
Com mais de 160 lançamentos virtuais em seu site, o Pisces Records coloca na praça o novo
EP do grandprix e o inédito do Pipodélica. Confira o papo com o dono do selo, Ulysses Christianini, sobre como foi o ano passado
para o mercado independente e quais as apostas para 2008. Por Olga Costa

Entrevista
ULYSSES CHRISTIANINI /
PISCES RECORDS
Olga Costa
Cinco anos após Amores, Melodias e Afins, o grandprix lança via
Pisces Records seis novas faixas numa evolução musical enorme: há mais
instrumentos, mais arranjos, e, o mais importante, mais idéias. O Pipodélica também
liberou o disco inédito que sai em breve via Pisces em www.myspace.com/pipodelica
. Além disso, o site do selo está com mais de 160 lançamentos virtuais. Confira
agora o bate-papo com Ulysses Christianini, dono do selo Pisces Records, de Bauru, interior de São Paulo,
sobre como foi o ano de 2007 pra o mercado independente nacional e quais as
apostas para 2008.
Quando você começou
com a Pisces Records?
A Pisces existe como projeto desde 1997. Cheguei a lançar
algumas bandas de Bauru em fita k7 e a organizar uns shows incluindo um
festival local que teve duas edições, o Plan 9 Fest.
E a sua atuação como
selo, quando foi?
Em 2006 com o lançamento do Thee Butchers Orchestra, em janeiro. Conhecia
a Debbie, da Ordinary Records, tinha um certo tempo e fomos trocando idéias,
daí ela me chamou pra parceria na edição nacional do Stop Talking About Music.
Nessa época qual era
a sua visão de mercado para bandas independentes?
Bem, nunca fiz nada pensando no retorno financeiro, sabia
que teria algumas complicações... Devido a ser um investimento de longo
prazo... As vendas ainda são limitadas variando de lançamento para lançamento,
mas posso dizer que no máximo um ou dois se pagaram... Para um país tão grande
como o Brasil mil CDs eram pra sumir rápido, ainda mais com os títulos que
trabalhamos, que na maioria das vezes têm uma boa aceitação na cena
independente. Falta uma estrutura de distribuição, tal qual as grandes
gravadoras possuem, o que poderíamos conseguir, mas afetaria no valor final do CD
e não temos a intenção de deixar os preços acima da média do mercado
independente.
Qual a tendência que
diferenciou o mercado de 2007, em termos de produção/divulgação?
A internet tornou-se a melhor ferramenta de divulgação de
música independente principalmente com os sites especializados. As gravações
ditas "caseiras" não existem mais, pois o acesso à tecnologia levou
qualidade a trabalhos produzidos em casa, é claro que sempre conta o
profissional por traz do equipamento, basta um bom computador, uma interface e
boa vontade, e se faz um belo trabalho tanto de produção como de divulgação.
Tanto que muitas bandas desacreditam em trabalhar com selos/gravadoras, achando
ser possível se dedicar a todo trampo sozinhos... Sim é possível, mas tem que
ser todos integrantes correndo atrás do desenvolvimento, divulgação, vendas,
shows etc. O que às vezes acaba por desgastar a banda e muitas vezes surgem
desavenças por motivos banais que levam a banda ao fim das atividades.
Quantos
artistas/bandas independentes a Pisces Records lançou ano passado?
Em CD: Rob K and Uncle Butcher, Los Vatos, The Darma Lovers,
Revoltz, Mariposa, Asterdon e Mono.tune.
Em compacto 7": Uncle Butcher and His one man band. Em vinil
12" - Del-o-Max. Virtual: Ciro Madd e The Name. Chegam ainda esta semana:
split CD - Backseat Drivers x Popstars Acid Killers, Mr. Spaceman e Os
Flutuantes, esses dois últimos em CD.
Álbuns lançados
apenas virtualmente são uma tendência que cresce entre os independentes?
Uma tendência, sim, mas que não afeta o mercado do formato
físico do disco, tanto que estamos fechando contrato com uma distribuidora
multinacional de música no formato mp3, independente do CD ser lançado
fisicamente ou não, mas tem a diferença de que a música será paga, o que difere
de pirataria e afins... O que acontece em outros países, talvez devido à
cultura e educação, as pessoas fazem download, sim, mas não deixam de comprar
os discos.
Sim, é verdade, até
porque a qualidade sonora é outra!
Sim, claro, tem uma perda na qualidade.
Você acredita que o
vinil possa a voltar?
No Brasil vai ser um processo vagaroso a aceitação,
principalmente pro mercado fonográfico... Já que após terem matado o vinil (na
Europa e Estados Unidos nunca pararam de fabricar) muitos sumiram com seus toca
discos, não se acha modelos novos baratos facilmente, não se acha agulhas e
peças de reposição. Nem as lojas têm estrutura para vender tal tipo de mídia
atualmente, mas têm uma clientela fiel. Muitos que às vezes nem são tão fãs da
banda, adquirem devido ao formato.
Que bandas você
destaca dentro do cenário hoje, não só musicalmente, mas também nas
apresentações ao vivo?
Mono.tune, Mariposa, The Stoned Sensation, The Name, Fluid,
muitas bandas andam se destacando tanto sonoramente quanto nas suas
apresentações.
Quais os planos da
Pisces para 2008?
Temos quatro lançamentos em CD. Wry, Cooper Cobras,
Fantomaticos e Rockassetes. Quero deixar o site da Pisces 100% atualizado
diariamente, com muitos lançamentos virtuais, investir mais em lançamentos no
formato vinil também... Nunca desistir, apesar das pressões de todos os lados,
pois muita gente não sabe o quanto é complicado se dedicar à cultura
independente...
Você tem planos de
parcerias com festivais independentes ou mesmo de organizar um?
Pretendo organizar um festival do selo... E, sim, parcerias
sempre são bem vindas.
Você recebe material
de bandas de todas regiões do país?
Sim e algumas internacionais também.
Quanto de material
você recebe em média? Qual foi a média de 2007? Cresceu em relação ao ano anterior?
Sim cresceu, uma média de uns cinco a dez CDs e CDRs ao mês,
sem contar links para baixar os discos, já recebi bastante coisa, no passado a
média era de cinco pra baixo, tem meses que recebo uns 30 CDs... tem meses que
chegam dois ou três.
Hoje em dia recebe
muito material de qualidade em termos musicais (composições) ou de produção (técnica)?
Ambos os casos, sinceramente ao meu ponto de vista, não
existe um sem o outro...
Entendo, você vê como
um todo pra jogar no mercado...
Sim...
Como você participa
na produção em geral com cada banda que é lançada pelo selo? Existe um padrão?
Existe ainda alguma pré-produção quando necessário?
Na maioria dos casos eu recebo material pronto... Outros
casos, acompanho de longe, faixa a faixa por mp3, algumas bandas locais
acompanho pessoalmente... Quando tenho tempo. Em 2008 quero acompanhar mais
todo o processo...
Você atua como
produtor?
Não, tenho nenhum padrão especifico, aliás, a Pisces não tem
ao selecionar bandas. Mais como um consultor, por enquanto, dando dicas sobre
as artes dos discos, mixagem e masterização etc. Isso até o estúdio do selo
ficar pronto, o que deve rolar em 2008/2009, daí terei mais tempo para atacar
de produtor, por enquanto apenas produção executiva.
Como produtor
musical, como você visualiza o mercado que irá atuar?
Irei atuar na produção de bandas mais experimentais,
pós-rock, guitar-indie... Que é o que cresci ouvindo... Mas sempre tentando
mexer com outros estilos... Até para pegar algumas manhas...
É o seu objetivo
profissional e pessoal, não de mercado, mas já tem bandas em vista?
Não, ainda é cedo para pensar... Mas bandas boas e que me
deixam com aquela excitação é o que não falta....
Em quais bandas e
estilos você aposta para 2008?
Rockassetes é uma das minhas apostas para 2008... É uma puta
banda de mod pop rock bubblegum . Cooper Cobras, que é bem rock and roll
cantado em português com uma bela pegada! Fantomaticos, que é de Porto Alegre e
passeia pelo rock psicodélico. Tem Telerama, de Fortaleza, pop rock de
qualidade, e The Name, de Sorocaba, rock anos 80.
Você lançou mais
bandas com letras em português ou inglês?
Oito bandas que cantam em português, uma em alemão, uma em
espanhol e oito em inglês ou seja, meio a meio!
As vendas não estão
ligadas ao idioma e sim ao som como um todo de cada banda?
Sinceramente, em relação ao mercado independente, não
afeta... Uma coisa que afeta muito é mudança de idioma de um disco para outro,
aí sim, pode afetar nas vendas, tanto para bem como para mal... Mas posso dizer
que na região sul do país vendemos mais no nosso idioma.
Você quer acrescentar
mais alguma coisa?
Bem, gostaria apenas de dizer que a Pisces está aberta a
todas as bandas, principalmente àquelas que sabem o quanto é difícil trabalhar
com música e que sabem que a pressa não traz bons resultados!
www.piscesrecords.com.br
contato@piscesrecords.com.br

Sobre grandprix
Ricardo Schott
Boa parte das grandes bandas de rock nacionais vêm se
destacando por sua capacidade em saber ouvir e filtrar tudo que há de bom no
rock atual e no antigo - numa época em que, graças ao advento do mp3 e ao
grande fluxo de informações, tudo parece acontecer ao mesmo tempo na cabeça de
vários jovens músicos. Há vários anos, não era possível mesclar determinadas
referências sem estar "traindo" o rock - e sem estar entrando nas
fileiras da MPB. Hoje, além das mudanças nesse quadro, o rock vem cada vez mais
descobrindo que pode ser romântico sem ser banal, falar de relacionamentos sem
soar distante do público roqueiro.
A banda carioca grandprix vem como um fruto desse momento em
que várias épocas se cruzam no rock - incluindo a batida meio dançante do new
rock, o sentimento das canções dos anos 60, o romantismo de muita coisa feita
no rock nacional dos 80 e até mesmo o tom contemplativo de muita coisa do Clube
da Esquina. Tem tudo isso no som do grandprix - cujo nome é assim mesmo,
escrito em minúsculas, para não ser confundido com um homônimo portenho.
Para o grupo, é importante se destacar pela originalidade -
mas as influências são citadas de cara. "Ouvimos muito Wilco, Radiohead,
coisas do Clube da Esquina, e o de sempre: Teenage Fanclub e Oasis", diz
Luiz Alberto Moura, vocalista, guitarrista e compositor de todas as músicas.
As seis canções de do novo EP ainda sem nome foram todas
feitas de três anos para cá, movidas pelo desejo de evoluir dentro do rock
nacional. "A gente não queria mais o som da nossa primeira demo. Tinha
muito do próprio Teenage Fanclub, que eu amo, mas não é mais o que eu quero
fazer".
Amores, Melodias e Afins já revelava uma banda bacana,
preocupada em fazer boas melodias e de olho numa qualidade pop que agora fica
cada vez mais clara para quem escuta o grupo.
Para Luiz, a idéia do grupo no novo EP é "fazer algo
que seja ainda pop, mas pensado e elaborado". Quem escuta o CD não tem a
menor dúvida. Isso transparece em músicas como a balada "Ainda bem",
uma canção moderna, ágil e tranqüila, com clima sessentista dado por um sutil
arranjo de metais e um resultado final que não tem nada a dever aos melhores
nomes do nosso pop - sinal absoluto de que falar para guetos não é o desejo o
grandprix. Um lado mais rock’n’roll, por sua vez, toma conta de outro som
romântico e ensolarado, "Três da manhã". Poderia ser uma canção do
Cure, coisa na qual Luiz não apostaria. "Duvido alguém ouvir grandprix e
falar: ' isso aqui é igual a...’", provoca.
De “Amores...” para cá, muita coisa mudou na banda. Luiz
hoje está cercado pelos amigos Rodrigo Belmonte (baixo), Rafael Kaufmann
(guitarra) e Pablo 'Cenora' Lins (teclados).
Só não mudou a vontade de criar, evoluir, arriscar.
"Queremos sempre nos trancar em estúdio e gravar, inventar, jogar coisa
fora. Nosso trato com a música vai além de combinar três acordes e colocar a
galera para cantar junto", avisa o cantor do grandprix, prometendo que o
pop do quinteto carioca irá sempre cada vez mais além.
http://www.myspace.com/grandprixrock