Bem vindo a portal rock press 21 anos!
  Olá Anônimo!
Busca  
discos básicos: Uno Palmo D'Lacraya, Sex Noise
Domingo, 20 de Abril de 2008 (18:30:49)

 

Clássico do rock underground carioca. 





 

O Novo Faz 10 Anos

UNO PALMO D'LACRAYA

Sex Noise

por Zé McGill

 

Naquele tempo, O Sex Noise de Larry Antha (vocal), Alex Dusky (guitarra), Mário Jr. (baixo) e Henrique (bateria), formava com Funk Fuckers, Cabeça, Gangrena Gasosa, Beach Lizards, Zumbi do Mato, Kamundjangos, Second Come, Acabou la Tequila e mais uma porrada de bandas legais, aquele que foi o período mais fértil da cena de rock independente da cidade. Um tempo em que as bandas esbanjavam anarquia, estripulia e, especialmente, criatividade.

O Sex Noise surgiu em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, formado por amigos de colégio. Antes de lançar o álbum supramencionado, pelo selo Tamborete, foram alguns anos de ralação e uma participação com duas faixas na coletânea Paredão, que saiu pela EMI, em 1997. Lançado no ano seguinte, Lacraya foi gravado e mixado em apenas quatro dias. A banda tocando ao vivo no estúdio. E o resultado... Brutal. Claustrofóbico. Pouco mais de meia hora de um sarcasmo barulhento e contagiante. Um disco tão peculiar quanto seu título.

"Certa vez, estávamos voltando de um show e, quando chegávamos em casa, uma lacraia enorme, quase do tamanho de uma cobra, atravessou na nossa frente. Aí o Mário Jr. falou de supetão: "Nossa, era um palmo de lacraia!". E como estávamos exatamente conversando sobre o nome do CD, o Alex automaticamente sugeriu o nome ‘Uno Palmo D'Lacraya’. Na época, brincávamos o tempo todo em portunhol. Nos imaginávamos fazendo sucesso na América Latina. Éramos felizes!", conta Larry Antha.

"Consumo", a faixa de abertura do disco, é um punk rock violento com versos tão singelos quanto: "Um monte de iogurte é tudo que eu sempre quis". Já "Hi! Society" é praticamente um reggae de conotação social, que lembra os momentos mais jamaicanos do Clash, como "Straight to Hell". A diferença é que, ao invés de atacar os USA e a Coca-Cola, a letra de Larry reclama que "A sociedade branca não aceita o meu nariz de batata".

Não há como negar que o que mais chama a atenção numa audição do disco são as letras do Antha. Há bons momentos de guitarra e baixo, e muitos bons momentos de bateria, mas quando um cara chega ao microfone e diz que: "Papai não me dava papá / Mamãe não me dava mamá / Titio não me deixava cagar", na vinheta de trinta segundos que tem o primeiro verso como título, fica difícil competir. Em "Elefantes Temem Pulgas", a última do CD, ele ainda tenta aplicar um golpe de falsa modéstia quando avisa: "Se você pensa que aqui tem alguém inteligente... não tem!". Mas, com essa, ele não enganou ninguém.

"Franzino Costela" parece ter sido arquitetada para instigar. Ela começa com Larry declamando seus versos magoados sobre a linha de baixo endiabrada e o acompanhamento discreto da bateria. Porém, antes de cada refrão, o baterista anuncia a catarse iminente com quatro golpes violentos sobre a caixa. Então a guitarra se une à cozinha e aos berros (Eu apanhava todo dia), transformando a música num trator que sai demolindo tudo que encontra pela frente.

A música chegou ao primeiro lugar na Rádio Cidade e teve boa execução do clipe na MTV. Não demorou para que "Franzino Costela" se convertesse numa espécie de hino particular da banda - que foi inclusive regravado pelo cultuado grupo punk de São Paulo, Os Inocentes - e propagasse o nome Sex Noise pelo Brasil. A banda caiu na estrada, em uma turnê que passou pelo Nordeste, Brasília, Curitiba e Goiânia.

A juventude não muito bronzeada do Rio – aquele pessoal que, ao invés de freqüentar o Posto 9 da praia de Ipanema, preferia bater ponto nos shows do circuito underground - guarda na memória as apresentações escalafobéticas do Sex Noise em buracos quentes como o Garage, Boate BANG!, Tá Na Rua, Lava-jato de Bangu, Circo Voador etc, e na estante empoeirada, aquele CD que traz na capa um moleque vestido com a camisa da banda (o filho do guitarra Alex), apontando uma arma pra cara do consumidor.

No som do Sex Noise, marcas dos hematomas provocados pelas sessões de porrada movidas a Stooges, Sex Pistols, De Falla, Ratos de Porão e Nirvana, entre outros. Eles sorveram toda a truculência e, porque não, sensibilidade desses caras, e produziram um disco que é uma pedrada. Um disco sem pudor, sem maquiagem e sem medo de levar pedradas de volta. Afinal, eles apanhavam todo dia. 

http://www.myspace.com/sexnoise

 

Zé McGill, 30, nasceu no estado do Oregon (EUA) mas ninguém acredita, pois seu nome é José. Jornalista, vive no Rio de Janeiro, é flamenguista doente e vocalista da finada Banda SereS. Editor da Revista

Foda-se (http://revistafoda-se.blogspot.com).





 
 Links relacionados 
· Mais sobre Rock Press
· Notícias por claudia


As notícias mais lidas sobre Rock Press:
Tudo que você queria saber sobre o U2


 Opções 

 Imprimir Imprimir


Tópicos relacionados



Todos os Direitos Reservados Portal Rock Press ©

PHP-Nuke Copyright © 2005 by Francisco Burzi. This is free software, and you may redistribute it under the GPL. PHP-Nuke comes with absolutely no warranty, for details, see the license.