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entrevistas: Millencolin / João Veloso Jr
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2006 (17:48:24)


Os suecos do Millencolin ajudaram a reescrever a geografia do cenário punk rock mundial. Na década passada, com ajuda do No Fun at All e também da Burning Heart Records, começaram a projetar a nova cena sueca para todo o mundo. Com nova turnê pelo Brasil em março, confira um pouco do que acontece com a banda hoje nesta individual com RP, primeira revista a falar do grupo no Brasil. Por João Veloso Jr


Logo na primeira tour americana, ao lado do Down by Law, conquistaram a terra do Tio Sam e já tinham um acordo com a Epitaph. Depois vieram excursões sem fim por todos os cantos do globo, inclusive pela América do Sul, em 98. A passagem da banda por aqui foi complicada. Logo no primeiro show, em São Paulo, o público invadiu o palco e derrubou um amplificador em cima de uma das guitarras de Mathias. Claro, ele não curtiu a brincadeira. À parte o estresse, durante a viagem eles mostraram todo o bom humor das letras, fizeram questão de assistir jogos no Maracanã, Mineirão, Olímpico e até mesmo de ver um jogo do Boca Juniors, em Buenos Aires.

Neste bate-papo com o baterista Larzon, ele fala tudo sobre o disco novo, que foi lançado no Brasil ao mesmo tempo em que saía nos Estados Unidos e conquistava o segundo lugar nas paradas suecas.



Na última vez em que conversamos, estávamos em Buenos Aires, vocês estavam finalizando uma tour e o Nikola queria parar de tocar. Você até mencionou depois que tinham gravado um material sem ele. Como vocês o convenceram a voltar para a estrada? Depois disso, o som de vocês mudou um pouco, há alguma relação?

Naquela época, nós fazíamos tantos shows que nunca conseguíamos parar em casa. Quando estávamos por aqui, entrávamos no estúdio e fazíamos um novo disco. Nossa vida era estrada e estúdio até aquele momento. Nikola nunca saiu da banda, mas precisávamos de um tempo separados, cada um no seu canto para voltar a sentir a mesma energia entre nós. Depois de seis meses, todos sentimos vontade de voltar a ensaiar. Mathias e Nikola sempre estão cheios de idéias.

Acho que desde que tivemos esta parada, começamos a ter mais perspectivas sobre as coisas. Precisávamos ir para outra direção. Por isso, acho, que o Pennybridge Pioners é mais rock e emocional.

Aprendemos que é bom dar uma parada entre cada disco. Hoje, a banda se sente melhor do que nunca. Estamos realmente contentes e satisfeitos com o novo álbum. É bem mais relaxante nos dias de hoje. Naquela época, apenas seguíamos algumas pessoas e hoje sabemos o que realmente queremos, temos controle sobre a banda e decidimos o que fazer e também o que não fazer.

O que vocês têm feito nestas paradas? Nikola sempre quer voltar a estudar, você gosta de viajar com outras bandas, Erick de desenhar e Mathias comprou o Unisound (onde vocês gravaram os primeiros discos). Continua a mesma coisa?

Esta banda toma muito do nosso tempo. De volta pra casa, temos o escritório do Millencolin, que fica bem perto da Burning Heart. Eu e o Erick tentamos ir lá todos os dias para atualizar o site, responder e-mails dos fãs... Também gostamos de pescar, jogar golfe e coisas assim. Fora isso, Mathias tem os seus projetos e o Nikola é pai de duas crianças, então eles não conseguem ter muito tempo livre também (risos).

Finalmente a discografia de vocês será lançada na íntegra por um mesmo selo no Brasil – Highlight Sounds. Por que demorou tanto?

Claro, teria sido muito melhor se os nossos discos estivessem disponíveis quando excursionamos por aí. Não tínhamos discos pra vender quando tocamos e todos os shows estavam cheios. A Burning Heart estava procurando por um distribuidor e fico contente que tenham achado alguém para lançar. Recebemos muitos e-mails da América do Sul perguntando sobre nossos álbuns. Fica bem melhor e mais barato para nossos fãs adquirirem os discos feitos aí.

Neste meio tempo, Nikola também gravou um disco solo – Lock-Sport-Krock...
É um bom disco. Ele queria fazer isso há anos. Ele sentia que precisava fazer algo diferente além do Millencolin. É um disco calmo, de folk, country. É um bom disco.

O que você lembra da viagem pela América do Sul além do que está no vídeo The High-8 Adventures? Vale lembrar que este vídeo também será editado no Brasil muito em breve.

Ser convidado para tocar na América do Sul e fazer aqueles shows foi algo muito grande pra nós naquela época. Lembro que tudo foi muito louco, com muita gente que não parava de pular do palco nem um segundo. Amamos tocar por aí e espero voltar logo. Espero que em outubro ou novembro.

Vocês ainda dão azar aos times de futebol que vão assistir?

Não. Isso, não (risos). Lembro que todos os times da casa perderam quando fomos a jogos no Brasil, mas lembro que o Boca Juniors virou o jogo depois de perder por 2x0. Na Argentina demos sorte! (risos)

Então vocês são azarados somente para times brasileiros?

(Risos)
Não é assim! O Nikola é realmente viciado em futebol. Eu, como sueco, gosto mais de hóquei no gelo. Lembro que o clima nos estádios brasileiros de futebol era fantástico. Aquelas pessoas cantando, batucando, tudo parece mais um grande e divertido festival!

OK. Vamos agora falar um pouco sobre Kingwood, seu novo álbum. Desta vez, Chips Kiesbye, que também já trabalhou com o Hellacopters, produziu o álbum. Como foi trabalhar com ele? Antes, vocês trabalharam com o Brett Gurewittz (Bad Religion, Epitaph Records)? Como é trabalhar com os dois? A adaptação de vocês foi tranqüila?

Tudo é relativo. Neste meio tempo também trabalhamos com o Lou Giordano (Green Day, Sugar e Samian). Ele e o Brett sabem o que é punk rock como ninguém. Acho que o Lou era um pouco mais preocupado com a parte técnica das gravações. Trabalhar com o Chips foi diferente. Talvez, por ser sueco, fica mais fácil de se comunicar, acho que foi mais fácil e proveitoso. Quando vamos para o estúdio, já temos quase tudo pronto. Ficam faltando apenas alguns detalhes de voz e de guitarra, então é fácil trabalhar com qualquer pessoa. Não posso deixar de dizer que gravar em Westbeach Studios com o Brett foi como um sonho para nós. Bad Religion é uma das razões do Millencolin existir.

Neste CD não há tantas letras felizes e positivas como no início da carreira de vocês. O que aconteceu, vocês ficaram velhos ou chatos reclamões?

(Risos)
Éramos crianças quando começamos e agora crescemos (mais risos). Acho que percebemos que nem tudo neste mundo é tão feliz assim. Muita coisa nas letras do Millencolin são experiências pessoais do Nikola, sobre relacionamentos e tudo o mais. Mas este álbum não é negativo assim, "Birdie" é uma faixa bem positiva (risos). Não somos pessoas tristes, você sabe que somos bem alegres. Não sei o que acontece. Acho que o Nikola precisa escrever sobre coisas que realmente tenham importância para ele.

E esta estréia do álbum no segundo lugar da parada sueca? Isso foi uma boa surpresa ou vocês já esperavam?

Foi uma excelente surpresa, principalmente se lembrarmos que não tocamos muito na Suécia nos últimos anos. Antes do Home From Home não tocamos nenhum show em casa, talvez um ou dois apenas. Começamos a receber muitos e-mails nos pedindo pra tocar na Suécia e decidimos pagar pra ver como seria. Foi emocionante! É muito louco pensar em estrear no segundo lugar nas paradas. Os jornais sempre nos deram três estrelas numa escala de cinco. Desta vez, começaram falando bem de nós e acabaram norteando isso. A imprensa acaba direcionando o público. Tivemos mais resenhas positivas, então, acho, mais gente comprou o disco.

Vocês estão começando a promover o disco agora e acabam de fazer uma série de shows com o Good Charlotte. Como foi?

Fizemos cinco shows na Escócia que foram bem interessantes. Nosso público é completamente diferente do deles. Cerca de 95% dos presentes nunca tinham ouvido sequer falar de nós. Depois do show, recebemos um monte de e-mails dizendo que foi a primeira vez que nos escutaram e que gostaram bastante. Foi legal, um bom aquecimento para nossa própria turnê.

Vocês já tocaram com todo mundo que os influenciou, que vocês influenciaram e por aí a lista é longa. Quais os objetivos da banda hoje? Apenas se divertir? Há algo mais pra conquistar?

Queremos continuar enquanto nos divertirmos com o que fazemos. Ficamos muito felizes que tanta gente compre nossos discos e vá aos nossos shows. Compomos e gravamos o que gostamos e quando as pessoas também gostam é um bônus!

Algo para terminar?

Quero convidar todos para quando estivermos de volta à América do Sul. Nos daremos para vocês uma boa noite de bom rock and roll.


Originalmente publicado em RP#65



 
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