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bandas: Tudo que você queria saber sobre o U2
Domingo, 22 de Janeiro de 2006 (18:39:49)


Aqui tem início a história da banda que já está no seu 30º ano de atividades, se contarmos sua formação, e comemora 26 anos do lançamento do seu primeiro LP. Quatro rapazes que não eram de Liverpool, mas colocaram Dublin no mapa, ou melhor, colocaram o mapa em Dublin e, de lá, partiram para onde o rock os levou, num movimento de bumerangue cultural que faz frente a qualquer fábula dos anos 60. Por CEL



Primeira Parte (1976-1988)


De Dublin para o mundo

Carlos Eduardo Lima


Há uma cena no filme Contato, estrelado por Jodie Foster, dirigido por Robert Zemeckis, baseado no livro do astrônomo Carl Sagan, que é mais ou menos assim: a humanidade precisa enviar uma pessoa para fazer contato com alienígenas que enviaram uma mensagem captada por radio-telescópios ao redor do mundo. É constituída uma junta de notáveis que vão analisar candidatos para essa jornada, com o seguinte pressuposto: o eleito deverá ser capaz de representar a humanidade de uma maneira completa, unindo ciência, religião, crenças, tudo num pacote só. Jodie não é escolhida porque não acredita em Deus e é detonada por um dos integrantes da comissão, que dispara: “A senhora não acredita em Deus, mas, 95% da população do planeta acreditam em alguma forma de espiritualidade. Como a senhora pretende nos representar sem levar isso em conta?”

Essa cena é emblemática para dizer que, se uma banda de rock fosse escolhida para representar o estilo, como tudo o que ele tem, incluindo técnica, entusiasmo, qualidade musical, jogo de cintura, canções bem feitas, pluralidade de influências, carisma, legitimidade e bons discos, o U2 seria uma bela aposta. E se alguém os visse em 1976, com 15 ou 16 anos de idade, talvez pensasse que eram mais alguns pobres garotos irlandeses lutando por um lugar em algum lugar de um país sem muito... lugar na Europa.

Engana-se quem pensa que foi Paul Hewson, o futuro Bono Vox, que formou o U2. A verdade é que Larry Mullen Jr, o quieto e eficiente baterista da futura formação foi o autor de um anúncio, colocado no mural da escola, chamando por pessoas com disposição para formar um conjunto. Em pouco tempo atenderam ao chamado Adam Clayton, Dave Evans (que seria devidamente rebatizado de The Edge alguns anos depois) e Paul Hewson, o já falado Bono. Também atendeu ao chamado Dick Evans.
 

A idéia original dos rapazes eram, claro, covers de Beatles e Stones, para começar. O ano, 1976, ainda era de indefinição na Irlanda, uma vez que o punk rock não havia chegado por lá. Isso dava ao grupo uma certa liderança no cenário do pequeno país, que logo sofreria as influências do vizinho Reino Unido.

Enquanto iniciava suas atividades, o Feedback, assim batizado inicialmente, passou por toda a via crucis de buracos onde era possível colocar um mínimo de equipamento. Coisa normal em se tratando de nascentes bandas de rock’n’roll. O que eles realmente levavam a sério, tanto quanto o rock, era a religião.

País católico por excelência, na República da Irlanda, assim como na irmã Irlanda do Norte, protestante e integrante do Reino Unido, eram comuns os atentados do Exército Republicano Irlandês - IRA -, que buscava a independência da influência britânica. Protestantes e católicos se engalfinhavam pelo poder e muita gente inocente era sacrificada pelas bombas que o terrorismo espalhava nas cidades irlandesas e irlandesas do norte, como Belfast, sua capital.

Nesse ambiente de política e religião era impossível para um jovem ficar alienado da realidade e não foi diferente com os jovens integrantes do Feedback. Em 1977 o nome da banda seria mudado para Hype e Dick Evans sairia para formar sua própria bandinha, o Electric Prunes. Já como U2, o quarteto restante, a saber, Bono, Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr, atirava para todos os lados, já com repertório próprio, entremeado por covers. Até que se inscreveram num concurso de bandas, patrocinado pela Cerveja Guiness, no qual se sagraram vencedores.
Esse tipo de empreitada abria portas de novos buracos um pouco melhores e possibilitava contatos com gente importante. No caso do U2, a figura importante foi o empresário da legendária banda punk The Stranglers, Paul MacGuiness, que os viu tocando e decidiu empresariar as atividades dos rapazes. A partir dessa decisiva ação, o U2 começou a se preparar para o lançamento de seu primeiro EP, chamado U2-Three, apenas para o mercado da Irlanda.

De forma independente, como toda banda iniciante, o EP foi lançado e, para surpresa de todos, entrou nas paradas do país. Era certo que o encontro que MacGuinness tinha arrumado com a CBS/Columbia seria o início de um contrato e o lançamento de um LP completo não tardaria, mas a sonoridade excessivamente rock do U2 não agradou os executivos da companhia. É simples de entender: enquanto o punk varria a Inglaterra, a alternativa para ele era o nascente tecnopop, oriundo das experimentações disco e do crescente uso de sintetizadores. O que seria chamado de pós-punk.

O U2 estava no meio do caminho entre o punk rock, o pós-punk e uma terceira variante, que era execrada por todos na aurora dos anos 80, o hard rock. Bono era um clássico vocalista e performer para o que se chamava de rock de arena, mas o som que a banda propunha, apontava para uma espécie ainda nova de “pós-punk de guitarras”. Essa vertente, aliás, foi trilhada por outras bandas na seqüência, a principal delas seria americana e atenderia pela sigla REM, quase na mesma época, do outro lado do Atlântico.

A pobreza de espírito da Columbia foi compensada pela visão além do alcance quase involuntária que os executivos do selo Island tiveram. Contrataram a banda para o seu cast, que tinha, entre outros, o lendário Roxy Music. As condições propícias para o lançamento de Boy, primeiro disco da banda estavam formadas. Em 1980, o disco veio para as prateleiras, com a produção de Steve Lilywhite.

O que se ouvia era novo. Nada de sintetizadores, poucos gritos selvagens, mas uma armação de guitarras épicas e uma eficiente cozinha faziam toda a diferença. O U2 era, simples e complexo ao mesmo tempo, apenas uma banda de rock’n’roll, tão universal e antenado quanto um Clash, por exemplo. Aliás, as músicas do disco já mostravam a principal característica da banda: a política e a religião caminhavam juntas e sob o manto musical mais adequado.

Costuma-se dizer e quem diz é o respeitadíssimo site All Music Guide, que “U2 foi uma das bandas que mais autenticamente acreditou no rock como caminho para a revolução e talvez a banda que menos vergonha teve de parecer ingênua por isso”. A afirmativa não pode ser mais verdadeira.

Desde o início da carreira, ainda em Dublin, ainda pobres, ainda apenas com Boy no curriculum, o U2 pedia paz de uma maneira universal, parecendo realmente bem intencionado. Não eram capazes de defender uma tendência em detrimento de outra ou ainda de fazer politicagem para um candidato ou partido. Parecia que eles eram realmente sujeitos preocupados com a paz do mundo. A ingenuidade como arma para o rock e para o mundo.

A fórmula seria repetida em October, segundo disco, lançado em 1981. A essa altura alguns hits já poderiam ser destacados, mas, só falaremos em hits a partir do próximo disco, War, que os colocou no circuito anglo-americano. Se Boy talvez pecasse pela ingenuidade, aos olhos e ouvidos de algum cínico, October seguia o mesmo caminho, com evidente evolução técnica.

Ainda que Boy estivesse colocado entre os setenta discos mais ouvidos na América no fim de 1980 e October já experimentasse o décimo-primeiro lugar na Inglaterra no fim de 1981, o U2 nunca imaginaria que seu terceiro disco, War, traria o sucesso de forma tão grandiosa. Convém dizer que desde esse disco, lançado em 1983, o U2 não mais deixou o status de grande banda de rock.

War ainda trazia a produção de Lilywhite, mais afinada que nunca, chegando ao máximo que o rock poderia chegar naquele ano. A abertura marcial de “Sunday Bloody Sunday” já apontava para a presença de hits massivos, como “New Year’s Day” e “Two Heartbeats As One”, além de algumas gemas escondidas, do calibre de “The Reffuggee”. Essas músicas, aliadas a grandes canções de espírito adolescente dos primeiros dois discos, como “Gloria”, “The Electric Co.”, “I Will Follow”, já davam ao U2 um belo set para shows pequenos e grandes. E os grandes shows, ora, eles viriam logo.

Não raro, o clipe de “Sunday Bloody Sunday” era exibido na MTV e a imagem de Bono, segurando uma bandeira branca, levando a multidão americana (!!) presente ao Anfiteatro de Red Rocks (no Colorado, USA), ao delírio pode ser considerada como um dos emblemas da década de 80. O sucesso na América, no mesmo pacote que trazia Simple Minds, Duran Duran e Culture Club, entre outros, dava ao U2 a capacidade de se apresentar em grandes espaços, numa época que muitos chamaram de “nova invasão inglesa”.

O show em Red Rocks foi lançado parcialmente sob a forma de EP, com o nome de Under A Blood Red Sky, e trazia oito canções ao vivo, principalmente os hits. O lançamento foi estrategicamente feito ainda em 1983 e foi o complemento perfeito para o furor que War estava causando. Talvez aqui possamos colocar um ponto parágrafo ideológico para entender o que viria pela frente.

Até 1983 o U2 foi, acima de tudo, uma banda irlandesa que tocava rock. A partir de 1984 eles deixam de ser apenas uma formação de rock irlandês para se transmutar numa banda mundial de rock. O que se viu a partir deste ano foi o máximo que poderia ser feito em termos de carreira bem sucedida, fosse em composições perfeitas, colaborações preciosas e sucesso, muito sucesso.

O sucessor de War seria o disco que levaria a banda para o resto do mundo. A combinação do rock com o som atmosférico que os novos produtores, Brian Eno e Daniel Lanois imprimiam, foi o diferencial para categorizar o som do U2 como único na época. Era possível para a banda continuar com canções rock de três minutos, como a homenagem a Martin Luther King em “(Pride) In The Name Of Love” e parir baladas de guitarras e teclados (sempre tocados por Eno, depois por Eno e Edge), como “Bad”.

O disco ainda trazia memoráveis músicas como “A Sort Of Homecoming” ou “M.L.K” e entrou em primeiro lugar na parada inglesa. Deu ao U2 o primeiro Top 10 americano, para “Pride” e os levou para shows ao redor da Europa e da América, distanciando-os do grupo de Duran, Culture Club e afins, num momento em que o tecnopop já dava sinais de cansaço. A adição de Eno e Lanois, no lugar de Lilywhite, foi decisiva para o sucesso da empreitada que acabou sendo batizada como The Unforgettable Fire. Esse disco, com capa vinho e fotos em preto e branco, tiradas por Anton Corbijn, colocou o U2 no quadro-negro do meu colégio em 1985. Isso é um grande feito, entenda.

Mas 1984 ainda foi o ano em que os artistas britânicos se uniram no projeto Band-Aid, com finalidade de ajudar os povos africanos. A música “Do They Know It’s Christmas” foi lançada em forma de compacto na Inglaterra e trazia de volta para o rock algo que o U2 trouxera anos antes: o espírito engajado. A atitude autêntica dos rapazes gerou um monte de seguidores, muitos fajutos, que passaram a se enrolar em bandeiras brancas pelos estádios do mundo.

Mas Bono era quem aparecia cantando o primeiro verso da canção do Band-Aid. Ainda colhendo os louros do sucesso com a massiva execução das canções de Unforgettable Fire nos quatro cantos do mundo, o U2 praticamente roubou a cena no Live Aid, concerto histórico, idealizado pelo cantor Bob Geldof, integrante do Boomtown Rats.


Em 1985, ano do show em benefício das crianças africanas, o U2 lançou um novo EP. Meio ao vivo, meio em estúdio e dessa vez com quatro faixas, o disquinho foi chamado de Wide Awake In America. Trazia duas canções inéditas, na verdade, outtakes das sessões de Unforgettable Fire (“Three Sunrises” e “Love Comes Tumbling”) além de versões para “Bad” e “A Sort Of Homecoming”, para repetir o que havia feito com a relação de War e Under A Blood Red Sky.

O disco seguinte, após um ano e meio de turnês e pouquíssimo descanso, seria o principal marco em sua carreira, sendo até hoje um dos mais bem sucedidos álbuns de todos os tempos, influente e criticamente relevante. Não bastasse
tudo isso, The Joshua Tree ainda elevou o U2 para o mesmo patamar em que estavam Madonna e Michael Jackson, o de mega-star.

Era engraçado ver a banda, ainda totalmente engajada em sua luta política e social pela paz e justiça no mundo, co-habitar o mesmo espaço de duas estrelas americanas do entretenimento. Mas, o U2 veria a si mesmo como entretenimento apenas alguns anos depois, o que é assunto para a próxima parte dessa matéria.

Se War era um disco de rock sobre a mudança, Joshua Tree poderia ser um disco de rock sobre o que acontece depois da mudança. Ou quando a mudança não acontece. Os temas são angustiados, pungentes e se transformaram em hinos de uma geração. “Where The Streets Have No Name”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “With Ou Without You” se transformaram em hinos, destes que o artista dá o microfone para a platéia cantar toda a letra.

A produção de Eno/Lanois amplia o espectro sonoro para a troposfera e a ionosfera e serve de moldura para a guitarra de Edge, talvez o grande astro desse disco, passear à vontade pelas paisagens que Bono descreve em suas letras. Obcecado pela América mitológica e pela sua música primeva, o country & blues, o pós-punk guitarreiro do U2 acrescentava aqui mais um elemento, tornando-se imune a qualquer cópia.

Outras músicas ainda permeavam o contexto nigérrimo de Joshua Tree, como “Mother Of The Disappeared” ou “Bullet The Blue Sky”, uma de suas melhores músicas em todos os tempos. O sucesso do disco foi tanto que levou o U2 para a capa da Time Magazine e das demais publicações sobre rock ou não, ao redor do mundo. A Joshua Tree Tour foi o grande evento de 1987. O álbum chegou o status de disco de platina na Inglaterra em 28 horas (!!!), além de ser o terceiro disco da banda a entrar na parada inglesa em primeiro lugar.

Também alcançou o primeiro posto da parada americana, invadindo rádios, MTV, camisetas, posters, quartos de adolescentes, gravadores, fitas cassete e toda a parafernália que os anos 80 poderiam produzir e comportar para sinalizar o sucesso de algum artista.

A turnê americana do disco foi especial para a banda, a ponto dela decidir transportá-la para as telas de cinema. O abraço do U2 à América musical, algo que, a princípio pareceria estranho para uma banda irlandesa fazer, mas que se justifica pela idéia universal da música americana influenciar a música inglesa desde sempre, se transformou num fiasco como filme-documentário e uma queda de nível no até então irretocável catálogo da banda.

Se Rattle And Hum, dirigido pelo canadense Phil Jouanou, não conseguiu atrair uma audiência que estava desacostumada a ver filmes sobre bandas de rock em ação na época, quase antecipou involuntariamente o mercado anos 00 de DVD’s musicais, uma vez que o filme é interessantíssimo como retrato – quase sempre em branco e preto – da peregrinação da banda na América. De imagens em estádios lotados a sessões nos mitológicos estúdios da Sun Records, Bono e seus amigos aparecem humildes diante dos musos inspiradores. Com B.B King, por exemplo, a banda chega quase a comprometer o resultado de “When Love Comes To Town” na tentativa de adequar o som do velho bluesman ao seu rock.

A trilha sonora do filme, lançada oficialmente como álbum duplo de carreira, é, ora, irregular. Traz uma parte ao vivo, com destaque para uma versão de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, com um belo vocal gospel. Não há, no entanto, sombra do mesmo punch adolescente de Under A Blood Red Sky, mesmo nas curiosas covers de “Helter Skelter” (Beatles) e “All Along The Watchtower” (Bob Dylan).

Há, sim, interessantes músicas inéditas, que poderiam estar em Joshua Tree, se este fosse um disco duplo, como “Van Diemen’s Land”, “Hawkmoon 269”, “Desire” (totalmente inspirada em Bo Diddley), “Angel Of Harlem” (uma sincera homenagem ao soul da gravadora Stax, com direito a naipe de metais) e a melhor música do disco, a soturna e belíssima balada, “All I Want Is You”.

O que se viu depois, alguns anos depois, na década seguinte, não poderia ser reconhecido como U2, por um suposto fã que retornasse de um exílio numa ilha deserta. A concepção de mundo, o mundo concebendo a banda, tudo, as mudanças e as mesmices, tudo seria diferente para o U2. Se alguma banda soube se reinventar na hora e lugar certos, estamos falando dela. Continua...




Blips & Blops Especial

U and Me, 2
 


Houve, certa vez, um momento em que comecei a ouvir rock. Ao contrário do que a maioria dos jornalistas musicais apregoa, não comecei a ouvir rock pelas mãos do Led Zeppelin ou pelas invenções do Talking Heads, tampouco pelo
1,2,3,4 dos Ramones. Quem me conduziu, por volta dos 11 anos de idade, ao mundo do rock foi o Police.

Eu gostava de músicas que tocavam em trilhas sonoras de novela e, apesar de algumas pessoas acharem que essas compilações que serviam de retrato musical dos folhetins globais guardarem alguma forma tacanha de sabedoria, o rock não estava exatamente ali. Até hoje eu não sei onde está o rock, mas, em 1981, parecia que o trio comandado por Sting, que emplacava sua “Every Little Thing She Does Is Magic” nas paradas do mundo e nos anúncios do cigarro Hollywood pareciam saber alguma coisa.

A partir do Police, tomei conhecimento de Men At Work, Culture Club, Bruce Springsteen e Duran Duran, o que hoje pode e deve parecer uma involução musical. Até que, num dia qualquer de 1984, 1985, alguém escreveu bem grande no quadro negro da minha sala de aula: U2. Eu sabia que era a sigla de um avião espião americano, que quase causou a Terceira Guerra Mundial, durante a crise dos mísseis de Cuba, no início dos anos 60, mas não pensava que algum maluco por aviação militar estaria enaltecendo o velho Lockheed U2 para uma platéia de jovens cariocas.

Descobri que um sujeito chamado Almir, meu colega de turma, hoje um dentista de sucesso, era o autor da suposta pichação. O cara tocava contrabaixo e um dia foi com a camisa da banda. Ao mesmo tempo, as rádios cariocas abriam espaço para a passagem de “(Pride) In The Name Of Love”, que começou a tocar insistentemente (antes disso, claro, já constavam da programação da rádio Fluminense FM várias faixas de Boy, October e War).

Nos programas de clipes, pré-pré-MTV, como FM TV e Clip Clip, os pequenos filminhos musicais da banda irlandesa começavam a pipocar. Primeiro foi “New Year’s Day”, com os cavalos na neve. Depois veio “Sunday Bloody Sunday”, ao vivo, com Bono carregando a bandeira branca. Ainda vieram os clipes de “Two Heartbeats As One” e “Gloria”, além do meu preferido, que não era da banda, mas que trazia Bono logo na abertura, Band-Aid, o projeto para ajuda às crianças africanas, com “Do They Know It’s Christmas”. Nessa época, ele rivalizada com o “We Are The World”, do conglomerado USA For Africa. Mas, longe disso, o U2 havia chegado pra ficar.

Eu comprei o War e o Unforgettable Fire juntos, na filial Copacabana das Lojas Americanas. Ouvi ambos e... não gostei. Sim, é verdade. Eu preferia The Head On The Door, do Cure. Preferia Misplaced Childhood, do Marillion. Eu preferia, bem, eu preferia O Passo Do Lui, dos Paralamas Do Sucesso, principalmente porque lembrava e muito, The Police.

A grande verdade é que fui gostar de U2 por causa de uma menina bonita da minha turma, que achava “Bad”, faixa do Unforgettable Fire, “linda de morrer”. Fernanda era o nome dela. E, bem, eu passei a gostar de “Bad” por causa dela, sob alguma influência hormonal que a crítica musical correta e altiva não comporta, for the record.

Off the record, tanto críticos quando músicos sabem muito bem o que querem do rock, mas isso é outra história. Devidamente doutrinado pelo gosto alheio, realmente apreciei o U2 de verdade quando Joshua Tree foi lançado em 1987. Era impossível não gostar da banda, era quase inconcebível. Desde então, seja na aurora rock’n’roll da minha vida ou no ainda distante ocaso diluído em lembranças pálidas de algumas tardes de verão dos anos 80, estará o rádio do carro de alguém tocando “With Or Without You”.

Não sei onde andam Almir ou Fernanda hoje, mas espero que lembrem, assim como eu, do tempo em que as descobertas, musicais (ou não), conduziam a sorrisos e aprendizados, como se fossem parte de um roteiro de filme de Sessão da Tarde pré-escrito. De uns tempos pra cá, descobertas são filmes iranianos, escritos, produzidos, pagos e vendidos por nós para nós mesmos.

PS: Rogo ao leitor que perdoe o tom confessional-bloguístico desse textinho, mas, a despeito do que pode ser certo em termos de jornalismo musical, não há música sem emoção. A idéia é falar tudo sobre o U2, portanto, é legal (ainda que possa soar piegas) dizer pra vocês como descobri a banda ainda adolescente. Além disso, vocês sabem que os adolescentes são, acima de tudo, animais emocionais. That’s it.

PARTE 2
 
 

 
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Re: Tudo que você queria saber sobre o U2 (Pontos: 1)
por flamingirl em Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2006 (18:02:09)
(Informações do usuário | Enviar uma mensagem)
Eu so fan da banda. mt boa essa materia adorei a historinha da escola. a segunda parte vai demora? Bjussss!



Re: Tudo que você queria saber sobre o U2 (Pontos: 1)
por tonha em Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006 (1:18:11)
(Informações do usuário | Enviar uma mensagem)
Humilhou, hein CEL??? Bom pra cacete teu texto. É leve, gostoso e cheinho de informações que nos levam a uma viagem saudosa, cheia de lembranças primorosas, mas não esquecendo do que está por aí e por vir.
Não adianta, U2 é phoda.
Em qualquer buraco do universo, U2 é U2.
Bjos da Tonha.



Re: Tudo que você queria saber sobre o U2 (Pontos: 1)
por claudypink em Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006 (12:55:33)
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Eu poderia repetir que você é o AD da nova geração.  Mas vai ficar chato isso.




Re: Tudo que você queria saber sobre o U2 (Pontos: 1)
por silviovasconcellos em Terça-feira, 31 de Janeiro de 2006 (13:15:48)
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Re: Tudo que você queria saber sobre o U2 (Pontos: 1)
por casallen em Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2006 (14:24:04)
(Informações do usuário | Enviar uma mensagem)
Muito bem escrita essa reportagem! Parabens Rock Press!
Achei super legal a bateria de comentarios no final, ate' me surpreendi com comenterios de integrantes de bandas que me pareceram super cabeca!
Ate' me incientivaram a conferir os albuns das bandas.
Infelizmente sempre tem uma ovelha-negra sem absolutamente nada pra contribuir e sem vergonha nenhuma de mostrar ignorancia e arrogancia tamanho GG, pagando mico pra todo mundo ver, como no caso de Alex Antunes. Nossa, que atentado a coerencia!
Mas fora as aberracoes, reportagem MUITO SHOW!





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