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filmes: Metal - A Headbanger's Journey
Sábado, 6 de Outubro de 2007 (15:40:50)

 

O documentário de Sam Dunn é um mergulho no mundo do metal.  





METAL - A HEADBANGER'S JOURNEY

Gênero: Documentário
Ano/Produção: 2005/Canadá
Duração: 96 min.

Direção: Sam Dunn
Elenco: Bruce Dickinson, Tony Iommi, Alice Cooper
etc.

Documentário promove jornada pelo mundo do heavy e analisa o que leva à devoção extrema pelo gênero

 

Desde a adolescência, Sam Dunn declarou-se fanático pelo universo das sonoridades mais pesadas do rock'n'roll. Depois de se formar como antropólogo, decidiu dedicar boa parte de seu tempo fazendo um documentário que desvendasse os principais segredos e truques do gênero conhecido pelo uniforme de camisetas pretas, gesto de chifrinho com os dedos, o estereótipo da mídia mainstream e a mais completa antipatia dos setores mais conservadores da sociedade. Surgiu assim Metal – Uma Jornada Pelo Mundo do Heavy Metal, que chegou a ser lançado, com certo atraso, nos cinemas brasileiros. Abonico R. Smith, que não foi fisgado pelo metal em sua adolescência, assistiu à produção e adorou. E conta o porquê.

 

Por dentro do "sistema"

Assistir a documentário chapa-branca é algo que requer um bocado de paciência. Quem já deu alguma chance aos obcecados discursos anticorporativos de Michael Moore e Morgan Spurlock sabe muito bem o que é isso. Ou então embarcou no complexo de vira-latas de um americano (gay, claro) que queira provar, a todo custo, que o homossexualismo é comum entre os animas irracionais (é bom frisar, isso está longe de ser questão de preconceito, mas apenas ter bom senso de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa).

Pior é quem viveu – como eu – os primeiros anos de infância na década 70, ainda na rebarba do auge da ditadura militar, e se lembra de algum vídeo institucional governista ("O Brasil é nosso", "o progresso já chegou", essas coisas). Afinal, a missão de um documentarista é justamente registrar algo, algum fato, alguém. Analisar os acontecimentos. Muitos, porém não resistem e distorcem os fatos de acordo com a conveniência e o direcionamento pré-determinado, sem sequer ouvir o outro lado ou dar o braço a torcer para reconhecer falhas.

Foi com os dois pés atrás que fui a uma sala de cinema cult de Curitiba que exibia o documentário do antropólogo canadense Sam Dunn. Com dois amigos, que assinam a co-direção, ele se embrenhou em uma paixão que mantém desde a adolescência: desvendar o que faz do heavy metal – em suas mais variadas subdivisões – uma vertente musical capaz de fidelizar e enlouquecer milhões de pessoas mundo afora.

Para explicar tamanha devoção que se perpetua desde o começo dos anos 70, Dunn – com os cabelos longos e seu uniforme de camisetas pretas com estampas de suas bandas favoritas (como Iron Maiden e o nosso Sepultura) – embarca em viagens pelos Estados Unidos (Los Angeles, Nova York) e países europeus (Alemanha, Inglaterra, Noruega). O principal objetivo: traçar as raízes e os porquês do metal, em contraposiçao à visão quase sempe estereotipada que boa parte da mídia mainstream dedica ao gênero. Detalhe: com a grandiosa ajuda de ícones do gênero, que se dispuseram a dar entrevistas para o filme (integrantes de bandas como Black Sabbath, Iron Maiden, Alice Cooper, Motörhead, Rush, Mötley Crue, Rage Against The Machine, Slayer, White Zombie, Twisted Sisters, Rage Agains The Machine e Slipknot)

Com extrema competência, Dunn dissipa logo nos primeiros minutos o maior medo dos não-fãs que se dispõem a ser platéia de seu documentário. Muito por causa de sua veia acadêmica, que se sobrepõe à do eterno adolescente apaixonado e seguidor de uma bandeira, o diretor não permite que seu longa resvale no lugar-comum da chapa branca (ou preta, dependendo do trocadilho que aqui cai bem).

Para começar, ele não fica perdendo tempo discutindo o sexo dos anjos – ou seja, quem inventou o metal. Cita Blue Cheer, Cream Deep Purple, Black Sabbath, Led Zeppelin, os protopunks (MCs e Stooges) sem se estender mais do que o necessário. Pelo contrário: sustenta que o que menos importa é a paternidade e sim os efeitos que foram causados mundo afora a partir de então. E ainda traça uma importante árvore genealógica, ligando origens e influências, que vai se desenrolando de maneira mais clara no decorrer da projeção.

Logo de cara, também, Dunn desvenda o significado de uma palavrinha básica para o metal: o trítono. O complexo efeito dissonante causado por ele (são acordes que se caracterizam pela quinta nota diminuta) provocam sensação de tensão e movimento, sendo, inclusive, relacionado a atos sexuais há vários séculos. Isso levou à sua proibição por parte da igreja ocidental, que consideravam-no "a presença do diabo na música".

Só que compositores como Bach, Beethoven e Wagner não se curvaram à imposição e passaram a explorá-lo bastante em suas construções harmônicas. E a formação erudita dos músicos de metal resgatou essa "antitradição", o que explica o forte elo com as bobagens que se falam até hoje a respeito do gênero com o morador lá debaixo.

O tema "religião", aliás, permeia todo o documentário. Tony Iommi relata que as temáticas sombrias do Sabbath nunca passaram de mera diversão juvenil (histórias de terror, missa negra). O baixinho Ronnie James Dio conta a verdadeira origem do gesto clássico (os chifrinhos formados pelos dedos de uma mão são tanto uma herança de sua avó, para espantar maus olhados, como um xingamento de origem italiana, a ascendência do vocalista). O chileno Tom Araya, do Slayer, tenta explicar como faz para não confrontar sua veia católica com as temáticas iconoclastas dos títulos de músicas e álbuns de sua banda.

Somente alguns noruegueses parecem levar a sério a história de que o metal é o veículo sonoro das trevas de lúcifer – a ponto dos músicos provocarem uma mórbida onda na década 90, com atitudes extremas como a de incendiar igrejas católicas em série e matar-se uns aos outros, mesmo sendo grandes amigos, sem motivos aparentes. Em sua breve passagem pelo país escandinavo – aliás, o metal tem muito a ver com as histórias e lendas nórdicas – Sam tenta conversar com integrantes de bandas de black metal. Não consegue. As respostas são monossilábicas, lacônicas. Curiosamente, quem fala mais é o padre de um dos templos destruídos.

Sexo e censura

A sexualidade é outro eixo central do documentário. Entre os pontos analisados estão as groupies (Pamela des Barres, considerada a maior de todas nas últimas décadas, também abre as portas de sua casa), a sexualidade aflorada (as tiradas de Lemmy são capazes de arrancar gargalhadas), a pouca presença das mulheres nas bandas (a vocalista do grupo sueco Arch Enemy fala sobre isso e seu vocal gutural), o homossexualismo e a simulação de travestismo (Vince Neil relembra os seus bons tempos à frente do Mötley Crue contando que parecer mulher era uma grande isca para atrair o público feminino).

Bruce Dickinson bate altos papos com Dunn a respeito da técnica vocal e do gestual do metal. Dee Snider – que hoje nem de longe sugere ter sido aquela figura “medonha” de maquiagem exagerada e cabelão longo, loiro e crespo dos tempos de glam à frente do Twisted Sisters. A presença de Dee, aliás, é um dos pontos altos do documentário. Ele lembra, com muito bom humor, o que sofreu depois do estouro de "We're Gonna Take It" e seu videoclipe desafiador aos bons costumes familiares.

O cantor foi considerado "inimigo número um" da sociedade conservadora, chegou a ser interrogado por políticos (liderados pelo então senador Al Gore – o mesmo que encabeçou o Live Earth, levou o Oscar este ano e acabou de ganhar o prêmio Nobel da paz por sua cruzada a favor do meio ambiente do planeta) a respeito do conteúdo "altamente ofensivo" de suas letras.

Em tempo: a mulher de Al, Tipper Gore, foi uma das co-fundadoras da PMRC (Parental Music Resource Center), entidade que ameaçou implantar censura às obras artísticas norte-americanas e conseguiu fazer com que as capas do discos viessem, a contragosto dos artistas, com um selinho alertando aos pais e responsáveis sobre o conteúdo explícito (sexual ou verborrágico) das músicas ali gravadas.

Fãs mais ardorosos do metal podem até sentir falta (e reclamar) de uma abordagem maior a respeito de grandes ícones do gênero. Afinal, o Kiss só aparece representado pelo seu fã-clube, o Kiss Army. Os gigantes do thrash Metallica e Sepultura vêm apenas de tabela, em camisetas, pôsteres, discos e breves citações. Van Halen? Quase nada... O que significa grunge? Só que essas lacunas podem muito bem ser justificadas por dois motivos básicos: a falta de tempo suficiente do documentarista para abordar todas as facetas e estandartes de um extenso gênero musical; e a falta de tempo (ou interesse) de membros dessas bandas para falar sobre o assunto. Mas ele mesmo deixa claro que não pretende esgotar o assunto nesta primeira empreitada.

Sam Dunn, por fim, consegue o grande mérito de mostrar o metaleiro visto por si próprio – e por profissionais da sociologia e da antropologia. Sem glorificações bestas ou inúteis e com o nervo crítico sempre exposto, a ponto de saber apontar baboseiras, criticar bandas que não conseguem dar uma entrevista decente (por causa de posturas idiotas e muita cerveja na cabeça) e até condenar o discurso e as atitudes dos congêneres noruegueses.

 

_Sinopse:

Sam Dunn é um antropólogo de 30 anos, fã de longa data de metal. Após anos estudando diversas culturas, Sam voltou sua visão acadêmica um pouco mais para perto de casa e embarcou em uma jornada épica para o interior do coração do heavy metal. Sua missão: descobrir porque o metal é tão estereotipado, desconsiderado e condenado, e mesmo assim tão apaixonadamente amado por seus milhões de fãs. Além disso, Sam explora a obsessão do metal por alguns temas como sexualidade, religião, violência e morte – e descobre certas coisas sobre a cultura que nem ele próprio é capaz de defender.

Journey fez sua estréia no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 2005, e foi lançado em DVD edição especial dupla nos EUA em 19 setembro de 2006. A seqüência, Global metal, está chegando aí.

 

_Trailer do filme:

 

 

-Site oficial do filme:

http://www.metalhistory.com/

 

-Curiosidades sobre o filme:

http://en.wikipedia.org/wiki/Metal:_A_Headbanger's_Journey

 

_Global Metal, a seqüência

 

O metal brasileiro continua em pauta para todo o mundo. O antropólogo canadense Sam Dunn, autor do documentário "Metal: A Headbanger's Journey", esteve em São Paulo e no Rio de Janeiro no início de abril para registrar a cena metálica no Brasil.

Durante a passagem por nosso país, Sam conversou com inúmeros músicos e jornalistas, e gravou entrevistas e eventos na preparação do material para o sucessor de Journey, intitulado "Global Metal”.

No Rio, o documentarista entrevistou o músico e jornalista Carlos Lopes (Mustang, Dorsal Atlântica) por duas horas. Em oportunidades anteriores, Sam declarou publicamente que tinha a Dorsal entre suas bandas favoritas.

Global Metal escolhe o tema do outsider e propõe perguntas novas: o que acontece quando uma cultura encontra uma aldeia global? E materiais (como filmes de Hollywood e McDonald´s) contribuem para a homogenização da cultura mundial?

Para responder essa questão, Scot e Sam visitaram sete países ao redor do globo: China, Brasil, Polônia, Japão, Israel, Indonésia e Irã. Eles descobriram que embora estes países compartilhem de uma paixão pelos ícones ocidentais populares do metal, cada um criou seu próprio tipo original de metal. Do black metal da Indonésia ao death metal brasileiro para o power metal iraniano esta música permite que jovens combinem temas pessoais com histórias espirituais e culturais.

Para finalizar, o Metal Global ensina-nos aquele apesar das diferenças vastas geográficas e religiosas, "metaleiros" ao redor do mundo são unidos pela mesma necessidade de criar uma expressão artística autentica em um mundo com vários tipos e públicos de consumo. Em um sentido, transformaram-se uma tribo.


 
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