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discos básicos: Queen is Dead, Smiths
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2006 (18:10:27)



Nos anos 80, o ser humano fã de rock'n'roll não tinha alternativa: ou amava ou odiava Morrissey, Marr & cia. Foi o grupo mais representativo da década, o único que chegou a fazer sucesso com ares de banda alternativa até o fim de sua breve carreira. Com The Queen Is Dead eles fizeram sua obra-prima.




The Queen Is Dead – Smiths

Carlos Eduardo Lima


Quando Kenneth Branagh dirigiu Para O Resto de Nossas Vidas (Peter's Friends) em 1994, escolheu vários sucessos pop/rock dos anos 80 para a trilha sonora. Mais ou menos o mesmo que Lawrence Kasdan, diretor americano, fez com seu O Reencontro (The Big Chill), só que com sucessos de outra década, a de 1960. A diferença entre os dois está no fato que, enquanto Kasdan fez uma matadora seleção de Stones, Motown, Creedence, entre outros, Branagh abria seu filme com “Everybody Wants To Rule The World”, dos insossos Tears For Fears.

Este preâmbulo serve para manifestar a incapacidade em compreender a ausência dos Smiths numa obra onde os anos 80 servem de pano de fundo para a trama. Se em 2196 algum arqueólogo for estudar o século XX, anos 80, terá que falar dos Smiths. Pode parecer exagero de um fã confesso, mas não é. Senão vejamos.

Stephen Patrick Morrissey era um adolescente problemático e introspectivo que fazia do seu quarto seu mundo. Ali ele passou sua mocidade inteira lendo Oscar Wilde e ouvindo cantoras dos anos 60, como Dusty Springfield, Nancy Sinatra, entre outras. Desenvolveu um acurado senso de humor (negro) e um gosto por poesia. Esta história, aparentemente banal e sem interesse para uma cidade cinzenta e lúgubre como Manchester, chegou ao conhecimento de Johnny Marr, a esta altura trabalhando em uma loja de discos do outro lado da cidade. Marr já era músico mas desempregado e duro.

O emprego na loja de discos ajudava no orçamento do rapaz, bem como no seu desenvolvimento musical. Todo o acervo podia ser ouvido por Marr, fato que o expôs ao vírus implacável do rock, cujo primeiro sintoma é a incontrolável vontade de montar uma banda. Marr foi ao encontro de Morrissey e ambos decidiram compor. As letras ácidas do primeiro foram perfeitamente assimiladas pelo senso musical do segundo. Para ocupar as vagas de baixista e baterista, vieram, respectivamente Andy Rourke e Mike Joyce.

Após o bombástico debut em 1984 com um álbum homônimo, os Smiths imediatamente foram alçados à condição de nova "última banda de rock do mundo", algo muito parecido com o que acontecera com o Clash. A Inglaterra carecia de alguém com algo a dizer, num tempo onde Boy George dava as cartas e Morrissey caiu como uma luva. Hatfull of Hollow , uma coletânea de compactos e gravações para as famosas Peel Sessions e Meat Is Murder vieram a seguir e tornaram os Smiths uma celebridade nacional. Porém, em 1985 eles iriam até os limites em termos de criatividade musical.

Na modesta opinião deste escriba, The Queen Is Dead é um disco com duas músicas a mais que as dez conhecidas. Os dois compactos que o antecederam, Panic e Ask, são parte integrante do conceito da obra e estariam numa proporção igual a que Penny Lane e Strawberry Fields Forever estão para Sgt.Pepper's. Em “Panic”, Morrissey bradava "enforquem o DJ, que não toca o que eu quero ouvir" e em “Ask” ele disparava "isto não é amor, é a bomba atômica que nos mantém juntos". Os fãs se esbaldaram e os detratores se municiaram. Enquanto a primeira música do novo disco, “The Boy With The Thorn In His Side”, cujo compacto trazia uma montagem com a cara de um Truman Capote adolescente, ganhava as paradas nos dois lados do Atlântico, os Smiths preparavam as estratégias de lançamento.

The Queen Is Dead
chegou na virada de 1985/1986 e com pinta de campeão. A evolução dos arranjos de Marr é impressionante. Além dos habituais entrelaces de violões e guitarras, há a inclusão de cordas e flautas. A capa, uma foto de Alain Delon, de 1965, como se estivesse morto, significava o fim de um tempo. Segundo Morrissey, a raínha morta seria o fim do tédio, a libertação das tradições aristocráticas da Inglaterra, em suma, um soco na cara do estabilishment vigente. As canções são um capítulo à parte. São dez manifestos de humor negro contundente, incluindo uma luminosa autocrítica em “Bigmouth Strikes Again”, até um neo-punk em “Cemetery Gates” e na faixa-título. Uma belíssima balada de amor e morte em “There's a Light That Never Goes Out” e uma divertida crítica às meninas britânicas em “Some Girls Are Bigger Than Others”.

A banda ainda daria ao público “Strangeways Here We Come” em 1987 e “Rank” em 1988, para encerrar suas atividades, após uma grande porradaria entre todos os seus membros. Morrissey seguiu em carreira solo e nunca conseguiu repetir o êxito dos tempos iniciais. Marr tocou com uma série de bandas, como Pretenders e Talking Heads e os cozinheiros Rourke e Joyce sumiram na poeira.

Poucos álbuns depois de The Queen Is Dead conseguiram repetir essa combinação dos discos perfeitos, onde capa, música, músicos e atitude, integrados, formam uma idéia única, onde a banda entra em total sintonia com o que quer fazer e faz. Penso que apenas o Nirvana conseguiu isso com seu Nevermind em 1991. E já faz muito tempo.

 
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