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discos básicos: 20 Anos de Joshua Tree / CEL
Terça-feira, 20 de Novembro de 2007 (23:02:43)

 

Um dos discos mais erroneamente interpretados de todos os tempos, The Joshua Tree, chega ao seu vigésimo aniversário com pinta de clássico do rock. Além disso, o quinto disco do U2 (descontando os dois EPs ao vivo, Under A Blood Red Sky e Wide Awake In América) marcou o início do mega-estrelato para a banda irlandesa. Não é pouco. Por CEL




 

OS 20 ANOS DE JOSHUA TREE

Carlos Eduardo Lima


A Universal gringa está relançando Joshua Tree em três formatos: o CD remasterizado, uma edição dupla com um disco bônus cheio com todas as canções gravadas nas sessões do álbum e uma versão super crocante com um DVD, que mostra o show do U2 em Paris, no dia 4 de julho de 1987.

Além disso, as duas versões especiais trazem um livro de 56 páginas cheio de fotos de Anton Corbijn - que fez a capa do disco - e comentários da banda e dos produtores sobre o que pretendiam quando fizeram Joshua Tree. Quem tinha dezesseis anos em 1987 e viu o nome da banda saindo das páginas entediadas dos cadernos para as manchetes dos jornais não consegue sossegar o adolescente ancestral que teima em tomar o controle nessa hora. Música perfeita e atemporal.

Joshua Tree irrompeu nas rádios em 1987 com a progressão sutil de teclados que abre seu maior hit, "Wtih Or Without You". Quem já estivesse iniciado em assuntos U2's saberia que a canção guardava parentesco com outra balada, talvez até mais bela, chamada "Bad", que quase passou despercebida no disco anterior, The Unforgettable Fire.

Mas o mundo ainda não estava na palma da mão de Bono Vox, a ponto dele ainda ser chamado de Paul Hewson por muitos incautos, ou, pior, não ser tão conhecido quanto um Michael Jackson ou um George Michael. Pois Bono/Paul passaria a ser um dos rostos mais identificados do planeta e as canções que compõem Joshua Tree seriam cantadas em estádios e ginásios ao redor da nossa bolota azul e branca.

Antes de mais nada, o sucesso de Unforgettable Fire e Joshua Tree se deve a duas figuras que não apareceram em qualquer clipe ou show: Brian Eno e Daniel Lanois. Os dois, respectivamente mestre e discípulo, produtor e engenheiro de som, foram responsáveis por dar ao som pós-punk do U2 um aspecto atmosférico, sépia, meio esquisito, no bom sentido.

A estranheza vinha da perspectiva etérea que a guitarra de The Edge assumia nos dois trabalhos, alternando solos musculosos com bases sutis, como se Eno ensinasse ao guitarrista como ele deveria soar para emular seus trabalhos com ambient music. Brian Eno, ex-Roxy Music, perpretara discos essenciais no fim dos anos 70 (além de dar o aspecto mais contemporâneo à obra de um certo David Bowie ao produzir a obra-prima Low, em 1977) em que ele experimentava o conceito de música como parte de uma perspectiva visual.

 

 

Mais simples do que parece, Eno queria fazer música para compor paisagens, de modo que os sons se incorporassem naturalmente ao cenário. Ele conseguiu pelo menos dois momentos memoráveis, a saber Ambient 1: Music For Airports e Ambient 4: On Land. De alguma forma, ao produzir o U2 a partir de Unforgettable Fire, Eno levou essa idéia para o som da banda, deixando-o único num cenário em que bandas procuravam uma identidade sonora em meio ao pop eficiente que ainda dominava as paradas. O U2 encontrou seu som e pode dar-se ao luxo de aparar arestas e equilibrar elementos. Em 1987 eles estavam prontos para ganhar o mundo.

Todos sabemos que a banda de Dublin tem em sua primeira década de vida uma preocupação social e política. Bono, The Edge, o baixista Adam Clayton e o baterista Larry Mullen Jr apareceram para o mundo com três discos - Boy, October e War - em que questionavam os métodos e mazelas da relação Inglaterra-Irlanda, além de cutucar a vizinha Irlanda do Norte, através dos problemas religiosos que sempre sacudiram aquela região. Com Unforgettable Fire o U2 ampliou seu espectro e começou a namorar a América.

Através de canções como "Pride (In The Name Of Love)" e "MLK", a banda adentrava o misticismo social do país mais poderoso do planeta e toda a sua iconoclastia, povoada pelo rock'n'roll e um pós-guerra de sonho americano realizado até então. Para irlandeses - que sempre rumaram para os USA desde sempre - a terra do Tio Sam oferecia combustível para novas canções e uma nova abordagem.

Temos então Joshua Tree, com título baseado em passagens da Bíblia, assim como Unforgetable Fire, e totalmente voltado para a América. As canções, começando por "Where The Streets Have No Name", uma alusão às ruas de grandes cidades dos USA, com números em vez de nomes. Bono e Edge não pretendiam fazer um disco messiânico, como um bando de críticos faz questão de mencionar quando o assunto é Joshua Tree.

O disco é muito mais uma viagem interior em busca de respostas para problemas como o amor não correspondido ("With Or Without You", "I Still Haven't Found What I'm Looking For"), a falta de paz de espírito diante de um mundo em movimento ("Running To Stand Still"), a perda ("Mother Of The Disappeared") e, sim, questionamentos políticos ("Bullet The Blue Sky"), novamente abordando o assassinato de Martin Luther King, como já fizera no disco anterior em "Pride".

Se o U2 tentava falar mais do indivíduo que de uma problemática, talvez sua paixão pela abordagem e a energia com que Bono e sua turma se atracaram às canções fez de Joshua Tree um disco vigoroso e eficiente. Eno e Lanois garantiam o clima sutil por trás das diatribes sonoras, mostrando que a banda atingia o ápice dentro do modelo pop rock guitarreiro oitentista. O disco chegou ao topo das paradas, testemunhando o nascimento de um culto em torno da banda que não parou mais.

O U2 ainda beberia nas fontes inspiradoras de Joshua Tree pelo menos em mais um disco, Rattle And Hum, lançado no ano seguinte, meio inédito e meio documentário da turnê americana de Joshua. Ali, sim, o U2 se entregaria à América ideal e faria dueto com BB King e cover de Bob Dylan, mas, a sutileza de Joshua Tree marca o fim do caminho para a banda. Em 1990 o U2 surgiria totalmente diferente, talvez cansado de significar salvação para uma multidão de desaparecidos.


Track List:


Disc: 1

1. Where The Streets Have No Name
2. I Still Haven't Found What I'm Looking For
3. With Or Without You
4. Bullet The Blue Sky
5. Running To Stand Still
6. Red Hill Mining Town
7. In God's Country
8. Trip Through Your Wires
9. One Tree Hill
10. Exit
11. Mothers Of The Disappeared

Disc: 2

1. Luminous Times (Hold On To Love)
2. Walk To The Water
3. Spanish Eyes
4. Deep In The Heart
5. Silver And Gold
6. Sweetest Thing
7. Race Against Time
8. Where The Streets Have No Name (Single Edit)
9. Silver And Gold (Sun City)
10. Beautiful Ghost/Introduction To Songs Of Experience
11. Wave Of Sorrow (Birdland)
12. Desert Of Our Love
13. Rise Up
14. Drunk Chicken/America

Disc: 3

1. I Will Follow [DVD]
2. Trip Through Your Wires [DVD]
3. I Still Haven't Found What I'm Looking For [DVD]
4. MLK [DVD]
5. The Unforgettable Fire [DVD]
6. Sunday Bloody Sunday [DVD]
7. Exit [DVD]
8. In God's Country [DVD]
9. Electric Co. [DVD]
10. Bad [DVD]
11. October [DVD]
12. New Year's Day [DVD]
13. Pride [DVD]

 


 
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