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rip: Hilly Kristal, CBGB´s
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 (16:50:53)

 

Dia 27/8 morreu o fundador e proprietário do clube nova-iorquino CBGB´s, Hilly Kristal, de câncer, aos 75 anos. A doença foi diagnosticada ano passado, mais ou menos na mesma época em que ele foi obrigado a fechar as portas de um dos clubes mais importantes para toda a história do rock. 





Punk rock de luto

HILLY KRISTAL RIP

Cristiano Viteck

 

Quando fundou a minúscula casa de shows em dezembro de 1973, o CBGB & OMFUG (Country Bluegrass and Blues & Other Music For Uplifting Gormandizers), a idéia de Hilly Kristal era atrair músicos e apreciadores da música caipira norte-americana e do próprio blues, estilos que ele acreditava que iriam comandar as paradas de sucesso nos Estados Unidos em 1974. Porém, ao invés disso, o CBGB (como o clube ficou mais conhecido, ou CBGB´s, como era carinhosamente chamado pelos seus ilustres freqüentadores), acabou se transformando no berço do punk rock de Nova York.

Foi lá que o Television tocou pela primeira vez, em 31 de março de 1974. O show foi um fracasso de público, mas mesmo assim Hilly Kristal deixou o grupo de Tom Verlaine continuar se apresentando. Tempos depois o Television trouxe para tocar os seus amigos dos Ramones, que o proprietário do CBGB costumava dizer, no começo “eram ainda piores que o Television”. Ironicamente, essas bandas de desajustados acabaram atraindo outros grupos de delinqüentes e um público composto por junkies, traficantes, prostitutas, poetas loucos e todos aqueles que traziam no corpo o lado decadente de Nova York na metade dos anos 70.

Daquela turma que viveu e tocou nos primeiros anos da casa, muitos atingiram o estrelato e a fama mundial, como: Patti Smith, Blondie, Talking Heads, além dos próprios Ramones. Outros tiveram suas carreiras abortadas por problemas com drogas, brigas ou pela pouca venda de discos, mas pelo menos deixaram seus nomes na história do punk rock, como é o caso do próprio Television, Richard Hell & The Voidoids, Johnny Thunders & The Heartbreakers, Dead Boys, entre outros. Foi lá também que Malcolm McLaren entrou em contato com a cultura punk e se inspirou para dar forma aos Sex Pistols e, por extensão, ao punk inglês.

Localizado no Bowery, no Lower East Side de Manhattan, o CBGB fechou as suas portas em meados de outubro do ano passado, numa apresentação histórica de Patti Smith (que dias depois se apresentou em Curitiba, durante o Tim Festival). A contragosto, Hilly Kristal foi obrigado a pôr um ponto final na história do clube, alegando não conseguir mais pagar o aluguel.

Segundo o próprio Hilly Kristal (foto), a vizinhança do Bowery achava que CBGB não se enquadrava na paisagem do local, hoje uma região revitalizada e que nada lembra o cenário de desgarrados dos anos 70. Para manter viva a história do clube, o proprietário tinha planos de transferi-lo para Las Vegas, para onde levaria até mesmo a privada e os milhares de flyers e posters que decoraram as paredes do CBGB durante seus 33 anos de existência.

Durante a sua passagem por Curitiba no ano passado, o baterista Marky Ramone, ao ser perguntado se a despedida do CBGB de Nova York representava o fim de uma era, respondeu: “Eu acho que o fim daquela era foi em 82, 83. O legado do CBGB está espalhado ao redor do mundo, mas ele já não era mais o mesmo de quando a cena punk original começou”.

Talvez Marky Ramone tenha razão. Basta perceber a quantidade enorme de bandas que, ao longo desses anos, mesmo após terem alcançado o sucesso, insistiram em se apresentar na espelunca para 200 pessoas que era o CBGB. Também, é significativo o número de artistas que lançaram em disco ou DVD seus registros “Live In CBGB”. Só citando alguns: J Mascis, Agnostic Front, Cro-Mags, Vibrators, Dead Boys, Bad Brains, Korn, DRI, Living Colour, DNA, Ritual Tension, Celibate Rifles, Kraut, Chelsea, Special Duties e até mesmo o brazuca Ratos de Porão.

De boteco semi-falido ao status de “Cavern Club” do punk rock, o CBGB é incontestavelmente uma peça chave da história da música pop. Sobre a morte de Hilly Kristal, o guitarrista da E Band, Little Steven Van Zandt, traduziu bem o sentimento de muitos: “O rock and roll vai sentir saudades dele”.

 


 
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