que o Messenger fosse capaz de me
disponibilizar pra noite seguinte. Só não esperava por uma pauta. Não como
aquela – tudo bem, fato, esperava sim. E ainda corri atrás. Mas não como aquela
tão aquela como ela era.
Pudesse, talvez errasse pra bem mais ou pra bem menos. Ainda
que me desse ao trabalho de repetir tudo de nover and over again. Se de
propósito ou mera licença poética pro dia nascer feliz (ainda que na mais
ingênua das intenções não percebidas), verdade é que talvez tenha enchido a
cara a fim de adiar pra bem mais alguns momentos de bem menos tempo atrás e antes
dos primeiros festivais. Recém-saído de casa, mais que normal rasgar os
fundilhos das calças em pulos pra lá de maiores que as pernas e sair por aí
tacando pedra pra tudo quanto era lado.
Tinha que escrever uma matéria sobre a cena independente do
rock paraense - lavada, torcida e passada. Da ascensão de Roosevelt Bala à
queda de Alex Corujinha Zambba. "Farinha, Mel, Cachaça e... Rrrrock"
– como intitularia o editor da outracoisa, Adilson Pereira, aludindo ao chibé
adubado que papamos pelas selvagerias de cá. Seria a primeira de tantas vezes
que repetiria a velha história da Madame Saatan ter sido criada pra compor
"a trilha sonora da peça 'Ubu Rei - Uma Odisséia em Bundalelê', do diretor
Paulo Santana" - a cada vez, contada de um jeito diferente e haja cara
dura. Como nas ocasiões seguintes em que me encontraria mezzo travado mezzo
tranqüilo com o baixista Ícaro Suzuki depois de ter ido a sua casa apanhar um
CD com fotos de divulgação da banda que passariam pela edição.
Não que inexistisse uma conexão com a www entre eles que
pudesse me dispensar da caminhada. Existia. Apenas não ali, na vila Teta.
Continua
Parte 1
Caco
Ishak, 27, jornalista, autor do livro má reputação. Dizem que o segundo
- 0800-6669 - está quase pronto e que começou também a escrever seu
primeiro romance. Dizem que é possível encontrá-lo em seu blog, ciao
cretini www.verbeatblogs.org/cacoishak. Caco
Ishak acha que as pessoas falam demais.