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discos básicos: Odessey And Oracle, Zombies
Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2006 (23:24:35)



Os Zombies já não existiam quando o álbum viu a luz do dia. Odessey And Oracle acabaria se tornando um disco independente antes desse termo ser inventado e traz um legado sonoro quase ignorado e que somente agora, via remasterização em CD, com as versões em mono e estéreo para todas as músicas pode ser totalmente avaliado. Tempos férteis.






Odessey And Oracle

The Zombies

(1968)



Por Carlos Eduardo Lima

 


"Não tenham medo. Esta ilha é cheia de ruídos. Sons e doces brisas que deliciam e não ferem. De vez em quando alguns instrumentos dissonantes soarão em meus ouvidos. E, em alguns casos, até vozes". Na contracapa de Odessey And Oracle surgiam classicamente essa citação de Will Shakespeare e um texto de Rod Argent, tecladista da banda e um dos fundadores dos Zombies, explicando o porquê da banda ter se separado meses antes do lançamento do disco e creditando os méritos a amigos de Argent, que fizeram a capa de graça, alugaram estúdio e ajudaram na divulgação. Isso mesmo, os Zombies já não existiam quando o álbum viu a luz do dia.


Era pleno 1968 e o domínio Beatles/Stones era um fato consumado. Corriam por fora um iniciante Led Zeppelin, um sempre injustiçado Who, um Pink Floyd começando a mudar e uma série de bandas menores que faziam sucesso com singles. Gente como Herman Hermits, Hollies e... os Zombies. Com Odessey..., os rapazes tentavam "entrar para a realeza do rock", como definiu o crítico Al Kooper na época.


Só que fazer um disco com tantos temas inusitados como o horror da Primeira Guerra Mundial, uma garota que volta para o namorado após anos na prisão e coisas no gênero, além de buscar uma sonoridade simbiótica entre a lisergia espontânea de Sgt. Pepper's acrescida da melancolia igualmente lisérgica de Pet Sounds era mais do que a amizade dos Zombies poderia suportar. E eles se separaram na primavera de 1967.


Vejamos como isso aconteceu. Tudo começou na pequenina cidade de St. Albans no interior da Inglaterra em 1964. Rod Argent, Paul Atkinson (guitarra), Paul Arnold (baixo), Hugh Grundy (bateria) e Colin Blunstone) concorreram a um prêmio local chamado Herts Beat. Após ganharem com facilidade dos outros concorrentes, os Zombies decidiram levar aquilo a sério. Para isso, duas pendências tinham de ser resolvidas logo: Blunstone vivia com o rosto cheio de hematomas devido à prática de rugby.


Para se tornar o frontman de uma banda de rock precisava ficar mais apresentável. Blunstone concordou meio relutante. A segunda pendência estava no desinteresse do baixista Paul Arnold em seguir carreira. Argent conhecia um sujeito chamado Chris White que era viciado em música clássica e jazz. Substituição imediata.


Com esta formação os Zombies assinaram contrato com a Decca Records no fim de 1964 e começaram a gravar vários compactos de sucesso. Belas canções como “She's Not There” e “Tell Her No” são dessa época. Argent e White eram mais ambiciosos. Os singles dos Zombies já mostravam uma sonoridade mais elaborada que a maioria. Ecos de mersey beat (influências de Gerry And Peacemakers e Beatles) junto com jazz via Miles Davis e Chet Baker, mais o inevitável rhythm and blues das escolas Motown e Atlantic faziam o cartão de visitas sonoro dos Zombies.


Mas Argent e White haviam adquirido cópias de um disco que transformou seus conceitos completamente. Pet Sounds, dos Beach Boys, foi o responsável pela mudança de atitude nos rapazes. Eles queriam fazer algo grandiosamente belo como aquilo. Pouco depois, com o lançamento de Sgt. Pepper's, os Zombies literalmente chutaram o pau da barraca a quilômetros de distância. Deixaram a Decca, que insistia em fazer deles uma banda de singles e covers e assinaram contrato com a Columbia. Os primeiros singles de 1967 já davam conta do que estava por vir.
 

“Care Of Cell 44”, “Beechwood Park” e “Maybe After He's Gone” já vinham emolduradas por arranjos de cravo, violino, sopros e pontuados pela voz de garoto de escola britânica de Colin Blunstone. O sucesso não veio. Eles insistiram e gravaram mais canções para o que viria a ser Odessey And Oracle, no Olympic Studios, onde os Stones finalizavam Their Satanic Majesties Request.


As brigas internas também se intensificaram. Atkinson achava que ter desistido da Decca havia sido um erro e batia de frente com os arroubos de Argent e White. Numa das últimas sessões no estúdio, os Zombies gravaram seu maior sucesso de todos os tempos, “Time Of The Season”, pontuado por um solo de teclado de Argent, capaz de botar no bolso todos os tecladistas do progressivo ao mesmo tempo.
 

Mas isso era pouco para mantê-los juntos e os Zombies encerraram suas atividades, rescindindo seu contrato com a Columbia. A canção foi sucesso absoluto nos Estados Unidos em 1969, dois anos após a dissolução do grupo. Argent e White recusaram propostas de empresários americanos para uma turnê por várias vezes e transformaram-se em produtores de renome no Reino Unido, sendo que Argent acompanhou o Who no estúdio por várias vezes.


Assim, Odessey And Oracle acabaria se tornando um disco independente antes desse termo ser inventado e traz um legado sonoro quase ignorado e que somente agora, via remasterização em CD, com as versões em mono e estéreo para todas as músicas pode ser totalmente avaliado. Tempos férteis.
 
 
 

 
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