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filmes: The Rolling Stones Shine a Light
Quarta-feira, 12 de Março de 2008 (21:20:49)


 

Rolling Stones por Martin Scorsese.






THE ROLLING STONES SHINE A LIGHT

(EUA / Reino Unido, 2008, 122 minutos)


“O palco é o nosso nirvana” – Keith Richards

 

Carlos Lopes

 

Gente, me perdoem. Sinto-me parte de outra geração ou de outro mundo como os Rolling Stones. Mas não estou morto, friso. Assim como eles. O que é raro hoje em dia é show de rock em cinema. Então, essa é a sua chance de ouvir e ver o melhor rock and roll do mundo com os pesos pesados da música e o peso pesado da direção juntos.

A filmagem de The Rolling Stones Shine a Light ocorreu em 2006, no Beacon Theater, em Nova York, com apoio da ONG do ex-presidente Bill Clinton, que "abriu o show" empregando a retórica do aquecimento global como plataforma para futura campanha. Fora os 30 convidados dele, a sogra do Clinton mais o ex-Presidente da Polônia, os Stones têm que fazer um pit stop para tirar fotinhas com deus-e-o-mundo dos bem relacionados. Enfim, pedras do ofício que não criam limo.

Na recente pré-estréia da película em Berlim, o vocalista Mick Jagger comentou que havia sugerido ao diretor que filmasse o concerto na praia de Copacabana. Oferta recusada com o argumento de que ele desejava algo mais íntimo. E é isso o que o filme foca: parte do universo íntimo da montagem de um show. Não é como um livro de revelações (encenadas) da Madonna com equipe rezando com as mãos dadas.

Mostra parte do que é – insipientemente – a preparação de um grande evento com organização (ou falta dela), divergências, sinusites e problemas técnicos como o ruído das câmeras. Há uma cena engraçada em que alertam o diretor que se Jagger for exposto por mais de 18 segundos à luz dos possantes refletores, ele pode literalmente "fritar", ao que Scorsese responde: "Não queremos Jagger frito!").

O show começa com "Jumpin´Jack Flash", o clássicos dos clássicos. O som? Perfeito. Guitarras sujas e bumbo presente, sim, senhor. Tecnologia que consegue dar sentido até mesmo aos nossos indisciplinados Stones merece o nosso respeito. "Shattered" arrasa em seguida. "She Was Hot?" Oh yeah, she was. Jagger included. As imagens atuais intercalam-se com uma antiga entrevista do desinibido vocalista onde ele diz que "canta há dois anos e acredita que vai cantar por mais três. Pelo menos por mais um ano certamente." Dá o que pensar. Metais no estilo "Do Leme Ao Pontal" intensificam a urgência do solo arrepiante de slide de "All Down The Line". No final até mesmo Charlie Watts bufa de cansaço. Deu canseira no cara mais descansado do show business.

 

Jack "Meg" White dos White Stripes, o primeiro convidado, canta com Jagger a lindíssima "Loving Cup". Arrepiam. Mas claro, ninguém é páreo para Jagger. A não ser o guitarrista Keith Richards que em antiga entrevista responde à pergunta "Quem é você?" "Sou Mick Jagger", ele responde. Alguém pode duvidar?

"As Tears Goes By" surge depois de um quase pedido de desculpas. "A gente tinha vergonha dessa música e deu para outro gravar", ele confessa. Ao término da composição tocada com uma viola com 12 cordas acrescenta "Não é tão ruim, não é?". Maldade com as lágrimas. "Some Girls" antecipa um lote de centenárias entrevistas sobre os problemas que os Stones tiveram com algumas drogas e a ortodoxia da religião nos anos 60 e 70. Incluindo aí a falta de paciência da banda com perguntas infantis de repórteres parvos.

"Just My Imagination" antecipa um dos ápices do filme: a country "Far Away Eyes" com a steel guitar de Ronnie Wood e Keith Richards todo à vontade. De um canto surge Buddy Guy infernal como sempre para "Champagne and Reefer". Sua voz é pura assombração e força. O olhar desafiador que ele troca com Jagger e a cena em que o seu rosto permanece estático durante milimétricos segundos mostram que a essência dos Stones está ali, mais viva do que nunca, encarnada na pele negra de um pai de santo comandando a guitarra com bolinhas. O negócio é tão empolgante que Keith dá a sua própria Gibson para Buddy Guy de presente!

Depois os dados rolam em "Tumblin´Dice" para que Keith Richards, o vampiro pirata, cante "You Got The Silver" e "Conection" - interrompida por uma entrevista onde Keith e Ronnie são perguntados qual dos dois é o melhor guitarrista. Ronnie diz que é ele. O entrevistador cobra uma resposta á altura de Richards, que sabiamente dita: "Somos péssimos, mas juntos valemos 10".

Jagger aparece através da porta de entrada do teatro para cantar uma versão burocrática para "Symphaty For The Devil". Os vocais de Lisa Fischer, a Tina Turner dos Stones, foram mixados bem baixo. Sua clássica interpretação vocal é limada do filme. Bola fora. Christina Aguilera, a ratinha branquela e sem bunda canta até bem "Live With Me", com aqueles exageros de branco se passando por negro. Jagger aproveita para dar aquela "roçada" cenográfica na moça. "Start Me Up" antecipa uma entrevista em 1972 no Dick Cavett show onde Mick Jagger fala que "tranquilamente se vê cantando com 60 anos".

"Brown Sugar" Uh, Uh, Uh, Uhhh abre as comportas para a quase heavy metal "Satisfaction". Ao final Richards se ajoelha escorando-se na própria guitarra. O show e o filme terminam. Nem parece que passaram mais de duas horas. Vale cada centavo. Se é cinema? Claro. Tem clima de show? É até menos cansativo porque não temos que ficar de pé suando.

A artificial cena da saída de Jagger pelos bastidores esbarrando em Scorsese que comanda uma câmera que sobe e desce escadas reflete que tudo não passa de show business e glamour mesmo. Fato esse confirmado quando a câmera dá uma panorâmica sobre a ilha de Manhattan feita de computação gráfica. A lua chamativa se transforma na língua de Kali. Fim da partida. Início de outra. Os créditos serpenteiam pela tela até estacionarem em uma foto do executivo e descobridor de talentos Ahmet Ertegun falecido em 2006. Ave.

Depois dessa descrição toda você vai fazer o que em abril? Nem precisa nos dizer. Nos vemos lá de novo.

 




 
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