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filmes: I'm Not There
Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008 (22:41:19)


Mais do que uma brincadeira polifônica com os alter-egos de Bob Dylan, sobretudo a desconstrução e do exame, ainda que romantizado, de um verdadeiro mito. 




 

 

NÃO ESTOU LÁ

a cinebiografia polifônica de Bob Dylan

 

O diretor Todd Haynes opta por fórmula incomum para tratar da figura mitológica do cantor no seio da cultura pop

Eduardo Ribeiro


Sua obra sempre manteve-se intacta na tese, mas nunca perdeu o vigor do tempo. Em Bob Dylan, esse tipo de sensibilidade jamais virou palidez. Uma cinebiografia de Bob, portanto, deveria partir da mais latente qualidade: a elasticidade de sua inconfundível música.

Alheio aos rótulos, Bob canta sobre tudo que é essencialmente humano, e seus arranjos acolhem muito bem cada uma das facetas. Ao se tornar tão admirado, Bob renunciou ao manto heróico, o que o tornou ainda mais lendário. E o que é um mito, além daquilo que projetamos nele?

O músico, quando associado ao seu rico universo criativo em I'm Not There, aparece representado por cinco atores e uma atriz diferentes. Cada qual interpreta uma persona entre as muitas que formam o espectro icônico de Bob Dylan. Haynes evitou trazê-lo ao mundo dos mortais, procurando apenas traçar o perfil nebuloso e multifacetado do cantor. Sendo assim, os personagens levam nomes diferentes, como Rimbaud, Woody Guthrie e Billy the Kid.

O distanciamento assumido, que não ousa desmistificar o objeto de retrato, é o que torna o filme excepcional. Dá espaço para espetaculares atuações: Cate Blanchett na pele de Jude Quinn, encenando a ruptura de Dylan com o folk, ao empunhar uma guitarra elétrica sob vaias do público; Heath Ledger no papel de Robbie Clarke, em interpretação que menciona o envolvimento com o cinema, o lado caseiro e até a falta de jeito para andar de moto; Christian Bale encarnando Jack Rollins, numa menção à época de militância pelos direitos civis, tendo sofrido censura; e o menino Marcus Carl Franklin faz Woody, um instrumentista exímio de apenas 11 anos. Aqui, a edição de Jay Rabinowitz formula uma engenhosa montagem para introduzir as diferentes versões de Bob Dylan.

Toda a alegoria é construída a partir de alusões e ilusões, verdades e metáforas. Pincela, entretanto, tudo o que há para se dizer e contar sobre Dylan. A narrativa toma forma a partir de idas e vindas referenciais, recurso naturalmente melhor saboreado por fãs ou conhecedores de sua carreira. O menino Woody, por exemplo, tem a ver com as raízes negras. De tal modo, todos os estilhaços que formam o astro vão sendo costurados.

Num outro filme mais ou menos recente (Uma Garota Irresistível, 2006) - uma lástima, a propósito -, a modelo-fetiche de Andy Warhol, Edie Sedgwick, tem um bate-papo com Bob Dylan. Ela pergunta o que ele quer dizer com músicas tão profundas. Ao que ele responde: "Não quero dizer nada, apenas canto o que vejo".

Nessa constatação convivem as maiores qualidades de Dylan e do filme. A tela grande acolhe o legado de um homem que sempre cantou sobre o que vê; armado de talento catalisador. Por isso sua obra nunca se tornou caduca ou atemporal. O último álbum, Modern Times, absorve a contemporaneidade como qualquer outro disco dos anos 60 ou 70, quando esteve no auge.

Nesse sentido, o título I'm Not There quer dizer tão somente que Dylan, em sua trajetória, preferiu falar das coisas que o rodeiam do que de si mesmo. E, em todas as letras que fala de si, aborda, na verdade, os dramas comuns a todos nós. Faz isso com brilhantismo incomum nos dias que correm. A capacidade de transformar coisas da vida em contundente poesia é o que lhe fez sintomático. Por isso Bob tem muitas caras no longa. Porque suas crônicas representam muito do âmago humano. Se o homem Bob Dylan não está lá, temos pelo menos o mito e todo esse conceito diante da retina.


 
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