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discos básicos: Big Star #1
Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006 (21:52:24)

 
 
 
Aqui estava tudo o que era preciso para os músculos do rosto se contraírem num sorriso de satisfação.



Big Star #1

Por Carlos Eduardo Lima



Hoje em dia, seguindo a tendência de que o ser humano precisa cada vez de mais tempo para gastar e ele não pode perder um segundo sequer para entender algo muito mais complexo, mesmo que isso seja ouvir alguém cantando sobre o amor perdido, a solidão, a chuva, o céu, enfim, acabamos obrigados a ser felizes sem pensarmos muito se podemos, devemos ou até se queremos ser agora. Talvez depois. Resumindo: a música pop se foi. Ou melhor, se tornou impopular. Virou um gueto, onde residem os artesãos forjados após muitas audições de discos dos Beatles, dos Beach Boys, dos Byrds e do Big Star.

Mesmo que não tenha sido intencional, Brian Wilson, líder dos Beach Boys, definiu em 1967 o que era o pop. Claro que os Beatles já haviam levado o termo pop ao extremo anos antes, mas Wilson acertou na mosca quando disse que queria "fazer uma sinfonia adolescente para Deus" ao se referir a seu abortado projeto "Smile". Pop é entrar em conexão direta com as mais belas melodias, subvertidas para o assovio, para o balbucio, para o cantarolar... e as melodias, amigos, vêm lá de cima.

Mas nem só de Beatles e Beach Boys viveu (e ainda vive) o bom pop. Uma singular formação de Memphis, Tennessee, levou o termo pop para o dicionário. Ironicamente contratado do selo Stax, espacializado em soul e black music em geral, o Big Star nasceu de uma desilusão dupla. Alex Chilton era vocalista e guitarrista de uma banda de soul branco chamada Box Tops enquanto Chris Bell era guitarrista e vocalista de um trio de rock americano com cara de inglês chamado Ice Water. O Box Tops ficou famoso, principalmente na Inglaterra, com o estouro de "The Letter", uma cançoneta pop com tinturas de blue-eyed soul. Bell e Chilton eram colegas de colégio, mas não tão amigos como se supõe.

Após fracassos simultâneos, os dois mais Andy Hummel (piano, e baixo) e Jody Stephens (bateria) formaram o Big Star, copiando o nome de um supermercado vizinho ao Ardent Studios, em Memphis. Ali gravaram o seu primeiro disco, chamado apenas de #1 Record, em 1972, e entraram para a história. Baladas absolutamente perfeitas, como "Thirteen" ou "The Ballad Of El Goodo" conviviam com faixas mais rapidinhas como "Don't Lie To Me" e fizeram do disco uma verdadeira bíblia do que se chamou de power pop. Bell e Chilton continuaram se estanhando e o segundo acabou saindo da banda por divergências musicais. Bell permaneceria no anonimato durante a década de 70, gravando ocasionalmente, ajudado por seu irmão David. Esses registros foram resumidos no disco I Am The Cosmos, de 1978, póstumo, já que Bell se espatifou num acidente de automóvel.

Chilton seguiu com a banda e numa errática, mas impecável carreira solo. Mas a semente estava lançada. O que o Big Star fez com maestria (e outras bandas da época, como Badfinger e Raspberries) foi aperfeiçoar a faceta pop das bandas inglesas do primeiro (Beatles) e segundo escalão (Hollies, Herman's Hermits, Zombies), tornando-as ensolaradas e livres de seu original fog britânico.

Ao fazerem isso, estes pioneiros forjaram um novo som. Criaram padrões e, como todos os pioneiros, não viram fama ou fortuna. Uma injustiça que pode ser reparada por você, adquirindo #1 Record em CD, aproveitando que a versão disponível neste formato ainda traz o soberbo segundo disco, chamado Radio City, gravado um ano depois, já sem Chris Bell.

Obrigatório para quem gosta de rock.

 
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Re: 34 Anos / Big Star #1 / CEL (Pontos: 1)
por zecazevedo em Terça-feira, 31 de Outubro de 2006 (17:58:52)
(Informações do usuário | Enviar uma mensagem)
O #1 RECORD é um dos discos da minha vida. O curioso é que cheguei a ele (no início dos anos 90) por causa do selo STAX e do Alex Chilton. Antes de ouvir o disco, eu imaginava que o BIG STAR se tratasse de um grupo de blue-eyed soul como o BOX TOPS. Apesar de não ser soul music no sentido estrito, o conteúdo sonoro do #! RECORD é música da alma no sentido amplo. É um disco lindo, um dos meus favoritos de sempre. Esse disco tem poderes curativos, sempre me deixa de bem com a vida.

BIG STAR e BADFINGER são dois dos melhores grupos de rock de todos os tempos. Nem é preciso sentir saudade da quase finada "era das canções", pois os discos desses grupos (e os dos BEATLES, dos BEACH BOYS, dos RASPBERRIES, da MOTOWN, etc.) ainda soam perfeitos hoje.



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