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Entrevistas: Mike Patton
Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2006 (0:35:46)



Mike patton foi capturado por Glerm Soares no meio da gravação de quatro álbuns (!) para um papo exclusivo sobre seus milhões de projetos, lembranças do Brasil e sua produção como diretor de selo independente - confira.









+ entrevista

MIKE PATTON


Patton Vive mil vidas ao mesmo tempo



Por Glerm Soares



Pode o fim de uma banda ser extremamente produtivo e importante para todo um cenário de projetos que sempre apontam novas direções para a re-invenção musical? No caso do Faith no More, a vida após a morte tem rendido divinos frutos para aqueles que correm por fora do mundinho dos “hypes”.




Nos tempos pós-era MTV do FNM (leia-se o estouro de Epic e do álbum The Real Thing) era comum ler-se na imprensa musical que a banda não recuperaria mais seu status de “salvação do rock”, e de fato, as expectativas de novos hits bombásticos que colocariam a banda definitivamente no milionário e plástico mundo dos popstars nunca foram cumpridas depois do assustador (em todos os sentidos) Angel Dust.


Se por um lado isso progressivamente foi jogando o grupo para fora dos poderosos esquemas de marketing e estrutura dominadora das grandes gravadoras, por outro sustentou e alimentou uma cultura marginal que têm se tornado cada vez mais influente tanto na vanguarda artística quanto em nichos de mercado que vão tornando-se situação como os rótulos “nu-metal” ou emergentes com “emo” e “inteligent dance music”.


Obviamente não pode-se julgar o FNM como o fator essencial de todo um cenário que está determinando o atual status quo estético na música pop de vanguarda onde reina a fusão de texturas de timbres, ritmos e dinâmica de explosões de agressividade com momentos singelos. Mas é inegável a influência do seu estouro e principalmente da figura mítica que serve de vetor de toda essa reflexão sobre caminhos criativos e de um novo eixo eclético na atitude rock – Mike Patton.


Mais interessante até do que as performances e postura bizarra de Patton dentro de uma ascendente banda de rock no mainstream foi a correria que o interesse por seu nome criou nos mais espertinhos, que logo tornaram seu projeto paralelo a Mr. Bungle objeto de culto, que acabou por abrir as mentes mais brilhantes de minha geração (incluindo você que me lê e sabe do que estou falando).


O Bungle trazia em seu primeiro álbum (lançado rapidinho pela Warner durante o estouro do FNM) um clima ao mesmo tempo circense e sombrio, que de repente mostrava para garotos que ainda achavam (alguém aí ainda acha?) que rebeldia e desconstrução só se faz com guitarras distorcidas.


Sim, eles tinham guitarras distorcidas muito malvadas (inclusive começaram fazendo death metal) mas também trazia insanidade trágica cinematográfica calcada na avant-garde tanto jazzística como da musica erudita. De Piazolla a Stravinsky ou Pierre Henry ou Stockhausen ou Zappa ou... Bartók... ou... ou... não importa... a partir do momento que a cabeça do moleque (ou adulto cabeça dura) foi aberta à machadadas por este petardo a nova busca por um universo desconhecido estava por começar.


Já na contracapa e nos grunhidos inconfundíveis do saxofonista John Zorn na música “Love is a Fist” começa uma associação rizomática que descamba em toda a vanguarda jazzística de Nova York do selo Tzadik e das bandas que freqüentam o disputado club (e selo) Knigting Factory. Para John Zorn até o “super cool” Sonic Youth bate continência. Outro fato curioso é que o berralhão japonês Yamatsuka Eye da Naked City, banda de Zorn (grande influência de – tcharam – Fantomas, atual banda grindcore/ jazz de Patton) começou com suas parcerias com o Sonic a atual tomada do cenário noise-eletrônico japonês na américa com Melt Banana, Boredoms, Polysics e outras (que merecem uma matéria própria em outra edição). Voltemos ao tio Mike então.


O Faith no More foi ficando cada vez mais maduro e inventivo nos álbuns posteriores à Angel Dust. King for a Day contava com a participação de Trey Spruance (guitarrista do Mr. Bungle), já em Album of the Year a banda mostrava certo sinal de cansaço frente a pressões de um “ex-sucesso” e provavelmente esta exaustão tenha sido o pivô do fim da banda em 1998. Paralelo a isso, Bungle lançava um dos grandes clássicos da música de vanguarda do século 20 – Disco Volante.


Um disco extremamente conceitual que definitivamente trazia uma dimensão sombria e intensa, reflexo da música erudita eletroacústica contemporânea, com direito a letras existencialistas, sarcásticas ou macabras, como as citações de Edgar Allan Poe em “Carry Stress In The Jaw”. Um disco à margem de mercados que deve ter dado muito trabalho à Warner, mas que merece todos os troféus.


Interessante também conhecer as bandas paralelas dos outros integrantes do Mr. Bungle e Faith no More. Trey Spruance com seu surf music drum’n’bass instrumental fundido com música árabe – o genial Secret Chiefs 3 – que conta também com o baixista Trevor Dunn e o baterista do Mr. Bungle, Danny Heifetz. Dunn também tem um trabalho solo além de gravar com vários artistas da turma de John Zorn. Heifetz toca também na indie-folk Dieselhead.


Quanto ao Faith no More atualmente o tecladista Roddy Bottum é guitarrista da pop punk Imperial Teen e Mike Bordin é baterista do Ozzy (quem? hehe). E é claro, reza a lenda que Bill Gould é umas das cabeças do Brujeria. Não tenho provas disso. Sabe-se que ele atualmente dirige um selo.


Falando em selo entra-se então numa fase importante (e atual) da carreira de Patton. Com o fim do Faith no More e após lançado o definitivo álbum California do Mr. Bungle (uma colagem de estilos megalomaníaca e digna de grandes maestros orquestradores de cinema que inspiraram à obra da banda, como Ennio Morricone) Patton dá uma inesperada e genial cartada e lança com Greg Werckman (ex- Alternative Tentacles) o seu próprio selo.


A Ipecac teve sua fundação com o primeiro disco do Fantômas, banda que conta também com o ídolo máximo de Kurt Kobain, “King” Buzz Osbourne – o frontman da antológica banda de Seattle Melvins (agora radicada em San Francisco). O selo tem sido essencial por despejar Patton em toda sua multiplicidade lançando além de Fantômas seu retorno ao rock básico (ma non troppo) com a Tomahawk, que é uma seleção que conta com John Stainer (ex-Helmet), Duane Denison (ex- Jesus Lizard) e Kevin Rutmanis (ex-Melvins e Cows) – respectivamente bateria, guitarra e baixo. Atualmente o Tomahawk está em estúdio gravando um novo álbum e tem aberto a turnê do Tool.


Além disso. o tio Mike nos brinda com descobertas incríveis do seu cast como as japas loucas do ex-Girl, o swingado Skeleton Key, o hip hop esperto de Dalek, e é claro as últimas pedradas do devastador Melvins (aliás imperdível mesmo é Fantômas-Melvins Big Band uma jam com as duas bandas). Ah, e ainda sobre o Fantômas faltou mencionar o fato devastador, seu baterista é o insano Dave Lombardo, da fase áurea do Slayer.


Pra quem ainda acha que Dave Grohl é o multi-homem por ser um ex-Nirvana vocal do Foo Fighters e batera do Queens Of The Stone Age em seu ótimo disco novo, faltou então finalizar com o fato que Patton tem feito super pops parcerias com o produtor (e mente musical) do Gorilazz, o DJ Dan, the automator. Dan produziu com Patton o doce Lovage e seu debut Songs To Make Love With You Old Lady By. Além disso esta previsto para breve o álbum solo de Patton com sua banda de um homem só Peeping Tom. A demo rola há tempos na net e Patton está atualmente em estúdio produzindo o oficial com a mãozinha de Dan.


Agora pra quem quer garimpar mesmo e está interessado em qualquer gritaria ou brincadeira (epa, noise é coisa séria!) em four track studio que o cara tem feito vale ainda citar seus dois álbuns solo, Adult Themes for Voice e Pranzo Oltranzista (e este na verdade um experimento com ajuda de mestres da “Naked City school”), além de Maldoror (seu projeto com o japa Merzbow), e todos projetos conjuntos com insanos avant garde da Tzadik Records. Fora isso tem participações em milhares de bandas, das quais o grande destaque deste ano foi a grind-crusty quebradeira jazzística Dillinger Scape Plan e seu EP Irony Is A Dead Scene.


Resta a pergunta: com tantos projetos legais e produtores que têm trazido com alguma estrutura bandas independentes, quando baixa essa porra de dólar pra a Ipecac despejar estes shows por aqui?




+ Exclusiva Mike patton


O homem foi capturado por nós no meio da gravação de quatro álbuns (!) para um papo exclusivo sobre seus milhões de projetos, lembranças do Brasil e sua produção como diretor de selo independente - confira:


Você está gravando quatro álbuns novos. Quais são as novidades?

Eu estou em estúdio gravando o novo álbum do Tomahawk e o novo do Fantômas, além de uma colaboração com os X-Ecutioners e a estréia do Peeping Tom.


Como foi sua contribuição para o Dillinger Scape Plan? Você vai fazer shows com os caras e gravar disco como vocalista novamente?

Foi bem divertido. Eles são uma banda muito foda. Vai ser divertido trabalhar com eles de novo, pela Ipecac na próxima vez.


Fantômas, Tomahawk, Lovage, Peeping Tom... Você tem alguma prioridade ou projeto favorito? Como você planeja turnês e compromissos?

São todos importantes. Eu amo trabalhar. Tudo tem que ser planejado com antecedência. A única coisa que está faltando é uma turnê brasileira...


Você continua escrevendo as letras de todos os seus projetos? Como você decide: “Isso é para o Fantomas... Isso é do Peeping Tom”?

Na verdade é fácil. As bandas são MUITO diferentes. Fica bem óbvio qual se encaixa em cada uma delas.


Você continua tendo contato com os outros integrantes do Mr. Bungle? Há possibilidades de um novo álbum?

Eu tenho falado com alguns dos caras. Não estou certo que trabalharemos juntos novamente como Mr. Bungle. Cada um mora em lugares diferentes e tem outras prioridades.


Como você grava suas demos e pré-produções? Você tem um home studio? Quais instrumentos você toca em gravações? E quais ao vivo?

Eu não gravo demos. Nós ensaiamos e já vamos pro estúdio de gravação. Eu toco alguns teclados.


Primeiro você ficou conhecido como cantor, performer e pelas suas letras. Agora está desenvolvendo seu lado produtor e instrumentista. Você planeja algo fora da música? Cinema ou literatura, por exemplo?

Eu gostaria de trabalhar em videogames, veremos... Mas música me mantém bem ocupado.


Com o Faith no More você conheceu o grande esquema das mega corporações da música. Agora você tem sua própria gravadora. Como foi esta transição? Como é este trabalho com a Ipecac Recordings.?

A Ipecac é demais! Nós pegamos o que gostamos das Indies e algumas coisas que funcionam nas majors. Estamos nos dedicando para ser o mais amigáveis que pudermos com os artistas. Estamos interessados em fazer dinheiro, mas também em lançar discos legais. Tem sido um trabalho duro, mas tudo esta indo MUITO BEM!!!!!! Deveríamos ter feito isso já há muito tempo. Encontramos pessoas nas quais podemos confiar para fazer negócios.


Depois de seu grande envolvimento com John Zorn e outros musicos avant-garde da Tzadik (selo de música vanguardista de John Zorn) você tem adquirido mais respeito entre o público “acadêmico”? Você escreveu um ensaio sobre música contemporânea no livro de Zorn, Arcana-Musicians on Music, como foi isso?

Eu realmente não me importo com quem é o público. Eu simplesmente faço música. Trabalhar com Zorn me faz lembrar que não devo me preocupar em tentar experimentar coisas novas. Desafiar a mim mesmo. Eu odeio escrever ensaios literários!!!!


Como foi a gravação do projeto Fantômas-Melvin Big Band? Isso pode rolar novamente?

Foi um show ao vivo. Foi demais! Realmente desafiador. Tem sido muito bom trabalhar com estes músicos incríveis. Acabou saindo muito melhor do que imaginávamos. Não sei se iremos algum dia fazer isso de novo. Talvez.


Quais suas lembranças do Brasil, com as turnês do Faith no More e tudo mais? Há planos para distribuição da Ipecac aqui ou alguma turnê com suas bandas?

Eu amo o Brasil! Nós adoraríamos encontrar um distribuidor de confiança para promover nossos lançamentos por aí. Eu ADORARIA receber uma oferta para uma nova tour por aí.


Gostou daquele tributo ao FNM chamado Tribute of the Year (esta coletânea saiu este ano com várias bandas que se dizem influenciadas por FNM fazendo covers). Você gosta de alguma cover de suas músicas?

Não ouvi a coletânea. Não sou pirado por covers. Gosto de originalidade.


Tem uma cena inesquecível no Vídeo Croissant (home vídeo oficial do FNM) onde milhares de garrafas voam do público ao palco. Como foi aquilo?

Demais!


Parece que você não gosta dessas comparações do tipo “padrinhos do nu metal”, como se o FNM tivesse influenciado estas bandas, não é? Por quê?

Porque o nu metal já encheu!!! Não nos culpe!


E as bandas noise japonesas? Sua colaborou com o Melt Banana e a clara influência de Yamatsuka Eye no Fantômas contruibuiu para espalhar nomes japoneses na América. Como você conheceu Melt Banana, Ex-Girl e Merzbow?

Eu conheci estas bandas nos seus shows. Muito do que acontece no Japão é bem original. Eles não se preocupam em estar no topo das paradas. A música parece mais honesta.


Você continua em contato com os caras do Sepultura?

Eles são bons amigos. Tem sido difícil estar em contato, mas são caras muito legais!


Quais são as novas bandas que você tem ouvido?

Hmmm, não são muitas…


Tem algo a dizer para a geração que cresceu espantada com sua performance no Rock in Rio e então descobriu Mr. Bungle, e por causa deste choque abriu a cabeça para tudo que há de verdadeiro e novo na música e nas artes?

Uhh… oi? Vá até www.ipecac.com !




+ Inspirações


Marcelo Camelo (Los Hermanos)


”Mr. Bungle foi uma das primeiras bandas que conheci que caminhava sobre diversos estilos de música com naturalidade. A maneira deles encararem a pluralidade fez com que eu ouvisse música de outra forma”.


Tonho Crocco (Ultramen)

“Bah, eu acho o cara um dos melhores vocalistas que tem. Tu também deve achar, né? Uma hora o cara tá cantando pra c*, outra aquela gritaria infernal e até as letras têm essa diversidade. Quando a Ultramen começou tava rolando muito a história de funk-metal e o FNM era uma das grandes bandas. Hoje, a cada projeto novo me surpreendo, Fantômas... agora o Tomahawk...”


Flavio Flock (Jason)

“O Disco Volante mudou minha forma de ouvir música, abriu minha mente para gostar de jazz e experimental. Mas o Mr. Bungle foi importante pra mim não só musicalmente: as turnês do primeiro álbum (91/92) representam o que eu acho mais foda em visual e atitude. Uso máscara e macacão nos shows do Jason por isso, é genial a idéia de ser um não-rock-star, de você olhar pro palco e ver criaturas, não humanos.


Nancyta

“Durante algum tempo fui absolutamente viciada em Mike Patton, qualquer coisa que ele fizesse eu estava ouvindo. Saquei que ele foi evoluindo com o tempo, explorando cada vez mais a voz sem cair num lugar comum.
E manda bem pra caramba em tudo o que faz.

Nos vocais do Faith No More, até os berrros do Fantômas, com o Sepultura, nos noise voices do Adult Themes for Voice até o lado mais brega, mais escrachado do Bungle.

Essa versatilidade somada à criatividade me influenciou bastante, e muita gente acha que o que faço tem a ver com o que ele faz.

Meus vizinhos é que não devem entender nada, porque eu o ouço muito e alto! Um dos meus sonhos é conhecê-lo e mostrar meu som pra ele. Ele é sem dúvida o melhor cantor de rock que existe.”


Vitoriamario (Rituais Eletroacústicos)

“Realmente Patton é um dos Vitoriamarios mais ilustres!”


Diego Medina (ex-Video Hits e Doiseu Mimdoisema. Atualmente Os Massa e Senador Medinha)

“Neste mundo onde um pop cada vez mais medíocre e babaca toma conta das paradas, os projetos musicais do Patton são verdadeiras ilhas paradisíacas pra quem se sente deslocado entre tantos lançamentos fonográficos rasos.

O cara chamou minha atenção na sua estréia como vocalista do Faith No More no álbum The Real Thing, mas cativou mesmo meu coração no primeiro disco do Mr. Bungle. A partir dali, pude notar como Patton é um artista extremamente talentoso e criativo. É claro que virei um grande fã de Bungle e passei a seguir a carreira do Mike atentamente, sempre me inspirando em alguma coisinha que eu pudesse fazer em matéria de música.

Na minha opinião, seu grande álbum é Disco Volante (1995), segundo álbum do Mr. Bungle. Minha primeira audição daquela obra-prima foi quase que uma revelação espiritual. Saí da experiência completamente sem palavras, num transe maluco inexplicável que nenhum outro disco até hoje conseguiu me provocar. Me senti obrigado a tatuar o logo do “DV” no braço.

Adorava FNM (apesar de achar Album of The Year um disco meio fraco) e amo qualquer coisa que o Patton possa botar a mão, desde Fantômas aos tributos a artistas judeus da Tzadik, ao novo Dillinger Escape Plan (GRANDE EP!!).

Meu trabalho que talvez tenha maior influência do Mike é o Senador Medinha (2002). Na demo do Senador, eu pude expandir um pouco mais as possibilidades da minha voz e minhas composições. Dá pra baixar a demo inteira em www.mp3.com/senadormedinha
Enfim, Patton é O cara.”



+ Menino Patton

Pablo Fernandez


Michael Allan Patton nasceu em 27 de janeiro de 1968, numa cidadezinha no norte da Califórnia chamada Eureka (não foi em Arcata). A família de Patton era de classe média, sendo composta pelo pai, a mãe e um irmão mais novo. Desde cedo Patton mostrou-se interessado pela música, formando com os amigos de escola (como Trevor Dunn) várias bandas - com nomes ridículos, tais como Turd e outros.


Até que, nessa própria escola (a Eureka High-School), ele conheceu Trey Spruance e, junto com seu amigo Trevor montou o Mr.Bungle (tudo isso em meados de 1984/1985, quando Patton tinha 15/16 anos).


No início, o Mr.Bungle tocava death metal, com shows em várias espeluncas em Eureka (pizzarias, salões de boliche, festas de colégio etc..), até que, em 1986, os garotos finalmente se formaram na high school. Então Patton entrou na Humboldt State University, em Arcata (cidade vizinha a Eureka), para cursar Literatura/Inglês (equivalente ao curso de Letras aqui no Brasil).


Nesta mesma época, Faith No More já era uma banda bastante popular na Califórnia, tendo suas músicas executadas (e entre as mais pedidas) nas rádios universitárias. Em um show do FNM na Humboldt State University, Patton, impressionado com a apresentação, deixou uma fita demo do Mr.Bungle ( Raging Wrath Of The Easter Bunny) com o guitarrista do FNM, Jim Martin. Mal sabia ele que que isto mudaria sua vida por completo...


Patton continuava cursando Literatura e com o Mr.Bungle, lançando sua terceiro demo. Ao mesmo tempo, o FNM tinha problemas de relacionamento com o seu vocalista, Chuck Mosely, sendo ele chutado da banda no meio de 1988. Com isso, Jim Martin telefonou para Patton perguntando se ele não gostaria de ingressar no FNM como vocalista (Jim Martin ficou impressionado com a demo daqueles malucos!). No início Patton se mostrou um pouco relutante, pois ele não queria deixar sua Bungle, e entrar numa banda cheia de compromissos (muito certinha pro gosto dele).


Acabou aceitando o desafio do FNM no final de 1988. Patton estava então com 20/21 anos. Saiu da faculdade. O FNM compunha seu novo álbum e Patton fez todas as letras em duas semanas. O grupo gostou muito do trabalho, e The Real Thing foi lançado em junho de 1989.


No mesmo ano, Patton e o Mr.Bungle lançaram a quarta demo. Patton saiu em turnê por várias países do mundo, incluindo Europa, Austrália e, claro, EUA. Mas foi apenas em 1990 que o FNM “aconteceu”, com o lançamento do single “Epic”, que entrou para os dez mais vendidos nos EUA, além de seu clipe ter ficado bastante popular na MTV. Consequentemente, Patton virou um “rock-star” do mundo pop, título que sempre o incomodou. Com The Real Thing, FNM finalmente entrou para o time das bandas conhecidas no mundo inteiro. Com o seu sucesso e a popularidade de Patton, a Warner assinou com o Mr.Bungle em 1990.


O estilo de Patton no palco impressionou os fãs, com o jeito maluco e careteiro dele. Em 1991 o FNM veio para o Brasil tocar no Rock In Rio II, onde ganhou o título (dado pela imprensa especializada, claro) de banda revelação, ficando bastante popular por aqui. Neste mesmo período, Patton entrou em estúdio com o Mr.Bungle, para gravar o primeiro álbum de seu grande “amor” (Mike afirmou várias vezes que ficaria maluco sem o grupo).


E, em resposta à imprensa, o tempo todo enchendo o saco com o papo de “rock-star”, ele cortou a longa cabeleira (típico, não?). Estas e outras atitudes mostram a dificuldade que Patton sempre teve em lidar com a fama repentina que o FNM lhe deu (o tempo todo ele fazia declarações absurdas, como a história de masturbação, de odiar rock e outras baboseiras).


Patton começou a se envolver com outros projetos paralelos, além do FNM e do Mr.Bungle (começou a tocar com a banda de John Zorn, Naked City, além de outros projetos com o mesmo Zorn). Em 1992 o FNM lançou o álbum Angel Dust, pra muitos um suicído comercial, para outros uma verdadeira revolução da banda. Patton mudou muito, se comparado a The Real Thing, - sua voz estava mais madura. Também houve uma mudança em sua “atitude” no palco, um pouco menos convencional. Com o FNM, lançou mais dois álbuns ( King For A Day, em 1995, e Album Of The Year, em 1997).


Em 1994, Patton se casou com a italiana Titi Zuccatosta (dizem as más linguas que ela era atriz pornô; outros que ela era dançarina de cabaré em Las Vegas) e lançou o segundo álbum com o Mr.Bungle em 1995, Disco Volante.


Em 1996, lançou seu primeiro trabalho solo, Adult Themes For Voices, pela Tzadik Records (de John Zorn), que nada mais é que um apanhado de gravações feitas pelo próprio Mike Patton em quartos de hotel mundo afora (enquanto ele estava em turnê com o FNM). São 33 temas, todos apenas com os gritos malucos de Patton. Em 1997, além da turnê para promover o álbum do FNM, Patton lançou seu segundo trabalho solo, chamado Pranzo Oltranzista: Musica de Tavola Per Cinque, que tem como tema principal comida.


Neste trabalho Mike Patton está acompanhado por outros músicos (John Zorn toca sax aqui). Este é instrumental, com os ruídos de Patton ao fundo. Mike também aparece em vários outros projetos (incluindo duas músicas com o Sepultura, com o qual voltaria a gravar outra vez em 1999).


Em 1998 o FNM acabou, e Patton começou um novo projeto chamado Fantômas, com Buzz Osbourne (Melvins), Trevor Dunn (Mr.Bungle) e Dave Lombardo (ex-Slayer), além de estar envolvido em outros trabalhos, como o Maldoror (com o japonês Merzbow) e o Moonraker. Também fundou uma gravadora com seu amigo e Greg Werckman, a Ipecac Records. No fim de 1998, voltou para o Mr.Bungle para compor e gravar um novo álbum, California, lançado em 1999.


No mesmo ano, Patton lançou o primeiro álbum do Fantômas, saindo em excursão em novembro e em julho de 2000. Também lançou o projeto Maldoror, tudo pela Ipecac. Em 2001, Patton iniciou sua carreira cinematográfica, participando como ator do filme Firecracker.


Além de atuar, Patton soltou o segundo álbum do Fantômas (chamado Director’s Cut) além de montar dois projetos com o renomado produtor Hip Hop Dan The Automator: um, de outubro de 2001, Songs To Make Love To Your Old Lady By, e, para 2003, o seu superfalado projeto pop chamado Peeping Tom (que sairá pela Reprise Records, mesma gravadora do FNM).


Além disso, Patton montou outro grupo, o Tomahawk, com disco que saiu em outubro pela Ipecac. O Tomahawk é formado por Duane Denison (Jesus Lizard), John Stainer (Helmet) e Kevin Rutmanis (Melvins). Além de tudo, o Fantômas foi chamado para abrir a turnê americana do Tool. E para o ano que vem? O que será que o menino Patton aprontará?


www.bungleweird.net



+ Discografia


Nos resta baixar mp3 (ou comprar álbuns importados por 60 reais?). Siga a discografia dele e alguns projetos interessantes de seus comparsas (vale lembrar que provavelmente nem ele lembra de todos os discos dos quais participou e provavelmente amanhã estará gravando mais uns dez ao mesmo tempo):

(Na discografia estamos relacionando todos os discos dos quais Patton participou até agora e alguns dos mais legais de seus comparsas, como o Secret Chiefs 3)


I Dischi Di Angelica (RER) 1997

House Of Discipline (Mike Patton, Bob Ostertag, Otomo Yoshihide):
6. “The Art Of Fist-fucking 1”
21. “The Art Of Fist-fucking 2”
Marie Goyette + Mike Patton:
18. “Romance For A Choking Man/Woman”
Vários participantes (incl. Patton):
19. “cudegokalalumosospasashatetéwaat”

Coletânea com performances ao vivo do festival de música experimental “Angelica Festival Internazionale Di Musica”, em Bologna, Itália.

Lovage: Music To Make Love To Your Old Lady By
(75ark) 2001

Mike Patton: vocais (em algumas músicas).

Superclássico. Lindo. Excepcional e todos outros adjetivos. Patton e Dan the Automator juntos são uma amostra do que pode vir a ser Patton solo: super pop e canalha. Indispensável.

Faxed Head: Exhumed At Birth (Amarillo) 1999
Trey Spruance creditado como “Neckhead” - compositor e guitarrista.

Faxed Head é indescrítivel. Uma banda de death metal dadaísta ou sei lá o que. Hilária e sombria, depende do ponto de vista. Eles não se levam a sério. Mas são umas das melhores bandas toscas que há por aí.

Faxed Head: Uncomfortable But Free (Amarillo) 1998
Trey Spruance creditado como “Neckhead” - Compositor e guitarrista.

Primeiro disco do Faxed Head. Pura cola de sapateiro como mostra o encarte na contra capa.

Faxed Head: Chiropractic (Mimicry) 2001
Trey Spruance creditado como “Neckhead” - Compositor e guitarrista.

Nesse disco o Faxed Head mistura mais ainda incursões eletrônicas low-fi podreira. Tosco e lindo.

Video Games Of The Twelfth Century (Burping Turds Musick - agora se chama Nauscopy Records)
Faxed Head:
8. Ragnarok (Of The Rock)

Esta coletânea vale comentários. Uma mistura de 42 artistas insanos e obscuros. Vários caminhos inusitados por aqui.

Graham Connah: Snaps Erupt At The Pure Spans - 1994
Trevor Dunn: Baixo

Super banda de jazz com os mais avant garde de San Franscisco. Ótimo pra conhecer o lado free jazz de Trevor Dunn.

Great Jewish Music: Burt Bacharach (Tzadik) 1997
4. “She’s Gone Away”
Trey Spruance: Harmônica
Mike Patton: Arranjo, vocais e teclados
William Winant: Percussão.

A avant garde americana tocando Burt Bacharach – ícone do orquestrador romântico brega.


Great Jewish Music: Serge Gainsbourg (Tzadik) 1997
2. “Ford Mustang”
Mike Patton: Vocais e instrumentos

A avant garde americana tocando Serge Gainsbourg - ícone da contracultura francesa.

Great Jewish Music: Marc Bolan (Tzadik) 1998
7. “Chariot Choogle”
Mike Patton: Vocais e instrumentos
17. “Scenescof”
Trey Spruance: Vocais, órgão, pianinho de brinquedo

A estréia do Fantômas. Ótimas versões.

Great Phone Calls (Amarillo/Ipecac)
Greg Turkington bolou, Trey Spruance gravou, Patton contribuiu.
Mike Patton: “Music of the Night”

Você tem? Me empresta?

Jerry Hunt: Song Drapes (Tzadik) 1999
18. Song Drape 7 “I Come”
Texto e vocais por Patton

Kid606: Down Com The Scene (Ipecac) 2000
Artista convidado: Mike Patton - vocais
7. “Secrets 4 Sale”

Kid606 faz IDM ou um melhor nome pra música eletrônica que não é feita pra pistas, mais experimental e abstrata. Tem boas idéias.

Maldoror: She (Ipecac) 1999
Mike Patton e Masami Akita

Estranho, insano e as vezes irritante. Mas por que não? Masami Akita é conhecido também por Merzbow, figurinha do noise japonês.

Melt Banana: Charlie (A-Zap) 1998
8. “Area 877 (Phoenix Mix)”
Patton e Spruance: vocais

Este é o caminho. Aqui é que começam os anos 2000. Quer saber o que vai ser o hardcore logo, logo? Crusty eletrônico insano com japa berrando desesperada. A faixa com Patton é ótima.

The Melvins: The Crybaby (Ipecac) 2000
4. G.I. Joe
Vocais: Patton

Melvins é foda. Sem comentários.

Milk Cult: Burn Or Bury (Basura) 1994
1. “Psychoanalytwist”
Mike Patton: voz
(com Billy Gould no baixo, faixa 3)

Milk Cult é uma das grandes “coisas eletrônicas estranhas”. Tá sempre na frente.

No Coracão Dos Deuses (Roadrunner) 1999
9. “Procura O Cara”
Vocais: Patton

Patton com Sepultura. Trilha Sonora do filme brasileiro No Coração dos Deuses. Porrada.

Bob Ostertag: Fear No Love (Avant ) 1994
2. “The Man In The Blue Slip”
3. “Eat Dust”
4. “Not Your Girl”
Trevor Dunn: baixo
Mike Patton: vocais
William Winant: percussão
B
ob Osterag montou novas composições sobre improvisos. Avant!

Mike Patton: Adult Themes For Voice (Tzadik) 1996

Gravado por Patton em momentos tediosos em hotéis pelo mundo. Bizarro. Minimalismo extremo. Faça também o seu.

Mike Patton: Pranzo Oltranzista Tzadik1997

Tzadik style total.

Sepultura: Attitude (Roadrunner) 1996
2. “Lookaway”
3. “Mine”
Mike Patton: vocais em ambas e co-autor de “Mine”

Mike Patton no Sepultura!

The Sparks: Plagiarism (Virgin) 1997
Vocais por Patton em:
10. “This Town Ain’t Big Enough For The Both Of Us”
16. “Something For The Girl Com Everything”

Esse Sparks é meio mala.

Tin Hat Trio: Memory Is An Elephant (EMI/ Angel) 2000
(faixa bônus) “Infinito”
Vocais: Mike Patton
9. “Somniloquy”
Baixo: Trevor Dunn

Curioso.

Secret Chiefs 3: First Grand Constitution and bylaws, The Enemy Of My Enemy Is My Friend (Amarillo) 1996
Trey Spruance com Trevor Dunn, Danny Heifetz + William Winant

Secret Chiefs é uma banda à parte. Surf music oriental com toques eletrônicos. Muito exótico mas com um sotaque característico. Essencial.

Secret Chiefs 3: Second Grand Constitution and Bylaws, Hurqalya (Amarillo) 1998
Trey Spruance com Trevor Dunn, Danny Heifetz + William Winant

Nasce um novo estilo. Sigam esses caras. Novos caminhos por aqui. O melhor do SC3.

Secret Chiefs 3: Book M (Mimicry) 2001
Com: Kang, Heifetz, Spruance etc.

O disco mais eletrônico do SC3. Ótimo.

Weird Little Boy (Avant ) 1995
Faixas: 1-9.
Trey Spruance: Guitarras, teclados e bateria.
Mike Patton: Bateria, vocais

Zorn, Spruance e Patton juntos sempre é bom. Improviso, experimentos e diversão.

John Zorn: Elegy (Tzadik) 1992
1-4. “Blue”, “Yellow”, “Pink”, “Black”
Vocais por Patton
Guitarras por Trey Spruance
Samples por David Shea

Pesado em todos sentidos. Para iniciados.

John Zorn: Taboo & Exile (Tzadik) 1999
5. “Bull’s Eye”
Mike Patton: voz

A arte gráfica é assustadora. Grande álbum. Falar de John Zorn é complicado. Não sou digno de tal tarefa. Basta dizer que é um dos mestres.

John Zorn: The Big Gundown 15th Anniversary Edition (Tzadik) 2000
13. “The Ballad Of Hank McCain”
Mike Patton: vocais
Trevor Dunn: baixo

Esse é o relançamento do grande clássico de Zorn. Descubra de onde vem a paixão dos caras do Bungle por soundtracks. Zorn na sua fase cinematográfica.

John Zorn: The Gift (Tzadik) 2001
1-5, 8-10.
Trevor Dunn: baixo
9. “Bridge To the Beyond”
Mike Patton: vocais

Um dos grandes álbuns de Zorn. Imperdível.

John Zorn: Iao (Tzadik) 2002
Mike Patton: vocais

Este também... Se você tiver, me empresta.

John Zorn, Mike Patton, Ikue Mori: Hemophiliac (Tzadik) 2002

Edição limitada de 2500 cópias autografadas. Já era.

Faith No More: The Real Thing (Slash) 1989
Vocais: Mike Patton

Qualquer comentário é dispensável. Se você não conhece este álbum não sabe do que estamos falando até agora.

Faith No More: Live At The Brixton Academy (Slash) 1990
Vocais: Mike Patton
10. “The Cowboy Song” - faixa inédita

O clássico show de invasão britanica do FNM na Brixton Academy. Também em vídeo.

Faith No More: Angel Dust (Slash) 1992
Vocais: Mike Patton

O álbum que foi incompreendido pelas paradas que esperavam novos hits como ”Epic” e que hoje é aclamado como inventor do novo metal.

Faith No More: I’m Easy (London) 1992 CD-Single
Vocais: Mike Patton
2. “Das Schutzenfest”
3. “As The Wurm Turns”
4. “Let’s Lynch The Lelord”

Vale pela cover do Dead Kennedys e a versão de “As The Worm Turns” com Patton (música do primeiro disco do FNM, ainda com Mosley).

Faith No More: Interview Disc (Slash) 1992 CD-Single

Entrevistado: Mike Patton

31 perguntas respondidas. Só para fanáticos.

Faith No More: Another Body Murdered (Epic) 1993 CD-Single
Vocais: Mike Patton

Faixa gravada em conjunto com os rappers da Boo-Yaa T.R.I.B.E. da trilha sonora de The Judgement Night.

Faith No More: King For A Day, Fool For A Lifetime (Reprise) 1995
Vocais: Mike Patton
Guitarras: Trey Spruance

Na opinião da maioria dos fãs de carteirinha do FNM o melhor disco deles. E um dos melhores de rock da sua geração. Trey Spruance faz a diferença.

Faith No More: Digging The Grave (Slash) 1995
Vocais: Mike Patton
3. “Absolute Zero”

Faixa inédita da gravação de “King for a Day”.

Faith No More: Digging The Grave (Reprise) 1995 CD-Single
Vocais: Mike Patton
2. “I Started A Joke”
3. “Greenfields”

Outra versão de “Digging The Grave” com faixas raras.

Faith No More: Evidence (Slash) 1995 CD-Single
Vocais: Mike Patton
3. “I Wanna F**k Myself”
4. “Spanish Eyes”

Inéditas da era “King for a Day”.

Faith No More: Album Of The Year (Slash) 1997
Vocais: Mike Patton

O álbum de despedida do FNM. Um bom disco, mas que mostra certo desgaste após anos de subestimação da grande mídia.

Faith No More: Ashes To Ashes (Slash) 1997
Vocais: Mike Patton
2. “The Big Kahuna”

Single sobra de estúdio de Album Of The Year.

Faith No More: Ashes To Ashes (Slash) 1997
Vocais: Mike Patton
2. “Light Up and Let Go”

Faixa inédita do Album of the Year.

Faith No More: Who Cares A Lot? (Slash) 1998
Vocais: Mike Patton
No disco bônus:
1. “The Worls Is Yours”
2. “Hippie Jam Song”
4. “I Won’t Forget You”
6. “Highway Star”
8. “This Guy’s In Love Com You”

Álbum de Best of… póstumo do Faith No More. Vale pelas covers inusitadas de Burt Bacharah (se bem que com Bungle tem a ver) e Deep Purple (!).

Bill e Ted’s Bogus Journey 1991
Vocais: Mike Patton com Faith no More
2. “Perfect Crime”
Faixa sobra obscura da era The Real Thing. Bacana.

Mr Bungle

Mr. Bungle (Warner) 1990

Este disco, além de tudo, tem John Zorn (sax em “Love Is A Fist” e produção).
Palhaços assasinos. Circos em chamas. É aqui que Patton mostra para os seus fãs do rock que música é muito mais do que você imaginava.

Mr. Bungle: Disco Volante (Warner) 1995

Se existe arte então é isso. Disco fenomenal. Bíblia sagrada. Socorro. Tenho o logotipo desse disco tatuado no pulso. Quando eu crescer quero ser Disco Volante. Se sabe do que estou falando, me abrace e chore ouvindo “Carry Stress In The Jaw”.

Mr. Bungle: California (Warner) 1999

Grandioso. Orquestral. Mostra todo o potencial de todos os músicos da banda. Nem Hollywood pode botar defeito. “All my bones are laughing while you’re dancing on my grave”!

Mr. Bungle: Bowel Of Chiley (demo tape) 1997

Demo que teve várias versões e é a ponte entre a brincadeira death metal da high school e a busca por um novo estilo.

Mr. Bungle: Goddammit I Love America (demo tape) 1988
1. Bloody Mary
2. Egg
3. Goosebumps
4. Waltz For Gramas Sake
5. Carousel
6. Definitions Of Shapes
7. Incoherence

Interessante fase de transição do Mr. Bungle da fase tosca para um ska funk à la Fishbone esquisito e circence.

Mr. Bungle: OU818 (demo) 1989
1. Intro
2. Squeeze Me Macaroni
3. Slowly Growing Deaf
4. Girls Of Porn
5. Love Is A Fist
6. Mr. Nice Guy

Demo clássica que era disputada a tapas quando o FNM estourou.

Mr. Bungle: The Raging Wraith Of The Easter Bunny (demo) 1986
1. Grizzly Adams
2. Anarchy Up Your Anus
3. Spreading The Thighs Of Death
4. Hypocrites
6. Bungle Grind
7. Raping Your Mind
8. Evil Satan
9. Sudden Death

Demo death metal do Bungle. Eles tinham 15 anos em média. Saiam do colégio e brincavam de Mr. Bungle. Legal.

Mr. Bungle: Sudden Death (Warner) 1992 EP
1. Sudden Death

Música rara em disco, promo split com o Flaming Lips.

Dillinger Scape Plan – Irony is a dead Scene (Epitaph) 2002 EP
Vocais e produção: Mike Patton

Inacréditavel. Isso não parece feito por seres humanos. O Dillinger é uma espécie de Meeshugah –Tzadik style. Jazz metal quebradeira. Batera insano. O primeiro disco já era f*, agora com Patton nos vocais, f*. Sem dúvida o disco do ano. Pena que só tem quatro músicas.

Tomahawk (Ipecac) 2001
Mike Patton: vocais

A nova banda rock de Patton. Excelente petado pra quem tem saudades do FNM era “King for a Day”.

Fantômas

Fantômas (Ipecac) 1999
Mike Patton com Dave Lombardo, Buzz Osborne e Trevor Dunn.

Um clássico. Marca a volta triunfal de Dave Lombardo e a primeira trombada explosiva de Patton e Osbourne (Melvins). Patton dá um show de cacofonia noise e reinventa seus vocais.

Fantômas: Director’s Cut (Ipecac) 2001
Mike Patton com Dave Lombardo, Buzz Osborne e Trevor Dunn.

Álbum de covers do Fantômas, só músicas-trilhas-sonoras. Mestres como Morricone e Henry Mancini versão macabra.

Fantômas: Director’s Cut Promo (Ipecac & Shock) 2001
Mike Patton com Dave Lombardo, Buzz Osborne e Trevor Dunn.

Promo disc com Experiment In Terror e Spider Bapor.

Fantômas Melvins Big Band: Millenium Monsterworks (Ipecac) 2002
Fantômas + Melvins

Performance histórica de ano novo onde Fantômas e Melvins fizeram um show juntas. Gravação ao vivo.


Originalmente publicado em Rock Press #49.


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Re: Entrevista Mike Patton (Pontos: 1)
por avesatani em Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2006 (12:40:37)
(Informações do usuário | Enviar uma mensagem)
Pela primeira vez na vida consegui ler uma matéria completa e atualizada sobre os trabalhos do Mike Patton! Já tinha lido na Rock Press e achado maravilhosa!
Será que um dia as pessoas entenderão o que é música?



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